28 julho 2009

Padre Francisco Pinkowski - por Armando Lopes Rafael


A região do Cariri, ao longo dos tempos, foi privilegiada com a presença de padres virtuosos. Um desses sacerdotes foi o Padre Francisco Pinkowski, da Ordem Salesiana, nascido na Polônia em 1882. Ainda jovem foi estudar em Turim, na Itália, indo, depois, para Montevidéu, no Uruguai. Nesta última cidade foi ordenado presbítero em 1920. Dali foi enviado para o Brasil, para Pernambuco, onde residiu de 1921 a 1939. Foi transferido, em seguida, para Fortaleza, no Ceará, onde exerceu várias atividades pastorais entre os anos 1940-1943. De Fortaleza veio para Juazeiro do Norte, onde permaneceu os anos 1944-1945, retornando a Pernambuco em 1946. Padre Francisco Pinkowski viveu seus últimos anos em Juazeiro do Norte, aonde veio a falecer em 1979 com 96 anos.
Sobre este sacerdote escreveu o escritor Mário Bem Filho:
“Em Juazeiro do Norte, Padre Francisco Pinkowski, apesar da idade avançada, jamais se deixou vencer pelo cansaço. Levantava-se cedo e começava a rezar o terço e, após meditação, celebrava a Santa Missa. Posteriormente começava a atender às confissões, saindo, em seguida, sempre a pé, para prestar assistência aos enfermos pobres que habitavam a periferia de Juazeiro do Norte. Seu maior sonho era ver concluída a construção da igreja do Sagrado Coração de Jesus, o que conseguiu realizar.
“Padre Francisco Pinkowski era um padre virtuoso, um autêntico apóstolo do bem, devoto de Nossa Senhora Auxiliadora e de Dom Bosco. Durante sua existência apresentou características marcantes, dentro as quais destacamos: profundo amor pelas vocações; zelo sacerdotal pelas almas, demonstrado no ministério das confissões, principalmente aos enfermos; coração aberto aos pobres. Jamais um necessitado que o procurasse, dele se afastava de mãos vazias; coração sempre inclinado ao perdão, nunca guardando rancor de ninguém”.
Sobre o Padre Francisco Pinkowski conta-se, em Juazeiro do Norte, uma história de domínio público. Certa manhã ele foi chamado para dar a Unção dos Enfermos a uma moribunda que residia na Rua da Palha, periferia daquela cidade. Carregando a hóstia consagrada, estola, livro-devocionário e um recipiente com água benta, para a Rua da Palha dirigiu-se, a pé, o bom padre. Em lá chegando, Padre Francisco Pinkowski entrou numa pequenina palhoça, destituída de qualquer móvel onde ele pudesse colocar os objetos sagrados, enquanto vestia a estola. Constrangido, por não querer colocar esses objetos no chão, eis que entra, na palhoça, um rapazinho de boa aparência, bem vestido e pede ao Padre Francisco para segurar os objetos. Após cumprir a tarefa o rapazinho se afastou do pequeno recinto.
A sós com a moribunda, Padre Francisco ministrou a confissão, deu a comunhão e procedeu a Unção dos Enfermos. Ao sair, perguntou a algumas pessoas que estavam do lado de fora da choupana:
– Onde está aquele mocinho que segurou meus objetos? Gostaria de agradecer a ele...

Para surpresa do sacerdote todos insistem em dizer que, na palhoça, não entrara ninguém. Padre Francisco retornou ao Colégio Salesiano um tanto intrigado com o fato. Chegando ao Colégio, entrou na antiga capela do educandário. Foi quando seus olhos se fixaram num altar e ele viu uma imagem de São Domingos Sávio. Emocionado, reconheceu naquele santo o rapazinho que o ajudara momentos antes, no casebre da enferma a quem dera assistência espiritual.

Padre Francisco Pinkowski faleceu em 15 de abril de 1979. Foi sepultado no dia seguinte, no interior da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Juazeiro do Norte, após missa de corpo presente concelebrada por 26 sacerdotes. Ainda hoje sua sepultura é muito visitada. Muitas pessoas dão testemunho de graças alcançadas por sua intercessão.


