09 março 2009

Dedicada a Claude Bloc


Escuto a chuva batendo nas folhas, pingo a pingo
Mas há um caminho de sol entre as núvens escuras.
E as cigarras sobre as resinas continuam cantando.

Tu percorrerias o céu com teus olhos nevoentos,
e calcularias o sol de amanhã,
e a sorte oculta de cada planta.

E amanhã descerias toda coberta de branco,
brilharias à luz como o sal e a cânfora,
tomarias na mão os frutos do limoeiro, tão verdes,
e entre o veludo da vinha, verias armar-se o cristal dos bagos.

E olharias o sol subindo ao céu com asas de fogo.
Tuas mãos e a terra secariam bruscamente.
Em teu rosto, como no chão,
haveria flores vermelhas abertas.

Dentro do teu coração, porém estavam as fontes frescas,
sussurando.
E os canteiros viam-te passar
como a nuvem mais branca do dia.

( Da série "adivinhem o Autor" )

2 comentários:

  1. Dihelson,

    Você me pegou de surpresa... Nestes casos em que a gentileza e o carinho são postos tão claramente em palavras, resta-me deixar que as lágrimas da emoção e da alegria sejam o bálsamo e a cura dos meus males...

    Só de uma pessoa como você cuja música ultrapassa os limites da alma, eu imaginaria uma homenagem tão delicada.

    Abraços comovidos,

    Claude

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  2. Pois é, Claude,

    Falta você "Adivinhar o Autor" do poema...rs rs é uma nova brincadeira por aqui...

    Bjus!

    Dihelson Mendonça

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