09 março 2009

Projeto capacita jovens para programa de rádio

Os Jovens do Rádio

Ubaldo Solon idealizou o Radioatividade, que integra o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), em parceria com as prefeituras (Foto: Juliana Vasquez). Capa de um dos CDs com o programa de rádio gravado ao final das atividades do projeto. Estudantes participam ativamente da produção dos conteúdos e locução. Jovens de 84 municípios cearenses já participaram das atividades do Projeto Radioatividade. Fortaleza. No início dos anos 1920, o rádio chegava ao Brasil para mudar definitivamente a vida das pessoas. Companheiro de todas as horas, o veículo passou a cumprir a função de entreter, informar e educar a população. Essa função educacional está presente até hoje em rádios comerciais e comunitárias, mas vem sendo potencializada por projetos da sociedade civil, nos quais o rádio é um meio de mudar vidas e comportamentos. É assim com o Projeto Radioatividade, que completa oito anos de atividades no Ceará em 2009. Idealizado e executado pelo jornalista e publicitário Ubaldo Solon, o projeto já passou por 84 municípios do Interior cearense, beneficiando cerca de 3.500 alunos. A idéia é simples: por cinco dias, adolescentes de 15 a 17 anos participam de capacitação sobre técnicas radiofônicas, incluindo conteúdos sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), drogas, meio ambiente, cultura e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ao fim da semana, produzem um programa de 30 minutos, preenchido com música, notícias e entrevista. A produção é gravada em estúdio e apresentada em um local público, que pode ser uma praça, uma escola ou qualquer outro lugar da cidade. O Radioatividade integra o rol de capacitações do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), financiado pelo Governo Federal, em parceria com as prefeituras municipais. Solon ministra os cursos depois de ser chamado pelos municípios, enquanto os alunos são escolhidos pelas respectivas secretarias municipais de Assistência Social. Aqueles em situação de vulnerabilidade social são privilegiados. Atualmente, o jornalista conclui capacitação no distrito do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, Região Metropolitana de Fortaleza. Em seguida, seguirá para Camocim, no Litoral Oeste.

Para auxiliar os alunos a fazerem as notícias, Solon lhes fornece cartilhas enviadas pelo Governo Federal, sobre os temas já citados. Também apresenta vídeos sobre a importância de preservar o meio ambiente, como o documentário “Uma Verdade Inconveniente”, do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore. Além desses temas, um destaque é que os estudantes sempre fazem notícias sobre o cotidiano da cidade onde vivem. “Eles demonstram uma preocupação muito grande com a cidade onde vivem, ao modo como a cidade está sendo tratada”, ressalta o coordenador. Normalmente, em cada localidade, 25 alunos são selecionados para as capacitações. Daí, são divididos em grupos de cinco, onde cada adolescente tem uma obrigação. Locutor, repórter, produtor, redator e DJ são as funções. Com a experiência de mais de 30 anos de Comunicação Social, Solon ensina aos estudantes que os textos para rádio devem ser mais curtos que o dos jornais impressos, visto que os ouvintes devem absolver as mensagens de forma instantânea. Destaque também para os exercícios de entonação e pronúncia correta das palavras, que ajudam os jovens a falarem melhor e terem mais desenvoltura para se expressar em público. No caso da dicção, por exemplo, um erro comum é a pessoa engolir o “s” das palavras no plural. Tornar os jovens mais comunicativos é um dos principais ganhos do projeto, na opinião de Solon. “Muitos alunos tiram a timidez com o curso, melhoram a auto-estima”, atesta. O jornalista diz que, por exemplo, alguns estudantes passam a participar mais das aulas na escola. “Eles ficam desinibidos, perdem a vergonha, alguns chegam até a recitar poesias”.

Em toda o programa, o uso da linguagem local e a manutenção do sotaque é estimulado por Solon, por tratar-se de respeito à cultura regional. Na parte cultural do programa, fugir do circuito comercial da música e levar composições de qualidade produzidas por artistas locais, como Fagner, Belchior e Ednardo, são um princípio do Radioatividade. Nomes consagrados da Música Popular Brasileira (MPB), como Chico Buarque de Holanda; do forró, como Luiz Gonzaga; e até da música internacional, como os Beatles, completam a programação radiofônica.

