16 fevereiro 2009

O CONSÓRCIO CULTURAL DO CARIRI

Os valores da região são lembrados noutras. As angústias de província não fazem sentido. Nem mesmo o reverso da humildade, certa arrogância desesperada do gênio incompreendido. Tais sentimentos que se reproduzem numa sociedade baseada no vitorioso e na mídia dominante e universal a cada dia se tornam mais confusos. É que a crise do valor universal, o mito universal, do sucesso único, do discurso único já nos mostra o quanto tudo isso se encontra em estágio de ultrapassagem.

O Cariri cearense e seu raio de influência que vai às fronteiras do São Francisco e do Jaguaribe, atinge a Paraíba e o Rio Grande do Norte e claro Alagoas e o Piauí, não necessita de manchetes que lhe dêem isso. O peso da região se entremeia na vida de um largo território além dele. Todos sabem a força do ser caririense.

As prefeituras de Crato, Juazeiro e Barbalha deveriam instituir um consórcio para estimular o modo social, cultural e particularmente o artístico regional. É um regional profundo, mas de natureza universal. Nesta dinâmica, muito viva e contundente reside uma força humana de tal monta que temos certeza que o futuro necessita dele. Um consórcio deste pode construir uma dinâmica não burocrática, uma dinâmica aberta que afinal coordene os esforços dos diversos programas de financiamento da cultura, articule os diversos centros culturais das grandes estatais e assim por diante. Um consórcio seria uma espécie de Escola de Sagres.

Como sabemos os portugueses não passariam de um ducado ibérico. Um ducado territorialmente estratégico, todo nas costas do atlântico e próximo ao estreito de Gibraltar. Dominar esta embocadura era dominar a navegação do mediterrâneo em sua expansão ao atlântico. Mas os portugueses não se resumiram à pirataria, resolveram por um projeto expansionista de domínio do atlântico. Um enorme e desproporcional sonho para aquele pequeno território do ducado.

A escola de sagres é o local onde todas as informações colhidas nas viagens eram analisadas, catalogadas, arquivadas e reproduzidas para futuros navegantes. Era um local de desenvolvimento de tecnologia náutica tanto em termos de construção de navios quanto de navegação. Era um lugar de tecnologia de construção de mapas. Simplesmente a Escola de Sagre juntou o que havia de melhor no mundo europeu em termos de navegação e mercantilismo atlântico.

Então o consórcio é a escola de sagres do cariri. Um espaço em que se catalogam as viagens artísticas e as manifestações culturais (passadas e presentes); se desenvolve tecnologia para uso dos navegantes (artistas), se constrói uma metodologia pedagógica para todas as escolas do ensino fundamental e de nível médio com a finalidade de se consolidar, formalmente, a identidade cultural do seu povo e claro um oceano de espaços articulados para formar público e manifestar arte o que na prática é o atlântico da alma caririense.

O cariri precisa de sua escola de sagres da cultura.

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