09 março 2009

MIDEM ou como a indústria do disco está perdida - Por: Dr. José Flávio Vieira


Fria, chuvosa, mas com uma comida ótima, Cannes abriga, desde o último sábado, o Midem, uma das mais importantes feiras relacionadas aos negócios da música. O evento pode ser dividido em dois: o Midem em si, tradicional, com estandes de gravadoras, distribuidoras, agências, empresas de tecnologia etc., onde executivos estão atrás de oportunidades (traduzindo: dindim); e o MidemNet, onde debates e conversas tentam esclarecer como está e para onde vai a relação entre música e internet. O MidemNet é, sem dúvida, o que mais interessa. Ali debatem gente ligada ao Google, ao MySpace, a empresas de telefonia, a selos indies, além de analistas de tendências e especialistas em mercados como China, Rússia, Malásia, Japão, Leste Europeu etc. Muitas das conversas são interessantes, apresentam fatos e opiniões relevantes, mas incomoda um certo papo com gosto de requentado. Por exemplo: gente ligada a editoras ainda sem saber como ganhar dinheiro com downloads. Estamos em 2009, já passamos por Napster, Audiogalaxy, Soulseek, o iTunes é uma realidade, há serviços de downloads legais até no Brasil, e ainda assim as editoras (empresas que detêm o direito autoral de uma canção) continuam perdidas e intransigentes.
Em várias mesas essa questão foi discutida, mas sem que os participantes chegassem a um consenso. Um fato curioso: a Apple, dona da maior loja de downloads do mundo, não está no Midem. Por quê? Porque a Apple é vista mais como um inimigo do que um parceiro pelas gravadoras e editoras. Certo ou errado, um exemplo: "Não acho que os artistas recebam remuneração justa [do iTunes]. Steve Jobs se deu bem em cima de nós, assim como havia ocorrido com a MTV", disse Tim Clark, empresário de artistas como Robbie Williams.
As gravadoras brigam com os provedores de internet. Querem que esses controlem com mão de ferro os usuários que fazem download; as editoras querem que os portais paguem licenças para esses downloads. Essa é a posição de Geoff Taylor, da British Phonographic Industry (BPI), órgão que reúne as gravadoras britânicas. Nicholas Lansmann, representante das empresas de internet, contra-argumentou, dizendo que é muito difícil, quase impossível, conseguir licenciar músicas pelo atual sistema desenvolvido pelas editoras. Ele sugere que se faça uma "licença padrão", um preço fixo, para determinadas regiões, como a Europa.
O problema, que existe há algum tempo, é esse. As editoras querem acordos caso a caso, enquanto os portais lutam por licenças simplificadas. E, assim, fica mais fácil procurar música em torrent.
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David Eun, vice-presidente do Google, em uma das mesas mais concorridas, chamou a atenção para o You Tube. Afirma que a ferramenta deve ser encarada pelas gravadoras e editoras como "oportunidade de capitalização", e não como algo maléfico. E lembrou da Warner, que retirou do site os vídeos de seus artistas. Para ilustrar seu ponto de vista, Eun citou o Weezer, cujo vídeo de "Pork and Beans" já foi visto por mais de dois milhões de pessoas. Por meio de uma ferramenta chamada Insight, o Weezer e a gravadora checam a origem do tráfego para o vídeo, onde estão seus fãs e, assim, poderiam planejar ações de marketin e itinerários de turnês.
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Música e celular: união que não tem como dar errado. Assim foi centrada a palestra de Jim Balsille, da Blackberry. Ele enfatizou as "diversas ferramentas" que surgiram com a tecnologia 3G de celular, e citou como exemplo uma parceria entre a Blackberry e a Ticketmaster, que possibilita aos usuários do fone comprar ingressos de shows de forma "rápida" e "fácil". E disse ainda que a Blackberry vai lançar, em março, um portal de música. "Daqui a alguns anos, a indústria fonográfica será totalmente diferente de como a conhecemos hoje", afirmou.
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Outro papo que já está meio passado, mas que muita gente insiste em ignorar, é o da aproximação entre músicos e fãs. Um exemplo é ele, Kanye West, que mantém um ativo blog em que costuma alardear seu ego diariamente e indicar bandas que gosta. "É totalmente autêntico, é ele quem escreve os posts. Você não pode pagar para colocar coisas ali, e já teve gente que tentou pagar", disse Bryan Calhoun, da Sound Exchange, que trabalha com Kanye.
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E entre todos os estandes do Midem, sabe qual é um dos mais populares?: O do Guitar Hero...

Escrito por Thiago Ney às 16h47

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