04 junho 2009

A Morte do Velho Padre

O velho Padre, que durante anos a fio tinha trabalhado fielmente e com afinco junto ao povo africano, na difusão da palavra do Senhor, voltara debilitado ao Brasil e, agora, doente e moribundo, internado no Hospital Geral de Brasília, é a notícia e manchete midiática da hora. Já nos últimos suspiros, ele faz um sinal à enfermeira, que se aproxima. - Sim, Padre? diz a enfermeira. - Eu queria ver quatro proeminentes políticos brasileiros, antes de partir, sussurrou o velho Padre. - Acalme-se, verei o que posso fazer, respondeu a enfermeira. De imediato, entra em contacto com o Congresso Nacional e logo recebe a notícia: todos, na condição de católicos, embora não praticantes, cancelaram os compromissos do dia, pois faziam absoluta questão de visitar o velho Padre, moribundo. A caminho do Hospital, na ampla limusine de um deles, Jader Barbalho diz prá Renan Calheiros, José Agripino e Arthur Virgílio: - Eu não sei porque é que o velho Padre nos quer ver, mas certamente, dado o seu prestígio internacional e sua popularidade junto aos pobres deste país, isso vai ajudar, e muito, a melhorar a nossa imagem perante a Igreja e ao próprio povo e repercutir internacionalmente, o que é sempre bom. Todos os demais concordaram: realmente, ali estava uma grande oportunidade para eles aparecerem e, tanto é verdade, que até fora enviado um comunicado oficial urgente à imprensa, detalhando a hora e o local da visita. Quando ao quarto chegaram os quatro, com toda a mídia presente (rádios, jornais, TV, Internet, etc), o velho Padre pediu-lhes para dele se acercarem e, pegando nas mãos de Jader Barbalho e Arthur Virgílio, com a sua mão direita, e nas mãos de Renan Calheiros e José Agripíno, com a sua mão esquerda, agradeceu-lhes aquele gesto magnânimo e cristão. Houve um respeitoso silêncio, enquanto câmaras foram estrategicamente direcionadas aos cinco, já que repórteres televisivos transmitiriam ao vivo e a cores, para todo o país, aquele grave momento; para tanto, aproximaram seus sensíveis microfones para captar aquelas que seriam as últimas palavras daquele santo homem, que estranhamente apresentava-se com um ar de pureza e serenidade no semblante. Renan Calheiros, na condição de porta-voz dos demais (fazendo pose para as câmaras e imprimindo a devida empostação na voz), disse então: Padre, porque é que fomos nós – eu, Jader, Arthur e Agripino - os escolhidos, entre tantas pessoas ilustres das que compõem o nosso glorioso Congresso Nacional, para estar ao seu lado, neste momento tão especial ? O velho Padre, com um sorriso angelical no rosto, serenamente afirmou: -Meus filhos, sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo e seguir à risca, o "Pai Celeste", Nosso Senhor Jesus Cristo. -Amém, sussurraram, contritos, os quatro, em uníssono.
E aí, o velho Padre fuzilou:-“ENTÃO...COMO “ÊLE” MORREU ENTRE LADRÕES, EU QUERIA FAZER O MESMO !!!”
Ato seguinte, "bateu as botas"...com um sorriso no rosto.

Autor: Desconhecido - Postagem: José Nilton Mariano Saraiva



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