22 maio 2009

OS RISCOS DE UMA PANDEMIA - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Não se tome a contabilidade de mortes e adoecidos por qualquer doença para valorizar ou não um pandemia de influenza. Mesmo no caso desta gripe suína. Uma pandemia de influenza é séria, desestrutura o tecido social, os serviços em geral e particularmente os serviços de saúde. Leva economias à ruina e desfalca a estrutura familiar. Por isso, em que pese eventuais interesses cruzados, como os de fabricantes de medicamentos, não tem sentido esta tendência atual de se minimizar um vírus da influenza que só no México internou 10% dos doentes e teve uma taxa de letalidade muito alta.

Um quadro como este, por exemplo, no Brasil talvez implicasse em milhões de internações novas, acrescidas a um sistema de leitos já de todo ocupado pelos males atuais. Regiões turísticas inteiras parariam suas atividades econômicas. O dinamismo de circulação de todos os tipos de agentes entre cidades e regiões e estados, cessaria. Viagens para o exterior seriam afetadas, tanto daqui para lá como de lá para cá. As escolas parariam, até mesmo os equipamentos de cultura que dependem de platéias seriam afetados.

Uma pandemia mantém um estágio de risco alto durante meses e isso é uma afetação extrema de uma sociedade já pobre e que sofreria ainda mais com os efeitos da crise econômica mundial. Portanto, mobilize-se a sociedade, as autoridades públicas e vamos manter o alerta no nível em que se encontra por recomendação da OMS. Só para lembrar, claro que na Europa havia uma guerra generalizada, mas a pandemia da Espanhola durou praticamente três anos, começa em 1918 no meio oeste americano e arrasa a Europa em 1919.

José do Vale Pinheiro Feitosa

2 comentários:

  1. Axho que o mais importante do seu post é mostrar que, por mais que o brasileiro adore fazer piadas e ridicularizar qualquer assunto ou pessoa, essa gripe é séria. claro que esperamos que os índices de morte e de contágio não saiam do controle das autoridades médicas. Mais: que estacionem e desapareçam os casos. Mas isso não parece ser o que vai acontecer.

    Por isso, acho que o pessoal tem que ter consciência e cuidado. Seguir as recomendações do governo - que tem sido exemplar desde que foram descobertos os primeiros casos- e ter a noção de até onde pode ir esse H1N1. A OMS já alertou várias vezes que o vírus tem sintomas mais fortes e mais facilidade de ser transmitido entre as pessoas.

    Mas, por outro lado, acho que o mundo reagiu prontamente, o que pode ter sido fundamental para poupar incontáveis vidas do sofrimento com o tratamento ou mesmo da perda de familiares.

    Em matéria de alerta e pesquisa, show dos cientistas. Em matéria de seriedade, zero pra maioria dos brasileiros, que adoram fazer o papel do Johnny Bravo ou de qualquer valentão famoso. O pessoal tem que perceber os esforços da comunidade científica e aderir em vez de ficar só criticando e fazendo piadinhas com os 3 porquinhos, com charges e outras tantos spams que a gente recebe nessas épocas...

    Não custa lembrar que os cuidados são tão básicos que, tenho certeza, todos aprenderam nas aulas de alfabetização.

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