03 março 2009

Políticas Sociais: Ao Invés de Tentar Desmoralizá-las, Ampliá-las - Por: José Nilton Mariano Saraiva

A forte e real expansão do emprego (particularmente do emprego formal ou de carteira assinada), o perceptível aumento da renda do trabalho em geral (e em particular na Região Nordeste), uma progressão sistemática e significativa da escolaridade e da remuneração feminina, o alentador e forte aumento da população ocupada com 11 ou mais anos de estudo, além da necessária redução do trabalho infantil. Estes números, observem com cuidado, são coerentes entre si e convergem para uma conclusão evidente: no governo do presidente Lula da Silva está se fazendo muito e, os resultados, aparecendo. Aos que insistem, persistem e nunca desistem de rotular como “assistencialistas” a apresentação destas políticas, não custa nada lembrar: os 12,5 bilhões de reais (números de 2006) para a agricultura familiar constituem um apoio à capacidade produtiva; os R$ 8,5 bilhões do Bolsa-Família (idem), constituem um excelente investimento na próxima geração que será melhor alimentada - além do impacto essencial de inserção deste nosso quarto-mundo nas políticas públicas organizadas do país.
De outra parte, o significativo aumento do salário mínimo (13,3% em 2006 relativamente a 2005), junto com os outros programas mencionados, começa a dinamizar a demanda popular e a estimular pequenas atividades produtivas locais. Ou seja, estaremos talvez atingindo um limiar a partir do qual a renda gerada na base da sociedade começa a se transformar num mecanismo autopropulsor. E aqui cabe uma explicação, já que alguns teimam em passar ao largo, em ignorar o óbvio ululante: um aumento de cem reais (R$ 100,00) para uma família que tem um rendimento de, por exemplo, quatro mil reais (R$ 4.000,00), evidentemente que pouco representa, não é significativo. No entanto, cem reais (R$ 100,00) representam, sim, para pessoas que têm de sobreviver com algumas centenas de reais por mês, um imenso alívio, a diferença entre poder ou não poder comprar melhor alimento, ou adquirir aquele imprescindível medicamento para a criança. E não é preciso se ser nenhum economista para se saber que a utilidade marginal da renda, em termos de impacto para o conforto das famílias, vai diminuindo conforme a renda aumenta. E, do ponto de vista econômico, maximizar a utilidade dos recursos do país envolve o aumento da renda dos mais pobres. Isto vale tanto no aspecto social (em termos de satisfação gerada), como em termos de demanda e conseqüente dinamização das atividades econômicas. O pobre, e é bom lembrar isso, não faz especulação financeira; compra bens e serviços. Assim, tirar as pessoas da pobreza não é caridade, é bom senso social e bom senso econômico.
Evidentemente que para solidificar isto, teremos de avançar mais, muito mais. O que está em jogo aqui não é apenas ajudar a massa de excluídos deste país. É gerar uma dinâmica em que renda, educação, apoio tecnológico, crédito e outras iniciativas organizadas de apoio permitam realmente romper as estruturas que geraram e reproduzem a desigualdade. A pressão sobre este governo é positiva, sim, quando se leva em consideração os avanços realizados, e se reivindica a ampliação das políticas, não a sua desmoralização.
O que se torna evidente, ao analisarmos estes dados, é que a população mais desfavorecida do país concedeu um novo mandato ao presidente Lula da Silva não por desinformação, mas por sentir que a sua situação está melhorando. Falar mal do governo, entre nós é quase um reflexo, uma mania, um hobby, algo como o amendoim que acompanha a "loura suada". Falar bem dele parece até suspeito, como se fosse menos “objetivo”. Mas falar mal pode ser igualmente suspeito. Muito mais importante é entender o que está acontecendo.
Por trás do palco da política oficial que a imprensa nos apresenta a cada dia, e que é o lado mais visível dos grandes discursos, há o imenso e incessante trabalho organizado de milhares de pessoas que estão tocando programas, literalmente tirando leite de pedra numa máquina de governo que, por herança histórica, foi estruturada para administrar privilégios, e não para prestar serviços.

Autor: Ladislau Dowbor - Postagem: José Nilton Mariano Saraiva

2 comentários:

  1. Taí uma análise simples, coerente, objetiva, sensata e, diríamos até, irrespondível (se a coisa for tratada com seriedade).
    Afinal, a pobreza é uma aterradora realidade (mas que não é "privilégio" só do Brasil), e as famosas e seculares desigualdades regionais um seríssimo problema que precisa ser enfrentado "de frente". Portanto, a maximização da utilidade dos recursos do país, que passa, necessariamente, pelo aumento da renda dos mais pobres, é uma realidade que começa a ser implementada (evidentemente que passar-se-ão gerações até que consigamos chegar lá).
    Mas...o primeiro e decisivo passo, foi dado.
    Queiram ou não determinados radicais empedernidos.

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  2. José Nilton, concordo com uma análise simples. Ser simples é ser claro e agir sem medo de ser julgado, como faz o Lula, e não como FHC, que agia e tinha um discurso quantitativista e teorético, justamente para agir e fazer sem ser entendido pelo povo brasileiro, com medo de ser entendido e desmascarado nas suas ações entreguistas.

    Saudações Geográficas!
    João Ludgero

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