22 junho 2009

O milagre do “engodo” continuado ( II ) – Por: José Nilton Mariano Saraiva

A hipocrisia reina, absoluta, soberana e inconteste, sempre que nos dispomos a tratar do pretenso bairrismo imiscuído no tratamento da conflituosa relação Crato X Juazeiro. Pessoas, físicas ou representativas institucionalmente de determinadas organizações (associações de classes, poder municipal, clubes de serviço, etc) que, “em off”, sempre apresentaram um determinado posicionamento e até capazes foram de formalizar seu irrestrito apoio à causa cratense, ao subscreverem um alentado e caudaloso documento encaminhado à Presidência da República tratando sobre a localização do campus da UFC, no Cariri, agora, não mais que de repente, quando chamadas a se manifestarem publicamente, aparecem, escorregadias, com um outro discurso, um outro enfoque, uma outra postura, ao verbalizarem (falsamente) a ponderação de um magistrado e/ou ao sugerirem a adoção incontinente de ações próprias de autênticos bombeiros a debaterem e debelarem o perigoso fogo da vaidade humana (quando, na verdade, mais o incensam, sub-repticiamente, à falta de um extintor apropriado). Como, verdadeiramente, têm por objetivo apenas e tão somente “aparecem bem na foto”, tudo não passa de balela, uma imensa e grotesca farsa.

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Não é preciso que elenquemos aqui a série de benefícios e dividendos que representa a instalação de um campus universitário federal em uma determinada localidade ou o seu fabuloso poder de alavancagem desenvolvimentista, para que se compreenda a verdadeira dimensão e a grandiosidade da humilhante e espetacular “rasteira” da qual os cratenses fomos vítimas, recentemente, naquela que se constituiu uma dolorosa tragédia e irreparável injustiça para com o município outrora denominado, por óbvias razões, “capital da cultura” do interior cearense.
É que, agindo de forma sorrateira e certamente que desonesta, tramando entre quatro paredes e presumivelmente na calada da noite, usando e abusando de imorais e abjetas manobras políticas (e todos nós sabemos que, comprovadamente, elas aconteceram, sim), as autoridades e políticos juazeirenses conseguiram a inimaginável proeza de “desviar” o destino do campus regional da UFC, do Crato para Juazeiro, apesar da tradição cultural da terra de Bárbara de Alencar e da comprovada oferta de melhores condições técnicas e físicas que disponibilizamos para recepcionar tal projeto, contrastando com a nenhuma tradição da cidade de Juazeiro, em tal mister, e da sua inferioridade técnica (e, até parece que por castigo, ainda temos de suportar a insossa e monocórdia pregação dos que, demagogicamente, têm a coragem de difundir e alardear que a população e autoridades "cicerianas" não se preocupam com o Crato e com o que por lá acontece; imaginem, se se preocupassem, como seria).
E, no entanto, o certo é que, meses depois desse verdadeiro crime, o responsável direto pela perpetração de tão duro e baixo golpe contra o Crato (que poderíamos também rotular apropriadamente de “sacanagem” explícita), agora, na condição de secretário de estado, esteve e foi recebido na cidade com pompa, circunstância, tapete vermelho e um lauto banquete ofertado pelas suas autoridades constituídas. Um autêntico luxo, diriam os colunistas sociais de plantão; de nossa parte, preferimos rotulá-la como sarcasmo puro e explícito, completa falta de vergonha na cara.
De outra parte, dado o nível dos que freqüentam o blog, não se torna necessário que esmiucemos ou explicitemos aqui o que representa a instalação de um “hospital regional” numa determinada comunidade, com toda a sua imensa mega-estrutura, sua manutenção permanente, o fluxo contínuo de pessoas e o surgimento de milhares de empregos a movimentarem e imprimirem dinamicamente a economia, advindo daí a conseqüente elasticidade da difusão do seu alcance em termos de prestígio e de alocação de recursos, para que tomemos conhecimento do portentoso estrago e do incomensurável abalo que isso representa em termos de esvaziamento das cidades satélites, ao seu entorno; e, novamente aqui, Juazeiro foi a “escolhida dos deuses”, imposta de cima prá baixo, nos enfiada, secamente, sem dó nem piedade, goela adentro, sem qualquer plausível explicação, devendo recepcionar, dentro de mais alguns meses, mais esse benefício e respectivos desdobramentos.
E, de novo, por mais incrível e paradoxal que possa parecer e para surpresa de todos nós, o sofrível e despreparado governador do estado, quando se lembra que o Crato existe e por lá aparece, é efusiva e festivamente saudado por gregos e troianos como “amigo do Crato” e benfeitor da cidade, chegando a ser recomendado como merecedor do sufrágio dos seus habitantes. Desfaçatez em estado pleno, latente, sem igual !!!
Com apenas esses dois simplórios exemplos (existem dezenas, que o espaço certamente não comportaria), o que pretendemos demonstrar aqui é que, a partir de um certo momento que poderia se ter constituído marcante na história do Estado do Ceará, o governo propagou e alardeou aos quatro ventos a necessidade de priorização de uma tal “interiorização do desenvolvimento”, que consistiria em descentralizar a atividade produtiva e econômica através da implementação de projetos estruturantes geradores de emprego e renda, capazes, inclusive, de impedir o secular e recorrente êxodo rural, e, por consequência, protagonizando a tão sonhada e necessária fixação do homem à terra natal.
Só que, mais uma vez, acabamos por perder o bonde da história, quando constatado ficou que tal projeto, no nascedouro, incompreensivelmente se nos apresentava manco, debilitado e desprovido da seriedade e da credibilidade exigidas, já que apenas Sobral, ao norte, e Juazeiro, ao sul, foram e são receptores das benesses governamentais de médio e grande porte (apesar dos insistentes desmentidos por parte dos áulicos de plantão); às demais cidades, inclusive o Crato, apenas migalhas, resíduos, agrados, sobras, mimos fúteis e inconseqüentes; a equanimidade, tão difundida e alardeada como necessária ao equilíbrio sustentado do Estado, passou ao largo, lamentavelmente. E longe, muito longe do que se propunha.
E assim, tal qual já acontecera na origem, lá na fase crepuscular do século XIX com o blefe do pretenso “milagre da hóstia”, presentemente, em plena aurora do século XXI o engodo continua, de forma sistemática e aviltante. Contando, para tanto, com a inestimável contribuição e o peso decisivo do “componente político”.
Mas, isso é uma outra história, uma outra realidade, a ser abordada posteriormente.

Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva


3 comentários:

  1. Eu particularmente acho que herdei dos antigos homens cratenses uma verdadeira ojeriza pelo Juazeiro,cidade que para mim é uma das mais feias e desorganizadas que ja conheci.E como cratense carrego um velho orgulho de que por mais que se faça pelo Juazeiro,esta nunca será uma cidade mas bonita que o Crato.Tenho dito

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  2. Queria pedir desculpas aos meus amigos de Juazeiro pelo comentário de ontem.Na verdade,nada tenho contra o povo de Juazeiro.Quanto a cidade,mantenho meus comentários.

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  3. eh verdade caro orlando, quanto mais se arruma, e explora os pobres dos romeiros, quanto mais se tira do crato, tanta ganancia,e cada vez mais feia, eh como mulher feia no cabelereiro, se arruma toda, mas de nada adianta.

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