19 junho 2009


Acima: Foto de Amadeu de Freitas

O CRATO E A REGIÃO METROPOLITANA DO CARIRI


Em texto publicado neste blog, Dihelson Mendonça analisa a situação do Município do Crato diante da recém-criada Região Metropolitana do Cariri e aponta este fato como o fechamento de um ciclo que consolida Juazeiro do Norte como cidade-polo. Apesar de relembrar velhas queixas do tipo “Crato perdeu tudo para Juazeiro”, ele levanta um debate que considero fundamental para que o Crato não fique para trás na corrida do desenvolvimento regional, pois é chegada a hora de a comunidade pensar seu projeto de cidade.

Para começar, acho que o povo do Crato e suas lideranças precisam superar o preconceito com Juazeiro do Norte e deixar de ver nosso vizinho como uma “ameaça próxima” ou “um perigo que o ronda”. Devemos conhecer os projetos regionais, suas oportunidades e negociar com seus agentes (Governo do Estado, Governo Federal e iniciativa privada) os benefícios que o Crato terá. Porém, para que o Crato possa obter maiores ganhos por dentro do projeto regional, é imprescindível definir seu projeto de desenvolvimento local.

Cada cidade ou município da região, mantendo a identidade regional, terá seu projeto com a vocação e potencialidades que lhes são característicos. Assim, não haverá necessidade de uma disputa sem ética pelos investimentos que são necessários para todos. Esse é o sentido de pensar o desenvolvimento de uma região ou território. Sim, pois creio que estamos falando de um desenvolvimento sustentável social e ambientalmente. Neste sentido, Dihelson lança os paradigmas desse projeto ao propor “novo modelo de desenvolvimento” e ao defender um crescimento com “qualidade de vida”.

A criação da Região Metropolitana do Cariri, antes de ser uma medida para beneficiar determinado município, é uma oportunidade que se abre para quem tem capacidade de dialogar, de trabalhar parcerias e de democratizar as relações de poder. Aqui entra a participação da população cratense, também proposta por Dihelson, na discussão do projeto para o Crato. Como esta não é a primeira vez que alguém propõe a mobilização da sociedade em nome do Crato, creio que delegar a tarefa de coordenar os trabalhos deste projeto a uma instituição pública como a URCA é um bom começo. Não que eu seja ingênuo ao ponto de imaginar que a URCA é um ente apolítico, mas trata-se de uma instituição que não encarna a figura de um candidato ao próximo cargo em disputa.

Caso queiramos mesmo preparar o Crato – não no intuito de superar Juazeiro, mas para, junto com ele e com os demais municípios da região, realizar o desenvolvimento que beneficie a população com geração de emprego e distribuição de renda –, faz-se necessário transformar essa ideia em um projeto de todos e não em um projeto de um governo. Desta forma, o chamamento para participação de todos na construção do projeto não comporta o discurso do voto. O eleitor vai votar nos candidatos que demonstrarem compromisso com o projeto de cidade, à medida que ele (o eleitor) se sinta parte desse projeto.

Por último, quero declarar minha convicção em apoiar esta ideia, na medida em que ela seja capaz de se constituir em uma proposta que realmente realce os potenciais econômicos, culturais e históricos do município e declare que deseja construir um desenvolvimento com qualidade de vida para toda a população como diferencial. Como ponto de partida, talvez tenhamos de convencer nossos irmãos de Ponta da Serra a somar-se nesse projeto, pois, do contrário, com a emancipação daquele distrito, perderíamos grande parte do nosso potencial agrícola, atividade que poderá ser um dos nossos diferenciais no projeto regional. Como sugestão, proponho a realização de um primeiro encontro com lideranças políticas, comunitárias, empresariais e de instituições governamentais e não governamentais para, a princípio, debatermos a ideia da construção do nosso projeto de cidade, convocado pelo Blog do Crato. O desafio está lançado.

Amadeu de Freitas.

5 comentários:

  1. Bom, então comecemos com "mediocridades" nesse debate, perdoe-mem se soa chato, insignificante, bairrista(coisa que não se pretende com essa indagação que se segue):

    porque diabos nenhuma autoridade constituida desta cidade do Crato ou outras afins não se manisfestam contrárias À TRANSFERÊNCIA NO NÚCLEO DO CVTEC para Juazeiro do Norte? Qual o motivo do silêncio? É impotência? Vou perguntar isso aqui em todos os blogs que trazem esse assunto sobre bairrismo versus desenvolvimento.

