24 junho 2009

Tipos Populares do Crato - Cabo Toureiro - Por: Wilson Bernardo

GALERIA FOTOGRÁFICA(1)...Começo desde já esta galeria homenageando meu pai.

Ainda jovem...


Aos oitenta e dois anos (Sargento mas conhecido como cabo Toureiro )

...AH! VOCÊ QUE É TOUREIRO, TAQUI QUE VOU!
-TAQUI QUE EU LHE LEVO...

A construção dos super-heróis se realiza primeiro na formação da força e do poder no sonho de uma América forte e superior. Depois este herói se faz mito, onde se constrói, no imaginário de toda mente fértil, mas isto não é fato, pelo menos na minha concepção de vida e de quando criança, me vi crescer em um ambiente totalmente desprovido de formações supostamente propícias a mistificar os mitos. Cresci vendo meu pai, que para poucos se chama: José Bernardo da Silva, o que para muitos se construiu um populesco apelido, acompanhado de histórias cômicas como, por exemplo, “esteje preso, esteja solto” “taqui que eu vou, taqui que eu lhe levo”, onde com o passar dos tempos, este mesmo apelido incorporou no imaginário dantesco de cabo toureiro.

De todos os heróis fictícios que eu conheci, o meu era bem real e estava ali, nos ensinando a todos os meus irmãos, princípio moral e ético de que sobreviver às condições sociais é simplesmente o conhecimento e a honestidade. Meu pai não teve tempo de se alfabetizar, assim como minha mãe, pois os mesmos, só tiveram tempo de nos ensinar as letras que se formam grãos no saciar da angústia de que nunca os filhos passariam necessidades, mas se enfartariam de saberes primordiais que é a maior alfabetização dos homens, como o amor e a proteção da família, para que nos tornássemos tempos depois, em bons irmãos, filhos e pais, como fomos assim concebidos pelos ensinamentos de cabo toureiro, que na plenitude de sua vida chega aos oitenta e dois anos, sem nunca ter agredido quem quer que seja, física e moral.

Quando criança na escola e nas ruas, muitas vezes e não foram poucas chorei e me vi embrutecido, quando ouvia as piadas e as histórias de suposta covardia que se alcunha ao meu pai. Levei muito tempo para aprender que aquilo não passava de folclóricas situações engraçadas, sabendo eu que não eram verídicas, e se fossem o meu pai ao completar oitenta e dois anos, não estaria vivo e lúcido, dormindo a tranquilidade dos sonos que só cabem aos heróis vivos e honrados e não heróis mortos para não relatar os fatos. Cabo toureiro que é sim, nosso mito de herói nordestino de tantas histórias de honras e gangaços. Nós os teus filhos e esposa em memorian, te amamos na espera de muitos anos que sucede tua honrada vida.

Amamos-te cabo toureiro José Bernardo da Silva.

Wilson Bernardo - Poeta

8 comentários:

  1. Wilson,

    Parabéns por essa comovente descrição e homenagem ao seu velho guerreiro e figura Popular do crato, CABO TOUREIRO. Apenas a sensibilidade de um verdadeiro poeta poderia traduzir essas imagens tão indescritíveis.

    Abraços do seu amigo,

    Dihelson Mendonça

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  2. Wilson,

    Esta foi uma das mais lindas homenagens a um pai-herói que já li. No texto você mostra sua alma nobre, além da acurada admiração que tem por esse seu ídolo, (indelével e intocável em dua alma).
    Quisera eu poder ainda em vida ter homenageado meu pai-herói com tanta propriedade.

    Parabéns!

    Abraço,

    Claude

    P.S. Eu havia postado outro comentário mas parece que foi deletado ou sumiu.

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  3. Wilson
    Cabo Toureiro, seu nobre pai, foi personagem que quando eu ainda garoto, tive a honra de conhecer e ratifico suas palavras, que o mesmo era zelador da paz segurança na cidade do Crato.

    Bela homenagem.

    João MENDES Filho

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  4. Como todo personagem e bem típico que é o meu pai.
    Com certeza esteve no imaginário de muitos, quer seja nas piadas engraçadas, ou simplesmente na imagem da velha guarda da instituição, de que não se fazem mais policiais como antigamente, o que seria vestia a farda. Lembro do fato em que amarou o preso em uma arvore de algaroba em Ponta da Serra, pelo fato de não ter cela na possível delegacia, o que lhe rendeu matéria na revista Veja.
    Obrigado pelas palavras sinceras João Mendes, Cloud e meu grande fraterno amigo
    DMendonça.

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  5. Bernardo,

    Como nuvens que se espalham em todos os lugares ou neblinas que nos envolvem, os mitos se transportam através de pessoas de uma época para outra. Os mitos transpõem eras e como santos do candomblé encarnam em certas pessoas por algumas características delas. Já ouvi como sendo de tantos, em momentos diferentes e lugares distintos, histórias que aí no Crato se diziam, por exemplo, de seu Mizael. Até uma filha andou se queixando disso. Quem sabe o apanhado de um Câmara Cascudo, de Sílvio Romero ou Leonardo Mota uma vez escrito se multiplicou como valor inerente destes vastos sertões nordestinos. Veja você que de meu tempo, portanto anterior, a mesma história que você acaba de contar, já ouvira como sendo do Cabo Moraes, que bem conheci na cidade. O belíssimo é que mesmo sem citar isso você já havia descoberto fundamentos muito mais sólidos do verdadeiro personagem, como traduziste o pai. E não são tantas as pessoas que assim falam dos pais. Pelo menos com sinceridade intensa e muito bem escrita. Aliás não sei se por mote próprio ou de tanto ler o Saramago, algo dos longos períodos e de vírgulas como respiração, existe nela.

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  6. Prezado Wilson, tive o prazer de lhe conhecer mais de perto no velho comitê de campanha da Santos Dumont,quando alguém tocava e você cantava músicas do João Bosco. Por isso ainda hoje lhe trato por João Bosco.
    Quero te parabenizar pela homenagem ao seu pai e lhe garantir que durante o tempo em que esteve destacado aquí em Ponta da Serra, nunca vi falar que ele viesse a destratar ninguém.
    Um forte abraço para você e pro seu pai.

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  7. Obrigado Toinho da ponta de serra, tenho certeza do que tu falas, quando criança
    Costumava muito ir e dormir na delegacia deste distrito era uma aventura me parecia assim uma cidade bem distante. Seu Zé do Vale Cariri realmente Morais era outro militar da velha guarda, que também tem suas historias pitorescas e que foram também atribuídas ao meu pai. Quando meu pai passou a arbitrar partidas de futebol,relatam que certa vez ao marcar uma penalidade,o time se recusou a chutar em gol,coisa que ele mesmo resolveu o próprio,o juiz chutou em gol.

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  8. Wilson,

    Cabo Toureiro estava na minha lista para ser homenageado com uma matéria da série Tipos Populares do Crato. Mas, você, com maestria e muita emoção, o fez primeiramente. Não poderia ter sido melhor e mais conveniente, pois foi um tipo popular, o poeta, falando de outro tipo popular, o pitoresco policial, com o feliz "agravante" de ser o filho prestando tributo ao pai.

    Parabéns!

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