28 julho 2009

O Madrigal Intercolegial do Crato - Por: Roberto Jamacaru



“Quando o Madrigal canta, me encanta e enche meu coração!”.

Em uma das suas versões, a palavra Madrigal se define como uma espécie de composição musical que, no século XIV, constituiu-se em um gênero dos mais importantes da música profana italiana, escrita para uma ou mais vozes com um acompanhamento instrumental. Como não poderia deixar de ser, no Crato, dado à sua condição nata de cultura, esse manifesto artístico principiou-se a partir de uma viagem feita à Roma pelo Monsenhor Holanda Montenegro que, extático com o que lá ouviu, resolveu trazer para a comunidade cratense esse deslumbramento músico-poético.

Como ele é composto para uma ou mais vozes, masculinas e femininas, e levando-se em conta que, na época, o corpo discente do Colégio Diocesano era só masculino, foi necessário buscar, nos congêneres Santa Tereza, Madre Ana Couto, Dom Bosco e Estadual, novos integrantes o que abrilhantou, mais ainda, o projeto. Dessa forma nasceu, no ano de 1960, sob a regência da maestrina Bernadete Cabral, o Madrigal Intercolegial do Crato, com uma geração de jovens com idades que variavam dos 12 a 14 anos.

Em princípio as apresentações foram na própria cidade de Crato. Mas, dado à sua performance evolutiva, o Madrigal passou a receber convites vindo a se apresentar nas cidades vizinhas e em Fortaleza, onde abrilhantou a festa promovida pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário – INDA, que reunia todos os Municípios Modelos do Brasil. Em um determinado estágio, nas asas de um DC 3 da VARIG, nossos canarinhos voaram até Recife onde, no Teatro Santa Izabel, consagraram, em grande estilo, a arte cratense.

Passados os anos, toda essa geração de jovens cantores se viu obrigada a cumprir seus destinos, muitos dos quais distantes da terra-mãe. Como aves em migração, elas partiram levando consigo, de forma solidificada, o cerne, o encanto e a magia das vozes, da afinação, do aperfeiçoamento e do deslumbre musical. Décadas depois...

Como que por instinto, essas aves, agora adultas, sentindo falta da sonância de seus gorjeios em meio às árvores e campos do velho torrão, resolveram voltar. Nesse reencontro, o fórum apropriado para a apresentação não poderia ser o melhor. Em meio ao glamour das vestes, dos flashs, dos brilhos nos olhos, dos sorrisos e das alegrias incontidas, o velho Cine Moderno, hoje transformado em teatro com o nome de Salviano Saraiva, estremeceu! Toda plêiade da intelectualidade cratense compareceu para ver e ouvir aquilo que só os seus olhos e ouvidos tiveram a oportunidade de ver e ouvir.

Antes da apresentação, porém, os reencontros dos presentes se sucederam em meio às lágrimas, risos e abraços num manifesto indescritível a qualquer ótica da emoção humana. Após um breve relato histórico, narrado por Huberto Cabral e Nilo Sérgio, Divane Cabral anunciou a apoteótica entrada do Coral. Ao cruzarem toda a platéia e se postarem no palco, na mesma formação dos velhos tempos, o que se viu e ouviu depois foi um show... Um incomparável show de harmonia, afinação e entonações – graves e agudas – que, junto aos frissons dos presentes, deu-nos a sensação de estarmos diante das mesmas crianças de antes num palco que, de tão iluminado pelos seus astros, mais parecia um céu salpicado de estrelas. Em um canto, próximo aos seus anjos cantores, Monsenhor Montenegro, transfigurado num espírito de som e de luz, tudo assistia.

Pairando no ar, nas mentes e nos corações de todos os presentes, a sua célebre frase de amor à sua cria, parecia ecoar pelos quatro cantos do salão:

“Quando o Madrigal canta, me encanta e enche meu coração!”.

