23 maio 2009

Coisa de sábado - Por Claude Bloc


.... Há coisas que nos vêm assim devagarzinho, meio (in)esperadas, mágicas ou totalmente esdrúxulas. São coisas de fato?
.... Coisas que nos inquietam, que nos atiçam, que nos trazem os sabores da noite, ou os ruídos surdos da madrugada, como o palpitar de uma lembrança, ou quem sabe, a sombra de um sonho que gostamos de manter sob as pálpebras, sem qualquer pudor. Que cores têm essas coisas?
.... Há coisas que nem revelamos. Que guardamos em nosso relicário secreto. Coisas que nos trazem de volta rostos que não podemos esquecer. Coisas que representam o presente ou o passado, e tudo o que nos é caro. São as coisas que nos acontecem no momento exato em nos deparamos com a verdade e entendemos que, no mais profundo de nós mesmos está sempre essa criança indomável que nos interpela e que nos impele às “coisas (im)possíveis”... aos trocadilhos, à liberdade (in)cômoda, ao discorrer de uma longa história (quase) sem sentido, mas tão sentida. 
.... Há coisas que nos fazem tropeçar e, nos tropeços, nos fazem andar pra frente. Somos então, nesse momento, mera e simplesmente seres errantes nessa coisa que se chama vida, procurando acertar o nosso passo e nosso (p)rumo.Coisas da vida!
.... Há coisas – pois que não há outro nome para isto - que nos atropelam e, paradoxalmente, nos envolvem com o mel da doçura... Coisas, coisas tantas. Coisas que queremos manter em nosso pensamento, coisas que, de tão simples são tão intensas. Coisas que nos aquecem a alma. Coisas lindas, que não queremos findas. Coisas que tecem as nossas emoções, e que nos fazem felizes. Coisas bobas? 
.... quais são essas coisas? 
.... Digo: coisas que sempre prezamos, coisas de que ardentemente precisamos: o sentimento mais nobre, o sentimento mais leve...
.... Coisas que nos engrandecem e que se cristalizam no âmago do nosso ser. Como um sentimento que gruda e nos faz exultar. 
.... E aí nos perdemos para nos encontrarmos na essência dessas coisas, e essa essência não cabe dentro das próprias coisas... Tentar capturar essa essência seria um pouco como tentar guardar uma gaveta dentro duma outra gaveta rigorosamente igual. De qualquer forma, quem é que disse que uma gaveta é para guardar coisas? Por que é que não podemos ter uma gaveta vazia reservada para a essência daquilo que julgamos querer ou ter?
....E de onde nos vêm essas coisas que tanto queremos e não sabemos explicar? 

Por Claude Bloc

4 comentários:

  1. E o que queremos ? Como tê-las , se não conseguimos explicar ?

    Nos dias de sábado , eu faxino o meu olhar.


    Belo texto , menina Claude !

    ResponderExcluir
  2. Essas coisas sem nome, sem endereço, nem tempo, são coisas que não se anunciam, pois apenas são quando já tendo acontecido.

    Essas coisas que nem parecem que o são, chegam de mansinho ou revolução e tomam conta destas gavetas que agimos como marceneiros, gavetas que estão aqui apenas para serem colheitas destas coisas.

    E coisas assim que tornam o mundo infinito em possibilidades e até nas beiradas em que a eternidade sempre se afasta, só para manter o padrão do eterno por que dura.

    Claude é plena desta coisas.

    E Socorro também. Agora de mão no queixo e o olhar contemplativo.

    ResponderExcluir
  3. Eu espreito :
    Um caminho sem chegadas...
    Nem por terra , nem por mares

    Expurgo de gavetas
    Colheita de novas trovas
    resíduos das trovoadas

    No esconderijo do tempo
    eu percebo as presenças
    de tudo que foi negado
    Pego as coisas no meu colo
    com meu olhar de cansaço
    Umas parecem tão novas ...
    Outras estão rasuradas.

    Se a mão está no queixo
    O coração tá parado
    procurando algum sinal
    nem que venha lá da praça
    Lá na Sé vão coroar
    Como em todo mês de maio

    Nossa Senhora da Penha,
    Perdoai nosso pecados !

    ResponderExcluir
  4. José do Vale e Socorro,

    O bom de tudo isso é que as minhas coisas provocaram em vocês coisas boas. Fizeram brotar poesia, coisa que dá alento à vida... Bom tê-los por aqui. São estas as coisas boas do Blog: os encontros e os re-encontros. Abraços aos dois. ;-)

    Claude

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.