17 março 2009

SOB O CÉU DA PIRIQUARA - por José do Vale Pinheiro Feitosa

Estive na noite ampla,
Orion, Taurus, as Plêiades,
no espelho dos sapos em assembléia,
nas estrelas do matagal,
por vezes vaga-lumes na via láctea,
e lá não estavas.

Por milhares de quilômetros,
a cada milímetro do físico,
nas frestas das saudades,
sombras desta penumbra lunar,
e em tudo não estavas.

Rastejando na planície marinha,
junto a todos os odores,
o vento ecoando nas orelhas,
um sabor de fastio,
meu coração arejado,
os pulmões inundados,
e contudo não estavas.

Não estavas noites do passado,
daqueles anos rurais,
tantos mitos seculares,
o mínimo da criança,
um galo de madrugada,
um latido de porta em porta,
o rasga mortalha sobre os galhos,
uma pedra rolando no telhado,
aparições ao lado da cama,
orações só para adormecer,
sonhos amplos com as noites,
seria alívio ao acordar
assim como tristeza de cessar.

Estive na noite,

E lá não estavas.


Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Um comentário:

  1. Este céu é apenas um pedaço que o olhar alcança. Se você esticar o olhar , encontrará , na forma que desejar , o gosto da vida !

    Acho muito lindo tudo que você escreve.
    Viajo no que o poema diz...
    E fico querendo lhe secretariar ... Colocar nas suas s mãos , o que falta pra chegar.

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