04 junho 2009

A expansão Espacial do CRAJUBAR

Instigado por nosso moderador e incentivador Dihelson, resolvi elaborar este pequeno texto que sintetiza um pouco a temática mais polêmica em discussão: A REGIÃO METROLPOLITANA DO CARIRI.

Usarei a didática dos 03 pontos. Vamos a eles.

1º - Da cidade à metrópole
A cidade, que antigamente era defendida e limitada por muralhas, é hoje um conjunto gigantesco que ocupa um espaço cada vez maior. É por essa razão que os estatísticos, economistas, paisagísticas e geógrafos preferem empregar o termo metrópole para designar centros urbanos que polarizam várias cidades. Esta cidade que ainda não é o Juazeiro a meu ver, pois a mesma sozinha não exerce esta polarização, e sim as três cidades juntas, desde que forma CONURBADA, pois a Região Metropolitana que nasce de uma conurbação, representa um tipo específico de aglomeração onde existem vários centros urbanos importantes, como Crato, Barbalha e Juazeiro, onde os seus subúrbios se encontram e se justapõem. O conjunto forma um espaço urbanizado quase contínuo, atingindo centenas de quilômetros, e exercendo forte atração à população de outras cidades pela excelência de seus serviços, quando vistos de forma integrada, como por exemplo tendo o maior complexo COMERCIAL, EDUCACIONAL, TURÍSTICO e de SAÚDE, num raio de 400 Km.

2º - Da metrópole à conurbação
A metrópole, à medida que se prolonga para além de seu perímetro, absorve outras cidades que até então possuíam uma vida autônoma. É ai que temos que ter cuidado, pois neste processo vêm a necessidade de se estabelecer, taxas, tarifas e impostos comuns, e quem será o parâmetro, serão os valores dos moradores da Lagoa Seca, ou do Alto da Penha? Há ainda espaços rurais situados próximos as metrópoles, onde os moradores conservam atividades agrícolas e um estilo de vida com valores e hábitos muito rurais. Como calcular o impacto a estes povos? Se observarmos entre o Crato e Juazeiro a especulação imobiliária já é muito grande, cheio de terrenos de engorda, será que vamos assistir o que aconteceu com a Lagoa Seca em Juazeiro, será que os mesmos políticos da época não estão de olho nessas terras de valor rural da nova Região Metropolitana em formação, onde os mesmos já sabem onde irão estar as grandes obras de infra-estrutura, e por isso mesmo já planeiam, rasgam solo, derrubam mata, para especular posteriormente.
Conurbação não pode levar a homogeneização urbana! A morfologia e a paisagem de uma cidade apresentam marcas da história, da cultura, da economia, e dos princípios urbanísticos de todas as gerações humanas que a habitaram. É por isso que toda cidade é singular, possui uma identidade própria. O Crato tem 245 anos de história, Barbalha tem 133 e o Juazeiro do Norte vai completar 100 anos, não adianta cada uma têm e terão, mesmo que conurbadas como já são suas particularidades.

