31 julho 2009

VIDA, AMARGA VIDA ! - Por Dr. Valdetário.


Trabalhei por quase 10 anos, como médico contratado, no município pernambucano de Granito. Guardo boas recordações daquele povo bom o ordeiro e me orgulho de ter sido agraciado com o título de cidadão granitense. Mas também trago na memória tristes histórias que com alguma freqüência, infelizmente, é preenchido do dia-a-dia dos profissionais de saúde.

Refiro-me ao caso de uma jovem mãe solteira que vendo o seu filho de 3 meses de vida gravemente enfermo, resolveu buscar socorro em um dos grandes hospitais públicos existentes no Cariri. O Sistema Único de Saúde (SUS) não permite a transferência de pacientes entre estados, com raras exceções. A atônita mãe para vencer esta barreira burocrática resolveu fornecer um endereço fictício, da zona rural do município sede do hospital, e assim conseguiu a necessária vaga para internar seu pimpolho.

Como já relatei, o quadro clínico da criança era bastante grave e, infelizmente, apesar do empenho e esforço dos profissionais envolvidos, não houve jeito: a criança, lamentavelmente, foi a óbito. Até aqui não tem nada de novo neste relato. Afinal, ainda é algo muito corriqueiro a morte de crianças em nossa região, o que muito lamentamos.

O que diferencia este caso é a situação deplorável em que ficou a pobre e jovem mãe. Imaginemos este cenário: Uma adolescente mãe solteira com o filhinho morto nos seus braços, em terras estranhas, sem parente e sem amigos por perto, sem dinheiro e com medo de ser presa por ter fornecido um endereço falso e ainda acuada pelo setor da assistência social do hospital que insistia em transportar o corpo da criança para o endereço fajuto.

A “saída”, literalmente, encontrada por esta pobre mãe foi, aproveitando-se de uma falha na segurança do hospital, fugir com o seu filhinho, melhor dizendo, com aquele corpinho. Embrulhou então o seu pequeno numa toalha, pegou seus poucos pertences, fugiu do hospital e subiu numa van rumo ao, naquelas circunstâncias, longínquo município de Granito em Pernambuco.

Perdida dentro daquele veículo, com o medo e a dor estampados no rosto, abraçada ao corpo frio e sem vida do seu amado filhinho, ela começou a chorar. Algumas pessoas tentavam ajudá-los oferecendo o colo para o bebê, o que só aumentava o pânico, a angústia e o sofrimento daquela pobre mãe. Foi uma triste e interminável viagem.

Este é um fato real que se deu nos distantes anos iniciais da década em curso, e que me foi relatado, algumas semanas após o ocorrido, por aquela sofrida criatura que além de perder seu bem maior ainda carregava o peso do medo misturado à certeza de que tudo que lhe ocorrera foi um castigo divino por ter cometido o pecado da mentira.

Este fato, como agravante, ocorreu no segundo domingo do mes de maio daquele ano, ou seja, no dia das mães.

Por: Dr. Valdetário Siebra

5 comentários:

  1. Valdetário,
    sei que isso não tem nada a ver com o que postou, mas queria muito lhe dizer que sou uma grande admiradorado seu trabalho, da sua luta da sua pessoa.
    Nunca se esqueça disso :

    PARA MIM DENTRO DO PT DO CRATO SEU NOME E UM DOS ÚNICOS QUE ME INSPIRA CONFIANÇA E CREDIBILIDADE!

    Abraços,
    alessandra

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  2. Cara Alessandra.

    Obrigado por suas palavras. Elas servem de estímulo para que eu continue na luta.

    Espero que sua análise seja, num futuro muito breve, a mesma da maioria dos petistas cratenses.

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  3. Amigo Valdetário,

    Que bom poder conhecer um pouco do quanto tens a contar.

    Abraço.

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  4. Caro Amigo Emerson.

    Sei que você tem muito mais a nos eferecer. Por falar nisso, lembra do caso daquela criança com paralisia cerebral que nós nos deparamos durante nossas visitas domiciliares quando fomos candidatos em 2004?!

    Aquela é outra história real que planejo publicá-la.

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  5. Prezado amigo Dihelson.

    Gostei muito dessa nova maneira da gente postar os comentários.

    Parabéns. Continue mudando pra melhor.

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