Texto e postagem de Armando Lopes Rafael

8 comentários:

  1. Prezado Armando Lopes!
    Sempre que lemos ou de alguma outra forma sabemos sobres exemplos de coragem, amor e fé nos emocionamos.
    Pois ai estão valores inerentes àqueles que caminham nesta Terra.
    Nunca desistir e sempre acreditar no seu sonho, fazer por acontecer...O exemplo de fé do querido Padre Francisco Pinkowski é para toda raça humana.
    Parabéns pelo excelente texto e pesquisa históriaca.
    Que o "Blog do Crato" continue publicando matérias e textos de alto nivel como o seu.
    Saúde e letras.
    Henrique Alves

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  2. Prezado Armando Lopes!
    Sempre que lemos ou de alguma outra forma sabemos sobre exemplos de coragem, amor e fé nos emocionamos.
    Pois ai estão valores inerentes àqueles que caminham nesta Terra.
    Nunca desistir e sempre acreditar no seu sonho, fazer por acontecer...O exemplo de fé do querido Padre Francisco Pinkowski é para toda raça humana.
    Parabéns pelo excelente texto e pesquisa históriaca.
    Que o "Blog do Crato" continue publicando matérias e textos de alto nivel como o seu.
    Saúde e letras.
    Henrique Alves

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  3. À semelhança de um grande e talentoso pintor, o Armando Rafael, exímio historiador, vai nos dando a conhecer sobre fatos e pessoas importantes, formando essa imensa galeria de leitura prazerosa que temos a oportunidade única de ler e de resgatar o excelente trabalho realizado por essas pessoas.

    Dihelson Mendonça

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  4. Henrique Alves e Dihelson Mendonça:

    O Padre Francisco Pinkowski estava a merecer um resgate da profícua e edificante existência vivida no Nordeste e, em particular, no Juazeiro do Norte.
    Grato pelas palavras

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  5. Armando,

    Li com interesse e satisfação esse texto sobre o virtuoso sacerdote católico pe. Francisco Pinkowski. Da última vez que estivemos juntos, você me contou essa história, cujo relato foi similar ao texto. Parabéns pelo trabalho de resgate que você tem se proposto a fazer, tal como um garimpeiro de pedras preciosas, com a vantagem de que já as encontra devidamente polidas.

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  6. ANTONIO CORDEIRO DUARTE
    Residente em São Paulo (SP)
    (em e-mail enviado ao autor)escreveu:

    Caro Sr. Armando Rafael,

    Sobre o Padre Francisco Pinkowski, gostaria de dizer que o conheci muito. Todo o sábado, durante um bom período na década de 1970, embora residindo em Crato, ia assistir à missa que aquele sacerdote celebrava – às três horas da tarde – no Santuário do Coração de Jesus, em Juazeiro do Norte. Ele celebrava em latim, pois devido à idade e a visão enfraquecida, não tinha condições de se adaptar ao novo ordo missae (ou à Nova Missa em português). Eu mesmo ajudei, muitas vezes, as missas dele. Uma coisa que era motivo de orgulho para o Pe. Francisco foi o fato de ele ter conhecido Dom Bosco, quando era criança.

    Esses seus artigos estão tomando vulto. Parabéns!

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  7. DOM FERNANDO PANICO disse:

    Sr.Armando:
    Meu irmão e amigo,
    muito obrigado pela seu amor à Igreja e aos Sacerdotes. Mantenhamos viva a memória dos nossos Pastores.
    Na graça do Ano Sacerdotal, um fraterno abraço.
    D. Fernando

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  8. Mensagem a Dom Fernando:

    Receba o nosso mais caloroso abraço e estima, Dom Fernando Panico, Bispo Diocesano em Crato, se estiver lendo esta postagem aqui no Blog do Crato, através do nosso colega, o nobre Armando Rafael.

    Dihelson Mendonça
    Administrador

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