3º - Urbanização Caótica
O principal problema de uma Metropolização que evolui segundo as leis de mercado, como é o caso do CRAJUBAR, é que o rápido crescimento não é acompanhado por um desenvolvimento econômico elevado. O resultado é este que estamos vivendo as cidades do Juazeiro do Norte e Crato, hoje são hipertrofiadas, porque precisam absorver não apenas um crescimento vegetativo alto, mas também receber a cada ano, um grande afluxo de habitantes vindos de áreas rurais e de cidades circunvizinhas, atraídos pelos alardes de propagandas enganosas, como as que vivemos durante o desgoverno de Tasso, quando o mesmo disse que ia industrializar o Cariri, resultado uma indústria veio para o Crato a GRENDENE, isso meso UMA, mas a quantidade de problemas que vieram para a cidade não conseguimos mensurar neste pequeno texto.
Ora pessoal estamos cansados de saber e vivenciar que esta urbanização rápida não resulta de um longo processo de acumulação de riquezas, mas sim de miséria e descaso como o Cariri. A indústria e setor terciário não são suficientemente desenvolvidos para oferecer empregos aos que estão aqui, quanto mais aos novos que virão na esperança de melhorar de vida. Dessa maneira, grande parte da população economicamente ativa se volta para uma economia informal que proporciona baixos rendimentos, amenizando muito pouco o significativo desemprego urbano.
O que precisamos é exigir dos nossos representantes que exponham para a sociedade caririense a íntegra do Plano e Uso e Ocupação do Solo da Região Metropolitana do Cariri, pois só assim poderemos opinar de forma mais direta e precisa sobre o CRAJUBAR, se de fato isso é uma tentativa de buscar a racionalidade em termos da organização, da funcionalidade e dos fluxos de nossa RM, onde esperamos que levem em conta o direito ao espaço dos diferentes grupos sociais.
Colegas, espero que este rascunho de texto, possa contribuir para o debate sobre a RM, que é um assunto como já disse antes bastante complexo.

Saudações Geográficas!
João Ludgero
Geógrafo
Especialista em Geopolítica e Direito Ambiental

5 comentários:

  1. Eu quero parabenizar o Professor João Ludgero por essa brilhante explanação à luz da Geografia de um assunto tão pertinente e necessário, que é o conceito de Região Metropolitana. Com certeza, esse texto será uma fonte de pesquisa para mim, e para muitos, pois a coisa toda precisa ser avaliada acima do conceito dos leigos.

    Leigos tem opiniões.
    Conhecedores têm idéias, como já dizia Sócrates ( o filósofo ).

    Um grande abraço,

    Dihelson Mendonça

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  2. Ludgero,
    Parabéns, cara !!! Você mostrou, provou e comprovou que é do ramo e entende do riscado. Assim, é claro que o seu "rascunho" (???) há de ser considerado por quem quiser entender algo sobre o processo em andamento.
    O que poderíamos questionar, objetivando tão única e exclusivamente estimular o debate (e tomara que não venham com insinuações malévolas), seria:
    a) sua afirmação de que Juazeiro não exerce, ainda, qualquer polarização na região (é só observar os números – ICMS, FPM, Previdência, Bolsa Família e outros para se constatar que Juazeiro leva vantagem, disparado, em todos os itens, e faz tempo; (como mudar isso ???)
    b) diferentemente do exposto, ainda não existe a tal da
    “conurbação” - EM SEU ASPECTO "LATO SENSU" - como você chega a sugerir e seria não só desejável, mas imprescindível, porquanto esta teria que contemplar não só o componente físico-territorial (este, sim, em lento, porém contínuo processo de formação) como, também, a questão ambiental (pouquíssimo ventilada), o aspecto social (a ocupação ordenada de um contingente populacional de peso, por parte de indivíduos oriundos do campo e de cidade menores (hoje, o que existe é a "favelização” periférica, e consequente surgimento da criminalidade desenfreada);
    c) queiramos ou não, já há a escolha e polarização definitiva, em uma só comunidade (Juazeiro) por parte dos agentes produtivos que fazem a roda girar, quer da iniciativa privada, como, também, governamental, daí o progressivo esvaziamento das cidades circunvizinhas; como reverter o quadro ???
    d) procede seu comentário a propósito do "perigo" de absorção das cidades menores por parte daquela que há de ser guindada à condição de liderança do complexo em formação (que todos já sabemos ser Juazeiro), já que no simples ato do “batizado” da Região Metropolitana, tivemos o escancaramento ou explicitude da vontade governamental, com os deputados servis, que funcionam como caixa de ressonância do sistema, armando um autentico circo em pleno recinto da assembléia, querendo impor no grito a denominação previamente escolhida;
    e) procede sua sugestão de que o melhor a fazer é se aguardar o tal “Plano de Uso e Ocupação do Solo”, da Região Metropolitana do Cariri, a fim de se poder emitir uma opinião mais abalizada a respeito.
    Receba, pois, mais uma vez, sinceros parabéns pela “aula” disponibilizada virtualmente.
    E vamos esperar que os demais frequentadores do blog se disponham ao debate de assunto tão importante.

