24 junho 2009

Tipos populares do Crato (6)

Maestro Azul

Por Carlos Rafael Dias

Maestro azul é muito mais do que o nome de um dos mais importantes tipos populares do Crato. É um título nobiliárquico, como devem ser os nomes dos verdadeiros mestres da música, a exemplo de Telonius Monk e B.B. King.

Maestro Azul pintou o seu mundo com todas as cores, do preto, cor de sua pele, ao branco, da farda de gala da banda Municipal do Crato, do qual foi um dos mais expressivos regentes. Não era apenas um condutor, mas também compositor. Pena que nada ficou registrado de sua obra.

Natural de Jardim, terra de músicos, como Zé Menezes e Manel D’Jadim, Maestro Azul, no entanto, encarnou mais do que ninguém a mais pura e legítima cratensidade.

Lembro dele em várias ocasiões: como maestro da Banda de Música do SESI Crato, em inúmeras e inesquecíveis retretas ou solenidades, à frente da Banda Municipal do Crato, ou simplesmente no cotidiano gerenciamento do seu bar, localizado na Praça Juarez Távora, em frente à Igreja de São Vicente, no centro do Crato.

O poeta Geraldo Urano contou-me um episódio inusitado que envolveu o Maestro Azul e o laureado instrumentista carioca Paulo Moura. Este passava, anônima e descompromissadamente, um final de semana no Crato, por volta do início da década de 1980. Geraldo fazia-lhe companhia, ciceroneando-lhe pelos recantos do município. Foram tomar banho na Nascente e depois foram beber umas cachaças no bar do Maestro Azul. Lá os dois músicos fizeram uma jam session, Paulo Moura no clarinete e Maestro Azul no saxofone. Rolou um impagável repertório de chorinhos e gafieiras.

Um comentário:

  1. Salve, grande Maestro Azul, meu colega de profissão, que um dia conheci com aquele andar todo estranho que ele tinha, de um lado para o outro, soprando o seu saxofone, numa lentidão descompassada com a música que tocava, pois as notas musicais passavam a mil por hora, num espetáculo à parte...

    Salve, Carlos Rafael por essa mais do que feliz iniciativa, que eu já havia proposto a Socorro Moreira, mas que ainda nao havia dado certo fazer.

    Dihelson Mendonça

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