24 junho 2009

O "Componente Político" (III) - Por: José Nilton Mariano Saraiva

Séculos e séculos atrás, no territorialmente diminuto e inexpressivo solo grego, filósofos da estirpe de um Aristóteles, Sócrates, Platão e companhia já mostravam ao mundo o valor e a importância do “componente político” no desenvolvimento de uma comunidade, ao convocarem os mais diversos segmentos da população às ruas, objetivando cientificar-lhe da RESPONSABILIDADE que tinham em traçar e definir o seu próprio destino, via escolha, democrática e consciente, pelo voto soberano, daqueles concidadãos que fossem considerados aptos a dignamente representá-lo nas mais diversas instâncias do poder; não é sem razão, pois, que até hoje a pequenina Grécia, encravada na periferia do continente europeu, é reconhecida como o “berço da democracia” (ou da própria humanidade).
Empreendendo uma longa viagem no tempo, que nos possibilite o seu desaguadouro nos dias atuais, aportamos no Crato, sul do Ceará, onde constatamos, decepcionados e perplexos, que a sua população simplesmente parece não ter tomado consciência de tão imprescindíveis e sábios ensinamentos ou, se algum dia o fez, miopemente optou por considerá-los desnecessários, já que, na hora de traçar um norte, seguir um rumo, vislumbrar uma perspectiva futura para a cidade, IRRESPONSAVELMENTE decidiu-se pela fatal fragmentação ou pulverização dos seus votos entre centenas de candidatos, muitos não comprometidos com a urbe.
O retrato emblemático de tal dispersão ou alheamento pode ser observado através de algumas vertentes: 1) em termos de poder legislativo estadual, os seus 61.975 eleitores equivocadamente distinguiram ou agraciaram com seus sufrágios nada menos que inacreditáveis e absurdos 249 candidatos, representando uma votação média per-capita de minguados 248 votos, mas que, considerados fora do contexto meramente informativo, funcionaram decisivamente na totalização ou complementação da eleição de alguns alienígenas, em detrimento do concorrente local; 2) para a Câmara Federal, cerca de 114 candidatos mereceram a distinção e a preferência do cratense, numa média de 543 votos per-capita, merecendo destaque, lamentável e negativo, a impressionante e estupenda votação de 11.000 votos direcionada a um único candidato (Ciro Gomes, o papo furado) que, por não possuir nenhuma vinculação afetiva com o Crato, nunca nada fez pela cidade (além do que, verificou-se robusta votação em candidatos juazeirenses, que findou por minar qualquer possibilidade de sucesso de candidatos cratenses).
O resultado de tão tamanho descaso não poderia ser mais lamentável e catastrófico: apenas um único e solitário conterrâneo - cratense da gema, piquizeiro autêntico - conhecedor dos seus problemas, seus meandros, suas agruras, suas necessidades, conseguiu assento na Assembléia Legislativa, enquanto que em termos de Câmara Federal continuamos na orfandade absoluta, um zero à esquerda.
Evidentemente que tal comportamento (que se vem repetindo há décadas) teria que produzir conseqüências nefastas, frutos amargos, situações desagradáveis e o esvaziamento progressivo do Crato, consubstanciado na falta de representatividade política em termos de parlamento (estadual e federal), com sérios e imediatos reflexos na perspectiva de alocar recursos, traficar influência e atrair investimentos (até de grandes redes particulares), imprescindíveis ao desenvolvimento de qualquer cidade, em qualquer país, porquanto apenas os tributos municipais se mostram insuficientes para a alavancagem de qualquer gestão (e pensar que em pleno século XXI ainda temos segmentos que não consideram o "componente político" como um eficaz indutor desenvolvimentista).
Com relação à prefeitura municipal, depois de anos e anos de estagnação e acefalia, por conta da perigosa, despropositada e até certo ponto ingênua escolha de pessoas comprovadamente despreparadas tecnicamente, além de não possuidoras do competente espírito coletivo para gerir a coisa pública, surgem no horizonte tímidos sinais de mudança, uma tênue luz no fim do túnel, a sinalizar a entrada do Crato numa nova era, a correr célere sobre trilhos instalados em dormentes solidamente fincados .
Torçamos para que não haja regressão e, consequentemente, tenhamos de volta o necessário e imprescindível “giro da roda” (objeto de uma próxima postagem).

Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva


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