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  3. Amigos José Nilton e Dhielson, primeiro quero agradecer pelos elogios por este modesto texto. Ao mesmo tempo esclareço que o que Zé Nilton coloca é a pura verdade quando se trata dos números em relação ao Juazeiro, mas reforço que o Juazeiro sozinho não teria o poder de polarização que o CRAJUBAR têm hoje. Antes quando se falava em comércio era só o do Juazeiro, antes quando se falava de educação só existia no Crato, e pensar em saúde a referência era Barbalha. Hoje como as coisas estão? O comércio do Crato é ainda menor, mas só vamos ao Juazeiro se quisermos comprar no atacado e produtos grosseiros. Hoje já temos aqui Zenir, Macavi, Insinuante, Americanas, São Luis etc., quem precisava comprar uma TV, um DVD, um Rádio, vindo do Pernambuco pelo Exu, ou Campos Sales, Nova Olinda passavam para o Juazeiro, hoje não passam mais. Essas Lojas estão indo pra Barbalha, olhe que o Juazeiro está ficando ilhada. Hoje não há tantas disparidades na Educação e Saúde entre as três cidades, digo isso pelo fato da equipe de médicos e professores ser praticamente a mesma, algumas têm destaque na saúde como, Juazeiro (fraturas), Barbalha (oncologia) Crato (rins), e por ai vai. Reforço as três juntas exercem uma grande polarização, a gora é incontestável o Juazeiro só têm 99 anos, porém têm mais de 250 mil moradores e uma população flutuante de mais de 1 milhão de consumidores ano, talvez daí venha também juntamente com arrecadações recordes, o Juazeiro ser líder também na favelização e na criminalidade desenfreada, que infelizmente hoje Zé Nilton a mesma esta exportando para o Crato.

    Saudações Geográficas!
    João Ludgero

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  4. Ludgero
    (só prá "estimular" o debate)

    A amadorística simplificação do processo conurbatório imaginado por determinados pessoas ou segmentos sociais (como se fora,
    “stricto senso”, uma mera junção físico-territorial de duas cidades), peca por absoluta inconsistência, já que perigosamente desprezando o componente “econômico-financeiro”.
    Assim, o "xis" da questão não é apenas o "ter" mas, sim, também o "manter". As lojas por você citadas (no comentário acima), todos sabemos, têm uma pesada estrutura de "custos" (fixos e variáveis), que deverão ser cobertos integralmente pela variável "venda" (que também será responsável por uma certa
    “reposição de estoque”); só que essa tal “venda”, umbilicalmente depende de um determinado “mercado consumidor”; entretanto, para aí se inserir e passar a consumir, o indivíduo necessitará de "renda", que, por sua vez, só pintará no pedaço, de houver "emprego".
    Se apenas uma localidade recebe todo tipo de investimento, tanto da iniciativa privada, como da área governamental, contemplando os mais diversos segmentos econômicos (como vem acontecendo atualmente), a tendência natural é que os “alienígenas” não sejam contemplados pelos empregos daí resultantes, já que, até por uma questão de praticidade, as vagas surgidas atenderão a uma demanda insatisfeita, naquela localidade.
    Tão simplória definição é o que cognominamos de o “giro da roda” (que gera o desenvolvimento) e que vimos citando em nossas postagens na tentativa de estimular o debate.
    Precisamos entender e exigir uma conurbação em termos “lato senso” (contempladora de benesses para todos os integrantes de uma tal Região Metropolitana) e não encará-la sob a ótica do romantismo, da alienação, da inevitabilidade conformista (como alguns pensam).
    Saiamos da acomodação, do marasmo, da estagnação.

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  5. No nosso último comentário (logo aí, acima), considere-se e leia-se as expressões "stricto sensu" e
    "lato sensu" e não como foi erroneamente grifado (stricto sensO e lato sensO).

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