12 abril 2009

Cópia, Xerox ... - Por: José Nilton Mariano Saraiva

É incrível a semelhança dos procedimentos entre a Editora Andross (anunciada hoje aqui no blog) e a Shogun Editora e Artes Ltda, de propriedade do então ainda pobre (e hoje famoso) escritor Paulo Coelho (lá nos anos 80).
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Na recém-lançada biografia O MAGO, de Fernando Morais, sobre o Paulo Coelho, temos que:
“Os números que haviam alavancado a Shogun Editora não eram decorrentes de obras de nenhum famoso. Ao contrário, o ouro vinha de centenas, de milhares de poetas anônimos e dispersos por todo o Brasil, os quais, como acontecera com o dono da Shogun (Paulo Coelho) durante tantos anos, sonhavam em poder um dia ter nas mãos um livro com seus versos impressos em letra de forma. O regulamento era simples: podiam se inscrever “autores amadores ou profissionais, publicados ou não, sem qualquer limite de idade, desde que em língua portuguesa” Os selecionados recebiam um contrato pelo qual se comprometiam a pagar 380 mil cruzeiros (trezentos reais em 2008), referentes à compra antecipada de um pacote de dez exemplares – quem quisesse receber vinte livros pagaria 760 mil cruzeiros (seiscentos reais em 2008). Para os editores tratava-se de um empreendimento de risco zero, pois a obra só era impressa depois que as quatro parcelas tivessem sido saldadas pelo autores. Cada um destes faria jus, além dos livros adquiridos, a um diploma emitido pela Shogun, assinado por Chris (mulher de Coelho), e a um bilhete manuscrito do próprio Paulo Coelho, incentivando-o. Aquilo que à primeira vista parecia uma ação entre amigos revelou-se um grande negócio. Ao postar o último pacote de livros no correio, a caixa da Shogun tinha registrado a entrada de quarenta milhões de cruzeiros – equivalentes em 2008 a 320 mil reais. Organizando quatro antologias anuais, como vinha fazendo, a Shogun faturava por ano algo em torno de 160 milhões de cruzeiros, equivalentes em 2008 a 1,2 milhão de reais”.
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Vamos, agora, ao regulamento da Editora Andross (veiculada abaixo)
“Preciso pagar para me inscrever?
Não. O envio de obras é gratuito, bem como a publicação, caso ela seja aprovada. O autor não precisará pagar nada. Contudo, a confecção dos livros, diagramação do conteúdo, desenvolvimento de capa, os profissionais de análise e revisão, as taxas de registro de ISBN e ficha catalográfica geram custo. Para que este custo seja pago, a editora desenvolveu um programa onde cada autor se compromete a vender 20 (vinte) exemplares do volume (a R$ 19,00 cada) em um período de 30 dias, após a data de lançamento do livro. A conta é simples: 50 (cinqüenta) autores vendendo 20 (vinte) exemplares cada um. Serão 1000 (mil) livros vendidos em 30 dias. Compensa para a editora, uma vez que os livros não ficarão nos depósitos das livrarias do país sem previsão de venda, e também compensa para o autor, já que ele terá a certeza de que sua obra, em menos de um mês, será lida por quase mil pessoas”.
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Vejam a esperteza: ninguém era (àquela época) obrigado a pagar à Shogun nada para publicar suas obras, assim como também não o é agora à Andross. A obrigação de cada um era, e é, somente adquirir um certo número de exemplares (10, 20) por um valor pré-estipulado, que, multiplicado por “N” autores, permitiu e permitirá aos espertos propriedades das respectivas Editoras trabalhar com custo zero e à perspectiva real de faturar milhões.
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E aí, Dihelson, ao invés de ficar literalmente mendigando doações e patrocínios para manter o blog, não seria melhor montar uma "editorazinha" de fundo de quintal ??? O Kaika Luiz, que postou a matéria, certamente não se furtará de mostrar-lhe o caminho das pedras !!!
Autoria e postagem: José Nilton Mariano Saraiva

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