12 agosto 2009

De “Doutores” e “Excelências” – Por: José Nilton Mariano Saraiva

Uma particularidade que caracteriza o nosso blog é a diversidade e miscelânea cultural (formal) dos seus integrantes. Sem deixar de reconhecer e realçar, com louvor, a colaboração absolutamente necessária e inestimável de pessoas que, por uma ou outra razão, não tiveram a condição, oportunidade ou privilégio de obter o tal do “canudo” (tal qual o nosso atual Presidente da República), mas que têm, sim, conhecimento, competência e discernimento de sobra para externar suas expressões e conceitos sobre os mais diversos temas, por aqui temos uma série interminável de “doutores”. É doutor que não acaba mais; doutor que dá no meio da canela. São advogados, médicos, economistas, historiadores, músicos, psicólogos, jornalistas, odontólogos, pedagogos, engenheiros e por aí vai. Poderíamos, até, conjecturar que o nosso blog se trata de uma plêiade ou repositório de “notáveis”.
Como, no entanto, fazemos parte de uma mesma comunidade virtual, de um mesmo e privilegiado espaço, seria sacal ou despropositado se, de repente, começássemos a nos tratar de doutor pra cá, doutor pra lá, doutor fulano, doutor sicrano e tal, embora seja compreensível que os que labutaram heroicamente durante quatro, cinco ou seis anos em uma faculdade ( fora a pós graduação e a especialização ) tenham obtido, de fato e de direito, a prerrogativa de assim serem reconhecidos e tratados. Não se há de lhes tirar o mérito, muito pelo contrário.
Ainda assim, tomamos a liberdade de sugerir que, pelo menos aqui entre nós, mandemos às favas tal formalidade, cessemos os excessos de mesuras, extingamos o rigor nomenclatural, anulemos o preciosismo, revoguemos títulos, graduações e pós.
Tal reflexão se nos apresentou quando, nesses dias, frente à telinha, assistindo às TVs Senado ou Câmara, nos defrontamos com nossos “bravos e nobres” parlamentares a se agredirem mutuamente (quase que chegando às vias dos fatos), a se digladiarem verbal e desrespeitosamente, a se acusarem de ladrão, corrupto, bandido e coisas outras, a aventarem a possibilidade de que ocorra em pleno plenário alguma sessão de bang-bang explícito, algum duelo de titãs (tal qual no velho oeste americano), enfim, a se mostrarem como realmente o são, sem que, para tanto, antes, em atendimento a uma esdrúxula determinação regimental, empreguem, usem e abusem da outrora nobre, mas hoje desgastada e suja expressão “excelência”, ao dirigirem-se uns aos outros, numa encenação nojenta, hipócrita e abominável. E é por isso que a classe política enfrenta o descrédito atual.
E, aqui pra nós, não almejamos que o nosso querido blog seja comparado - nem de longe - à Câmara ou ao Senado Federal, não é verdade ???

Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva (economista, com graduação pela Universidade Federal do Ceará, mas que prefere ser tratado simplesmente por “Mariano”).

2 comentários:

  1. Concordo!

    Aliás, desde o início do nosso Blog que eu trato todo mundo por "Você", independente de ter "canudo" ou não. Outro dia, eu estava falando com o Zilberto, e tratando-o por você, logo ele que tem mais de o dobro da minha idade...

    Mas isso não é sinal de desrespeito não! É uma forma carinhosa de tratar todo mundo de igual para igual. Eu penso que somos irmãos, e aqui, não vale o canudo. Tanto faz quem tem formação acadêmica ou não...

    Somos uma família de iguais. Alguns, mais iguais que os outros...

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  2. Muito bem, vamos "desdoutorar" este blogspot. Afinal de contas esta síndrome nacional está mesmo muito caduca. O "Seu" Chico Filomeno Gomes, engenheiro textil, formado na Inglaterra, nos idos do anos 30, industrial e grande proprietário sempre dizia: nesta terra, quem tem camisa de linho branca, sapato engrxado e meia de algodão, também branca é sem dúvida um "doutor". Eta terrinha para ter "doutor". Isto marcou.

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