16 fevereiro 2009

Zé de Brito - Luta e trajetória - Por : Joaquim Pinheiro Bezerra

Ganhei do amigo e conterrâneo Heitor Bezerra de Brito o excelente livro “José de Figueiredo Brito – Luta e Trajetória”, de autoria dele e da sua irmã, Telma de Figueiredo Brilhante. Obra excelente, com depoimentos de figuras representativas da intelectualidade cratense. Filhos e netos também se manifestam sem descer ao oba-oba, mas mostrando, com muita clareza, a trajetória do Pai dos autores, figura de quem minha memória guarda muitas imagens, inclusive de várias conversas com meu pai, César Pinheiro Teles.
Das muitas páginas interessantes, destaco o capítulo “Maxixes & Malabares”, escrita pelo homenageado, que os organizadores tiveram a felicidade de incluir. Conta episódios da política cratense do final século XIX e início do século XX, sobretudo a disputa entre os Coronéis José Belém e Antônio Luis Alves Pequeno. Destaco alguns tópicos que achei interessante:
- naquela época, quando as lideranças não chegavam ao consenso sobre os resultados das eleições (sempre fraudadas), quem definia o vencedor não era o poder judiciário mas a bala. O Governador esperava o resultado final da luta e legitimava o vencedor, consagrando o princípio comum nas brigas infantis de que “quem corre, perde”.
- O Coronel José Belém, vindo de Milagres, estabeleceu-se no comércio do Crato. Fez amizade com o influente chefe político José Antônio de Figueiredo e foi por este nomeado delegado. Posteriormente, na crise entre monarquistas e republicanos, o líder político, sem querer se comprometer, indicou o delegado para assumir a intendência (prefeitura) na condição de renunciar quando a situação voltasse à normalidade. O Cel Belém, no entanto, apegou-se ao poder e não cumpriu sua parte no acordo.
- Para permanecer na chefia da intendência, o Cel Belém montou guarda municipal armada, formada por jagunços trazidos de Milagres. A guarda cometeu tantas atrocidades contra os adversários a ponto de gerar descontentamento na população.
- Nas eleições de 1904 foram eleitas duas câmaras municipais. Uma comandada pelo Coronel Belém e outra liderada pelo Coronel Antonio Luis Alves Pequeno. Ambos pediram intervenção do governador que anulou os dois pleitos.
- Visando acalmar os ânimos e impor a ordem, o governador nomeou um delgado especial para a cidade. Desconfiando que o enviado era simpático ao Coronel Belém, seu oponente telegrafou ao governador protestando contra a nomeação e indicando um outro. Sabedor do fato, o Cel. Belém não aceitou este segundo nome e exigiu sua demissão. O fato é que os dois delegados, que haviam viajado logo após a indicação, chegaram ao Crato sem conhecimento das suas respectivas exonerações.
- Uma inocente serenata foi o estopim da batalha travada entre os dois chefes políticos. A polícia reprimiu com tal violência a manifestação romântica que matou o Sr. Horácio Jacome, pai do ex-prefeito (1959/1963) José Horácio Pequeno.
- A batalha pela chefia da intendência (prefeitura) do Crato, com dias de duração. teve a participação de centenas de homens de ambos os lados, inclusive 100 jagunços de Vila Bela (atual Serra Talhada), comandados pessoalmente pelo vigário da cidade pernambucana, primo do Coronel Antônio Luis.
- Apesar do cerrado tiroteio, grande quantidade de armas, da munição gasta e do respeitável contingente empregado, não há registro de mortes, apenas alguns feridos.
- O Coronel Antônio Luis ficou no poder de 1904 a 1912 e de 1914 a 1928, quando perdeu as eleições para o Dr. Joaquim Fernandes Teles, que administrou até 1930.


Joaquim Pinheiro

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