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  2. prezado amigo amadeu desculpe discordar, mas esse papo de que o que eh bom para juazeiro eh bom para o crato, nao cola mais temos que ficar espertos, pois os os caras de lah, jah levaram quesa tudo do crato, so falta a diocese, a urca, eh que impossivel a serra do araripe. trocando em miudos so existe duas cidades polos do ceara.juazeiro et sobral, o resto eh migalha eleitoral. ah sim ia esquecendo estao tentando enfraquecer a expocrato, mas a populaçao reagiu, inclusive o sr. prefeito, e parece que nao colou. concordo com o aristides eh tudo na calada da noite. sds

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  3. Eu gostaria de cumprimentar aqui o Amadeu de Freitas, que atendeu à minha solicitação de convocarmos essa grande reunião a fim de discutir os rumos do desenvolvimento. O Blog do Crato e o Jornal Online Chapada do Araripe estão de braços abertos para acolher todas as iniciativas no sentido de que esse encontro seja realizado, inclusive com a filmagem integral, reportagens, destaques aos participantes... enfim, cobertura total.

    Vamos realizar esse evento, afinal de contas, o Crato precisa mais do que nunca decidir os seus rumos, e todos aqueles que estiverem engajados no desenvolvimento regional, devem participar, CDL, políticos, cidadãos, etc, enfim, toda a Sociedade que se preocupa com um Crato Feliz.

    Quem quiser me telefonar para combinarmos como seria isso, pode ligar para 088-3523-2272 ou envie seu número de telefone para nosso e-mail, a fim de que eu ligue a fim de combinarmos.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça
    Blog do Crato
    JORNAL CHAPADA DO ARARIPE

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  4. Aqueles que se arvoram em “novas lideranças cratenses”, necessitam urgentemente de uma sirene estridente para que acordem de um velho sonho. O sonho de que o Crato é um paraiso e que não precisa buscar nada. Ele por ele se basta. O mundo tem que ver o Crato como ele é. Leia-se...” Não é o Crato que está no mundo, o mundo é o Crato”...
    É necessário ao Crato, que os cratenses se convençam de que historias de sucesso, ou fracasso, são resultados de grandes e initerruptos trabalhos, de initrerruptas buscas e tentativas.
    Precisamos ter em mente que construímos a nossa história de forma diuturna. A nós cratenses cabe buscar oportunidades de sermos parte da máquina da história. Não basta esperar por ela.
    Sobre a discussão do nome da Região Metropolitana do Cariri, nos diz Amadeu que
    “ é uma oportunidade que se abre para quem tem capacidade de dialogar, de trabalhar parcerias e de democratizar as relações de poder”.
    Concordo plenamente. Mas alerto que a capacidade de dialogar, neste caso, alia-se ao grau de representatividade política que a cidade tem. Aqui vai o meu elogio ao deputado Ely Aguiar. Mas... onde andam os outros políticos da cidade?? E aqueles que foram votados no Crato?? E os votos de Ana Paula Cruz e Vasques Landim no Crato serviram pra quê???
    Acho mesmo que já passou a hora de discutirmos as nossas lideranças políticas. Tivemos a oportunidade de ter gente nova nesse meio. Mas... A cabeça dessas pessoas carregam idéia inovadoras??? Ou eles são novas fantasias de velhas idéias???
    ONDE ERRAMOS???????????????...
    ACOOOOOOORDA CRRAAAATTTOOOOOOOOO

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  5. Os comentários são uma forma de debatermos o tema. Ao debater com os comentaristas deste artigo, gostaria de enfatizar um aspecto que considero central: O Crato precisa de um projeto de cidade que seja construído com ampla participação da sua população, para que esta, sentindo-se parte deste projeto possa defendê-lo e, inclusive, escolher aqueles que possam representar os interesses inscritos no âmbito do projeto. É possível juntar pensamentos os mais diversos sobre economia, cultura, política, história e resultar em algo como desenvolvimento com equidade social e equilíbrio ambiental? É uma utopia. Talvez seja essa a discrensa de muitos quando se fala em reunir para planejar. Em uma coisa eu acredito: sem planejar em que setores nossa economia pode gerar empregos de qualidade, sem recuperar a degradação do meio ambiente e sem planeja a ocupação urbana, sem projetos ousados na área da educação, sem que tudo que for planejado tenha por objetivo um desenvolvimento que gere qualidade de vida o Crato será, em pouco tempo, uma cidade como qualquer outra que intagra uma metrópole. Essa é a reflexão que estamos fazendo. Não estou afirmando nenhuma verdade, tenho expressado crenças para o debate. Abraço fraterno aos debatedores.
    Amadeu de Freitas.

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