06 agosto 2009

A Crise da Mídia e a Democracia - Por: Amadeu de Freitas

A inquestionável crise da mídia brasileira se choca com um processo de maior democratização da sociedade brasileira o que, por si só, deveria levar a pensar o caráter tanto da imprensa no Brasil, quanto da própria democracia entre nós. O que está em crise é a forma de produzir notícias, a forma de construção da opinião pública. Seria grave se a dimensão da crise que afeta a mídia refletisse, nas mesmas dimensões, a democracia no Brasil. Ao ler alguns órgãos da imprensa, pode-se ter a impressão que a democracia retrocede e não avança entre nós, que estamos à beira de uma ditadura, ao invés de um processo — lento, mas claro — de democratização da sociedade brasileira.

Cada classe social toma sua decadência como a decadência de toda a sociedade, quando não de toda a humanidade. Neste caso, é uma casta que controlou a formação da opinião pública, de forma monopólica e que, com isso, se considerou depositária dos interesses do país. Derrubou a Getúlio, contribuiu decisivamente para o golpe militar de 1964 e para o apoio a este, uma parte dela tentou desconhecer a campanha pelas eleições diretas, tentou impedir a vitória de Brizola nas primeiras eleições diretas para governador do Rio de Janeiro, apoiou a Collor, esteve a favor de FHC, a ponto de desconhecer a evidente corrupção presente nos escândalos processos de privatização, na compra de votos para a reeleição, entre tantos outros casos. Agora, se coloca, em bloco, contra o governo Lula, o de maior popularidade na história do Brasil, chocando-se assim flagrantemente com a opinião do povo brasileiro. A mídia tradicional está em crise, a democracia brasileira, não. Porque se amplia significativamente o circulo de produção de opinião, de difusão de noticias, se democratiza a informação e os que são afetados pelo enfraquecimento do seu monopólio oligárquico — em que umas poucas famílias controlavam a mídia — esbravejam. Tentam impedir a realização da Conferência Nacional de Comunicação, convocada para dezembro, porque detestam que se debata o tema da democracia e a mídia.

A crise do poder legislativo é parte do velho poder oligárquico, que sobreviveu na passagem da ditadura à democracia, que se vale do fisiologismo para vender seu apoio aos governos de turno. Não por acaso os mesmos personagens envolvidos nas acusações atuais no Congresso apoiariam ao governo FHC e, com o beneplácito da mídia, foram poupados das acusações agora dirigidas contra eles, na tentativa de enfraquecer a base de apoio parlamentar do governo. Enquanto o Brasil se torna mais democrático, com a promoção social de dezenas de milhões de famílias, a estrutura parlamentar reflete o velho mundo oligárquico, similar ao da propriedade da mídia privada.

No momento em que o Brasil precisa de uma nova mídia, uma nova forma de difundir notícias, de promover o debate econômico, político, cultural, a velha mídia resiste em morrer, em dar lugar à democratização que o Brasil precisa. Sabem que a continuidade do governo atual e o aprofundamento dos processos de saída do modelo herdado do governo FHC sepultarão toda uma geração de políticos opositores — derrotados pelas urnas e/ou pela senilidade. Daí seu desespero na luta contra o governo — que conta com 6% de rejeição a Lula, contra 80% de apoio.
A crise da mídia é outro reflexo do velho mundo que desmorona, para dar lugar à construção de um Brasil para todos e não para as elites minoritárias que historicamente o dirigiram.

Emir Sader é sociólogo e professor. Este texto foi originalmente publicado em seu blog no site Carta Maior (www.cartamaior.com.br)

Por: Amadeu de Freitas

4 comentários:

  1. Nem me preocupei em ler mais este manifesto esquerdista de Emir Sader, conhecido no meio acadêmico como um mero panfletário, intelectual de terceira categoria. Quero apenas dizer que essa crise tem os seus responsáveis, e não é o povo, como assim querem as carpiderias deste governo agonizante.

    Os culpados pela atual crise política são os próprios senadores, em especial o presidente do Senado, José Sarney, a quem os petistas quando órfãos da mamata do poder, exorcisavam e agora endeusam. Depois, o próprio presidente Lula, que tem jogado lenha na fogueira, com interesses ainda pouco nítidos.

    Quer exarcebar a crise para fechar o Congresso e facilitar o seu projeto golpista, a la Chavez?

    Não podemos descartar essa hipótese. Pois trata-se de um partidário da ideologia socialista que preconiza a ditadura do proletariado. (ah, Marx, Engels e Lenin...)

    Como diria Armando, cala-te boca!

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  2. Ora Ora, Rafael,

    Fez-me ter arrepios agora, quando repetiste a falácia mais estúpida que um dia eu ouvi:

    "A ditadura do proletariado"

    Isso aí é igual ao Pragmatismo Conceitual...

    Posso me lembrar daqueles indivíduos gritando:

    "Companheiros, essas elites podres governantes! precisamos construir a Ditadura do Proletariado"

    Mas que balela. Chama o Proletariado chefe, dá 100 contos por mês pra ele, e estamos conversados...

    Abraços.

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  3. Seria impossível algo inexistente como a democracia brasileira, passar por uma crise.

    Reconheço uma crise que é exatamente fruto de nossa tentativa de construir uma democracia de verdade, neste país.

    Uma crise que tem como causa mais profunda a luta ainda germinal contra uma falsa idéia de que já a atingimos e que ela precisa, apenas, ser aprimorada.

    Ou ainda, que “precisamos de mais democracia”... [ Precisamos realmente de mais democracia? http://www.heitor-reis.blogspot.com ]

    Que há uma democracia popular e uma outra, impopular...

    Que há uma democracia participativa e outra não... [A estupidez conceitual da esquerda: http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=496FDS006 ]

    Que há uma democracia representativa, onde os “legítimos” representantes do povo não representam os interesses de seus representados, mas os de seus financiadores de campanha e de seus aliciadores, quando eleitos, motivo de uma descomunal insatisfação dos eleitores com eles.



    CONTINÚA EM http://prod.midiaindependente.org/pt/red/2009/08/451511.shtml

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  4. Sobre a ditadura do proletariado mencionada acima, defendo a tese de que, na teoria, democracia de fato = ditadura do proletariado de fato. A única democracia possível é a ditadura do proletariado. Apresento no endereço abaixo, um processo de raciocínio para análise e crítica desta tese.

    CONTINÚA EM http://www.midiaindependente.org/pt/red/2008/10/432128.shtml

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