FIQUE POR DENTRO
Unir comunicação e ação social é o objetivo

A idéia de criar o projeto Radioatividade foi da esposa de Ubaldo Solon, a assistente social Gláucia Porto. Segundo conta o marido, a mentora da idéia queria criar um projeto que deixasse algum legado para quem participasse dele. Assim, a assistente, que hoje supervisiona o projeto, pensou em algo que unisse comunicação e ação social. O nome foi dado por Solon, com a idéia de se referir à radiação, mas também a atividade no rádio. Juntos, elaboraram uma apostila, com conteúdo de comunicação e cultura, e tentando usar uma linguagem o mais simples possível. Na época, Gláucia era assistente social em Viçosa do Ceará e levou a idéia para a Prefeitura local. Depois de executar a capacitação com sucesso, Solon começou a receber convites de outros municípios. ´Fui em todas as cidades da Serra da Ibiapaba´, narra. Depois, prefeituras de outras regiões também convidaram o jornalista a repetir o feito. Nesse meio-tempo, o programa recebeu a chancela do antigo Projeto Agente Jovem, que hoje tem o nome de Projovem. ´Já tenho proposta até de ir para Goiás´, diz.

PARCERIA COM MUNICÍPIOS
Programa gravado em CD encerra atividades

Fortaleza. Alguns jovens que participam das capacitações do Projeto Radioatividade mostram tamanho talento que acabam enveredando pelo caminho do rádio de uma vez. Segundo o jornalista Ubaldo Solon, muitos deles foram contratados como locutores de rádios comerciais das cidades onde vivem. O contato com as rádios é um elemento do projeto, já que o programa produzido pelos jovens ao fim da semana de capacitação é gravado em CD e apresentado em uma rádio local, cujo espaço é viabilizado pela respectiva prefeitura. Assim, muitos dos neo-radialistas acabam despertando atenção das emissoras. Caso a cidade não tenha rádio ou o espaço não seja viabilizado, um dos mecanismos adotados para exibir a produção ao público é a rádio-escola, que consiste na distribuição de caixas de som em um determinado local — uma escola ou uma praça, por exemplo — para a audição do público. Já o CD do curso é gravado em estúdio e entregue a cada um dos participantes como recordação, incluindo capa com foto dos comunicadores. Além do CD, os alunos recebem um certificado para comprovar o conhecimento adquirido. Assumir a profissão de radialista, provavelmente, não é o que acontecerá com a estudante Jéssica Rodrigues, 17 anos, que participou das capacitações em 2008, no Pecém, em São Gonçalo do Amarante. Não por falta de talento, mas porque o seu objetivo é ser advogada após a conclusão do Ensino Médio. E a experiência do Radioatividade já foi um passo de Jéssica para ser uma futura advogada competente, na opinião dela mesma. “O projeto me ensinou como me comunicar mais com as pessoas. Antes, eu era tímida, mais calada, parecia até um pouco chata. Como eu poderia ser uma advogada se eu não falava nada?”, indaga-se. “Aprendi a me soltar mais”, completa a jovem.

Um ponto destacado pela estudante foi o aprendizado sobre como falar de forma correta. Graças ao formato da capacitação, diz que aprendeu mais sobre o próprio Estado e o próprio País. “Não é só um programa para divertir as pessoas. Ensina e mostra o que ocorre na localidade onde moramos”.

Mais informações:
Prefeituras interessadas no Projeto Radioatividade devem entrar em contato com o jornalista Ubaldo Solon (85) 8755.9073

ÍCARO JOATHAN
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

Um comentário:

  1. Ubaldo Solon é filho de Eduardo Solon, ligado à familia Pierre,originária de Sobral. Residiu no Crato, quando cirança nos anos cinquenta, mas não tenho certeza se ele nasceu no Crato. Muito boa a idéia e o projeto.

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