Por: Roberto Jamacaru

7 comentários:

  1. Parabens Roberto,vc conseguiu no seu texto,repassar todas as emoções vivenciadas.
    abraços

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  2. Neste artigo encontrei algo que tinha perdido, a essência, a alma a luz, o oxigênio que está solto, vivo, congelado na alma do cratense, como um calota polar, logo abaixo, água, luz, vida, um novo ecossistema, um novo oceano, um universo brilhante que se abre.

    Parabéns !

    É neste Crato que acredito.
    Presente no cerne
    e no pulsar da sístole e diástole nos corações de todos da capital cultural do cariri.
    O Orgulho ufano, porém sem bairismo,
    mas, presente o grito de vaidade espiritual
    Sou do Crato!!!
    É isto que falta.
    Sem ufanismo gratuito,
    Sem bairrismo gratuito
    Sem telurismo gratuito
    Mas sem perder a vaidade espiritual. Nunca !!!

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  3. Robero, sua reportagem me fez lembrar com saudades o primeiro ensaio do Madrigal Intercolegial do Crato, regido por Dona Bernadete Cabral. Presentes: Peixoto, Mauro Messias, Ana Maria, Francisco Messias, Luiz Couto, Conceição, Danilo, Daví Couto, José Flávio e outros. Parabéns.
    Abraços, Francisco Messias

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  4. Caro Marny

    Para quem não sabe, o reencontro do Madrigal foi apenas um entre tantos que aconteceram de forma paralela durante o período da Expocrato. Citamos como exemplo o das alunas do Santa Tereza, das décadas de 50 e 60 que, além de elegerem a Praça Siqueira Campos como o símbolo de suas gerações, nela se reencontraram abraçando-a (de mãos dadas) por inteiro.
    No dia seguinte, autografaram um livro, escrito por elas em homenagem a esse logradouro, cuja culminância foi, como nos velhos tempos, com uma tertúlia. Sua crônica nesse opúsculo, Caro João, foi um dos grandes destaque.

    Abraços

    Roberto

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  5. Caro Marny

    Para quem não sabe, o reencontro do Madrigal foi apenas um entre tantos que aconteceram de forma paralela durante o período da Expocrato. Citamos como exemplo o das alunas do Santa Tereza, das décadas de 50 e 60 que, além de elegerem a Praça Siqueira Campos como o símbolo de suas gerações, nela se reencontraram abraçando-a (de mãos dadas) por inteiro.
    No dia seguinte, autografaram um livro, escrito por elas em homenagem a esse logradouro, cuja culminância foi, como nos velhos tempos, com uma tertúlia. Sua crônica nesse opúsculo, Caro João, foi um dos grandes destaque.

    Abraços

    Roberto

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  6. Luiz

    Cara, sinceramente.... Lendo seu comentário, eu não consegui separar, da leitura, a emoção e o encantamento que senti ao vislumbrar a riqueza literária de suas frases. Não sabia se lia, simplesmente, ou se parava para degustar a desenvoltura de seus argumentos. Simples comentário? Crônica? Poesia? Acho que um misto rico de tudo isso.
    O orgulho é meu de ser cratense e de ver, na sua plêiade literária, expoentes como você que, com dois toques resume, de forma clara e elegante, irretocáveis posicionamentos sem gratuidades outras a não ser o da pura informação.

    Honrado é a minha resposta.

    Valeu!

    Roberto Jamacaru de Aquino

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  7. Estimado Francisco Messias

    Eu que não fiz parte desse elenco, fiquei pasmo com tudo que vi e ouvi. Imagino você, na condição de integrante.
    Para mim, e para muitos, a apresentação do Madrigal não se constituiu apenas de um resgate, ela mostrou o legado nato existente na alma do cratense. Em meio à platéia, na condição de observador, eu navegava meu olhar entre os cantores e os assistentes. Em ambas as faces os risos, os choros e as lágrimas confundiam-se. Os sons dos aplausos, dos gritos, assobios, pedidos de bis, entre outros entusiasmados manifestos, pareciam ecoar pelas ruas do Crato o que glamourizou, ainda mais, o evento.
    Na próxima apresentação prestigie-nos, no palco, com sua presença... “Nosotros” cratenses agradeceremos!!

    Abraços, cara!

    Roberto Jamacaru de Aquino

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