22 junho 2009

Voltando ao Passado - Praça Siqueira Campos

praca siqueira campos antiga


Anos Dourados.


Praça Siqueira Campos, a minha maior e melhor recordação. Como nos tempos de pouca liberdade, só íamos à praça aos domingos, caso não cometêssemos nenhum motivo para o severo castigo de não ir até lá. Chegávamos às 19 horas, ou seja, 7 horas da noite, depois de passar na Sé Catedral e assistir a benção feita pelo Monsenhor Rubens ou Padre Onofre, se não me engano, tendo o compromisso de retornar às 9 horas, sem falta, muito tarde para a época. A Praça Siqueira Campos era o ponto de encontro da juventude, passando pela Sorveteria Bantim e pelo Café Itaytera, também um dos mais freqüentados pela moçada. Sempre caminhávamos em grupo de quatro, todas de braços e no mesmo sentido. Ali desfilávamos muito bonitas e bem trajadas, para admiração dos fãs que formavam uma barreira ao redor da praça. Eles, muitos bem vestidos, deixavam ver a elegância ou a ousadia de suas mangas arregaçadas para mostrarem o belo físico, com um topete Alain Delon, ou porque não Elvis Presley, e pra completar o visual mascando um chiclete sabor canela. Eu adorava.

Ai que saudades!!

Levávamos meses flertando, chegando a mandar um recado ousado: “Como é, vem ou não vem? Já estou cansada”. Ai começava o namoro, vindo sempre acompanhado de um amigo, uma espécie de padrinho. Oh! Que felicidade. Conversávamos coisas inocentes, sempre a respeito ao colégio, colegas, pais, porque estava de castigo, por qualquer travessura ou notas baixas no colégio. O regime de educação familiar era quase todo igual, por isso não reagíamos. Aceitávamos conformadas. O namoro durava muito, o compromisso era sério, nada de infidelidade, tudo com muito amor e paixão, além de muito respeito pela namorada. Só tínhamos a Praça Siqueira Campos para o encontro. Ai que dia esperado. A semana toda sonhando como iríamos. Vestido novo, cintura baixa, por sinal muito fina, anáguas com bordados, sapato alto e meia fina, cabelo penteado geralmente de coque, com bastante laquê para não despentear, ou quando não era cabelo pagem. Os olhos muito pintados com lápis e feito rabisco na ponta dos olhos, parecendo uma chinesinha, com sobrancelhas bem marcadas. Sem contar com o pega rapaz infalível.
Ficávamos lindas, também pudera, com a juventude de nossos 17, 18 ou 20 anos. A ansiedade era muito grande. Domingo, dia de passear na Praça Siqueira Campos, com direito a retreta redigida pelo nosso saudoso Maestro Azul. A Amplificadora Cratense tocando “A volta do boêmio”, de Nelson Gonçalves, Agostinho dos Santos, Ângela Maria, Carlos Gonzaga com Diana, ai vai longe. Isto sem contar com a hora da onça beber água. Com o hino do Crato era a hora de ir pra casa, pois dentro de 15 minutos não ficava mais uma jovem na praça. Moça de família não passava das 9 horas. Corríamos tanto para chegar, que às vezes tirávamos os sapatos para chegarmos no horário marcado, se não era motivo para no próximo domingo não irmos.
Que semana longa. Na nossa cabeça começa tudo de novo, mil expectativas para rever o bem-amado.

A Praça Siqueira Campos tem presença constante na minha vida, nos meus pensamentos. Recordações maravilhosas, como no último dia de carnaval, às 5 horas da manhã, todos lá dançando a despedida da folia carnavalesca. Era na Praça Siqueira Campos que iniciava o namoro. Era na Praça Siqueira Campos que terminava um grande amor. Era na Praça Siqueira Campos onde nos encontrávamos para irmos assistir os filmes no Cassino, Moderno ou na Rádio Educadora.

Era na Praça Siqueira Campos que nos reuníamos para ir às tertúlias. Era na Praça Siqueira Campos onde nossos amigos e admiradores esperavam a turma do Colégio Santa Teresa passar desfilando no Dia da Independência. Era na Praça Siqueira Campos onde passávamos no corso do carnaval. Na procissão da Festa da Padroeira. Enfim, a Praça Siqueira Campos é o melhor lugar e mais cheio de datas importantes da minha vida. Por isso é mais que merecida essa homenagem.
Desejo ao encontro uma festa de comemoração cheia de estilo, com muita alegria, paz e felicidade para todos. Infelizmente já tinha marcado outro compromisso na mesma data, mas estarei espiritualmente com vocês. E, parabéns a Praça Siqueira Campos, nossa companheira e cúmplice de tantos momentos agradáveis. Abraços em todos os amigos de tantas horas e recordações. Como sou feliz.

Clymene Villar
Texto enviado por Roberta Frota

2 comentários:

  1. Minha Cara Clymene Vilar


    A Praça Siqueira Campos é tudo isso e muito mais, coisas do além que corações apaxonados se derreteram no tempo. Mas o mais charmoso era mesmo ficar na borda da praça assistindo o desfile da jovens. Você que ia aos domingos morre de saudades imagine eu que morava praticamente na praça. Infelizmente meu pai cometeu o crime de vender aquela casa tao conhecida, a Casa dos dois Leoes, hoje transformado naquele montrengo Bradesco.
    Jair Rolim

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  2. Embora não sabendo a que ano e refere o texto .Asemelha-se ao final dos anos 60.Estivemos ali. nessa época,depois saímos pra estudar e voltávamos unicamente em dezembro,uma vez por ano.Mas,foi uma época feliz.E certamente perdura nas memórias dos que compartilham da mesma visão e vivência.
    JAT

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