28 março 2009

CONGRESSO NO CARIRI - Poder feminino nas Câmaras - Reportagem: Antonio Vicelmo


CONGRESSO NO CARIRI

Vereadoras dos três Cariris - cearense, pernambucano e paraibano -, participaram do Congresso (Foto: Antônio Vicelmo). Mulheres detentoras de cargos públicos estiveram reunidas para fortalecer a categoria e elaborar políticas sociais. Crato. Embora mais da metade da população brasileira seja constituída por mulheres, as políticas públicas destinadas a esse segmento da população, especialmente as de âmbito local, quando existentes, não garantem o atendimento das demandas e necessidades específicas das mulheres e, de longe, são capazes de promover sua participação cidadã na vida pública. Este foi um dos assuntos discutidos no I Congresso de Vereadoras do Cariri, que reuniu representantes dos Legislativos municipais da região do Cariri cearense, pernambucano e também paraibano. O congresso representa a oficialização de mais uma conquista pelo público feminino, principalmente nos cargos do poder público. Durante o encontro, realizado no Hotel Encosta da Serra, na cidade do Crato, foi abordada também a pouca participação feminina nas Câmaras Municipais. De acordo com os resultados das eleições realizadas no último pleito, em 2008, as mulheres ocupam apenas 12,51% das cadeiras das Câmaras Municipais em todo o País, embora representem 51,76% de todo o eleitorado. A preocupação com essa questão fez nascer a iniciativa de realização do I Congresso de Vereadoras do Cariri. “As mulheres ocuparam as Câmaras Municipais. No entanto, a força do feminismo, que é o que ela tem de mais importante, ainda não chegou ao Poder Legislativo”, disse o coordenador do encontro Joelmir Pinho, acrescentando que muitas mulheres tiveram que assumir posições machistas para conquistar o seu espaço, seja na Câmara ou como prefeitas. O evento reuniu cerca de 30 mulheres detentoras de mandatos eletivos nos Legislativos municipais da região, além de outras pessoas interessadas na temática, independente de gênero ou de qualquer condição política. Um dos objetivos do encontro, segundo o Instituto Focus, promotor do evento, foi trazer para o centro dos diálogos a preocupação com a construção de políticas públicas locais capazes de contribuir para a reversão do atual quadro de exclusão econômica, social e política que caracteriza as relações de gênero nas regiões delimitadas pelos “três Cariris”, agravado pela violência contra as mulheres, práticas ainda comuns numa sociedade profundamente marcada pela cultura predominantemente machista. O presidente da União dos Vereadores do Ceará, Deuzinho Filho, anunciou que o I Congresso de Vereadoras do Ceará será realizado no Crato, alegando que partiu dessa mesma cidade, o grito de independência do Brasil, liderado por Bárbara de Alencar. Ele também lamentou a discriminação que ainda existe contra a mulher, agravada, segundo afirmou, pela degradante política patriarcal que sempre dominou a sociedade. Lamentou que em algumas Câmara Municipais do Estado não existe, sequer, banheiros femininos. Durante a solenidade de abertura, a primeira mulher vereadora do Nordeste foi homenageada. É a cratense Rosa Pinheiro Esmeraldo, “dona Rosinha”, que foi nomeada vereadora para a legislatura 1926 a 1930, quando a mulher não tinha o direito de ser votada.

O Congresso teve como tema central “O Papel Feminino no Legislativo” e sua metodologia priorizou a troca de experiências e conhecimentos das participantes e a instrumentalização das mesmas para uma atuação parlamentar mais qualificada, cuidadosa, inclusiva e também comprometida com a eqüidade de gênero. A palestra de abertura foi feita pelo escritor, ambientalista e especialista em Medicina Tradicional Chinesa, Jairo Façanha. O segunda dia do evento foi dedicado às questões mais técnicas, tais como orçamento público municipal e processo legislativo, entremeadas por oficinas de percepção e autoconhecimento.

CONQUISTA

"Este é mais um momento de conquista de espaço. A discriminação é da própria legislação"

Joana Pedrosa
Vereadora do Crato

"Ainda existem preconceitos. O déficit da participação feminina ainda é muito grande"

Selma Oliveira
Vereadora de Moreilândia (PE)

"O congresso é uma forma de pagar parte da divida histórica que a sociedade tem para com as mulheres"

Maria da Glória Macedo
Suplente de senadora

SAIBA MAIS

Lutas

Além da luta das mulheres pelo acesso ao Legislativo, outras questões, por níveis de paridade, começam a se fazer visíveis nos demais poderes constituintes do Estado: o Executivo e o Judiciário. No contexto dessas novas reivindicações de paridade, também se encontram as lutas pelo acesso igual das mulheres a cargos de chefia no âmbito do serviço público.

Vereadoras

De acordo com levantamento do Instituto Focus, os três Cariris, cearense, pernambucano e paraibano, possuem 87 mulheres vereadoras. No triângulo Crajubar, formado por Crato, Juazeiro e Barbalha, apenas sete delas.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:

Instituto Focus
(88) 3521.2097
(88) 9953.0610
(88) 8806.1902
institutofocus@hotmail.com

Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste



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