16 julho 2009

Histórias de um caçador - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Manezim Dentista era um famoso caçador do município de Barra na Bahia, cuja história me foi contada pelo meu dileto amigo Juarez Chaves, um bom baiano do Vale do São Francisco. Como todo bom caçador, Manezim tinha uma mente fértil para fantasiar aventuras nas suas longas horas de espera pela caça. Nos períodos em que a caça era escassa, Manezim exercia a profissão de dentista, daí o apelido como era conhecido em toda a cidade.

Manezim Dentista costumava contar aos desconhecidos que chegavam a Barra, uma famosa caçada na qual ele encontrou um ninho de papagaio com um filhote, ainda sem penas. Logo viu que o papagaiozinho seria muito falador. Cuidou dele com carinho e desde cedo começou a lhe ensinar a falar. Quando não estava em casa, ligava o rádio para o bichinho aprender músicas. Com pouco tempo o seu papagaio era o mais sabido de toda a região do médio São Francisco. Cantava todas as músicas de Valdick Soriano, imitava o locutor Luis Jatobá na propaganda do Rádio Zilomag, era um verdadeiro show o seu lourinho querido. Segundo Manezim, ele foi convidado para exibir o seu famoso louro na TV Itapoan, em Salvador. “A apresentação ainda hoje é muito comentada pelos baianos.” Acrescentava Manezim.

Mas nem tudo é alegria. Numa bela manhã, o papagaio do Manezim havia desaparecido de seu poleiro. Foi com uma enorme dor no coração, que Manezim andou por toda a região do São Francisco à procura da sua famosa ave de estimação. Esforço em vão! Meses e meses depois, já resignado pela perda do querido papagaio, Manezim voltou às suas famosas caçadas. Num belo dia, no lusco-fusco vespertino, Manezim voltava para casa com o bornal repleto de juritis, quando avistou num galho de angico desfolhado um enorme pássaro. A claridade fugaz do final de tarde não lhe permitiu reconhecer que pássaro seria aquele. Jamais havia visto uma ave daquele porte. Mirou bem no centro do alvo de sua espingarda, quando de repente ouviu um apelo desesperado. “Manezim, você não tá me reconhecendo, não? Pelo amor de Deus não me mate! Eu volto para casa com você.” Era o seu papagaio fugitivo. E a cada visitante, Manezim jurava de mãos postas que a história era verdadeira.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

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