31 maio 2009

Crônica de Domingo - Dia 31 de Maio - Roberto Jamacaru


Rapadura Cultural

Há algum tempo a cultura cratense vem sendo agraciada e enriquecida por um movimento de extrema grandeza dirigido pela figura do eminente professor Jorge Carvalho – o JORJÃO. Vindo de uma família onde o culto às reminiscências culturais de nossa terra sempre foi sinônimo de bom exemplo (citamos os tios: Osvaldo Alves de Sousa e José Newton Alves de Sousa), o Jorge, com sua experiência iniciada nos estúdios da Rádio Araripe, desde então atua em nosso meio como grande articulador das nossas tradições. É por demais comum vê-lo por toda parte da cidade praticando as ações de panfletagem de nossos registros culturais, usando o espaço da mídia para divulgar nosso esporte, e, no ápice de sua criatividade, exercendo o comando do famoso programa de rua denominado de o “RAPADURA CULTURAL.”.

Neste último registro, cometido de forma itinerante pelos recantos da cidade, o Jorge, munido tão somente de um simples microfone e uma surrada caixa de som, promove a cultura cratense dando aos artistas, cidadãos comuns e personalidades em geral, voz e vez além de condecorá-las com medalhas de Honra ao Mérito pelo que têm feito em prol da comunidade cratense. Muitas dessas pessoas são valores que têm prestado significantes serviços à comunidade, mas que, infelizmente, vivem à margem dos reconhecimentos condecorativos, fatos estes direcionados tão somente em favor de meia dúzia de nomes latentes nas mentes dos que fazem a crítica da cidadania e intelectualidade cratense. Coube ao Jorge esse papel de resgate e louvação dos desvalidos para colocá-los nos seus devidos lugares de personalidades importantes da comuna.
Na pauta do RAPADURA já se fez ouvir, por exemplo, os aboios dos vaqueiros, a voz do seresteiro, as sonâncias dos corais, as versatilidades do instrumentistas, o solo do cantor, os acordes de todos os tipos de bandas, inclusive a de pífanos; os gritos de protestos, a invencionice do artista de rua; a piada do humorista e as danças do reisado e do pastoril. Jorge já condecorou a dona de casa, o comerciante tradicional, o vendedor ambulante, o engraxate mais antigo; o barbeiro, o jornaleiro, o mestre de obra, enfim, toda a representatividade dos que têm feito o engrandecimento de nossa cidade de forma desinteressada e anônima.

Fez muito mais: abriu espaço para os lançamentos das obras literárias, para a voz acadêmica dos alunos e professores das Universidades, para o debate histórico, para a amostragem das artes esculturais e de imagens, enfim para o grito, o choro e o riso de todas as tendências culturais da sociedade que se dispusesse a mostrar suas criatividades e verdades nesse espaço. Registre-se aqui que a alegria desse programa conta sempre com a participação hilariante da famosíssima dançarina conhecida como a RAPADURETE. Mesmo em meio à crítica e à dificuldade estrutural, uma vez por mês Jorge continua realizando esse seu show cultural, garimpando recursos de até um real (muitas vezes negado por muitos), para montar esse seu pequeno grande circo.

Na sua base, essa obra prima denominada de RAPADURA CULTURAL, é constituída de empenho, ousadia, desprendimento, alegria, criatividade, verdade, ecléticas manifestações e, acima de tudo, de muita simplicidade. Parabéns, destemido JORJÃO, o Crato, envaidecido e enriquecido, agradece essa sua nobre iniciativa!

Por: Roberto Jamacaru


3 comentários:

  1. Prezado Roberto

    Muito justa e merecida essa homenagem a Jorge Carvalho! Parabéns pelo brilhante texto.

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  2. Pois é, justa homenagem! Tenho foto do Jorge, pena não saber que ia publicar esta necessária matéria, um reconhecimento pelos que fazem do Crato um palco aberto, oportunizando tantos talentos, do erudito ao popular!
    Parabéns ao Homenageado e ao Cronista!

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  3. Digno de elogio e reconhecimento público o esforço de Jorge Carvalho em promover e manter esse grande "SARAU POPULAR". Parabéns a êle.

    Dedê

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