03 fevereiro 2009

Não é Difícil Entender.... Por Luiz Cláudio Brito de Lima


Assistimos ontem no congresso nacional uma das cenas mais incoerentes da história da república (sem exagero) , difícil de ser digerida pelo eleitorado brasileiro, principalmente aquele que já tinha aversão ao tema política, restando agora com mais motivo para afastar-se desse assunto, penso que esse brasileiro sentiu vontade de ir , quem sabe, encontrar-se com os “ets” em matozinho – conforme último texto publicado por Jose Flávio, com chegada de “ovni’s naquela local.

Como explicar ao cidadão alheio ao que acontece no meio político, que a eleição no congresso nacional “atendeu aos interesses nacional”, e não refletiu exatamente o que pensamos do congresso nacional, ou seja: defende-se ali os interesses individuais; como esclarecer a esse brasileiro que o partido que apóia o governo (pmdb), inclusive com vários cargos nesse, debandou-se e lançou candidatura própria – não esqueçamos que nas duas casas - como explicar que a oposição (psdb), partido de comportamento ferrenho ao atual governo, apoiou incondicionalmente o candidato do próprio governo á presidência do senado? De que forma fica a cabeça desse cidadão mediano ao ouvir políticos, como o senador Tasso Jeiressat - aquele mesmo que proferiu graves acusações, durante anos, contra esse mesmo governo - fazer um discurso inflamado no senado federal e, justificando seu apoio á candidatura de um colega que outrora é tido como “adversário político” , afirmar que age dessa forma por amor ao pais, a sua convicção????

Aceitar a argumentação que “política é assim mesmo” , pois, sem esses “acordos” não se governa, é concordar com a prática viciada, arraigada na intolerância de se fazer ou ser político. Como podemos conclamar aos jovens que se engajem no processo eleitoral, que tomem conhecimento das questões que afligem o Pais, que participem, se os nossos representantes brincam com o poder, estabelecem valores que julgam corretos, valores esses que mudam conforme interesse individual / partidário. Não é crível que a mudança repentina em uma determinada classe política, deu-se em função de “amor ao Pais” , que essa alteração comportamental ocorreu justamente com o espeque de defender a nação.

O resultado das eleições no congresso nacional do dia 02 de fevereiro do ano em curso, nada mais foi do que o reflexo de uma conduta individualista, partidária, corporativista que ronda o imaginário de boa parte daqueles que detém o poder. O apoio ao partido antes considerado “inimigo”, não foi nenhum comportamento altruísta, mas sim uma ambição pelo poder, pois com a suposta eleição do pmdb ( o que de fato ocorreu) , temia--se o fortalecimento dessa ultima agremiação partidária ,e como tal colocaria em risco o plano da oposição em lançar um candidato à altura para as próximas eleições presidenciais, governamentais, proporcionais, etc. Querem vê o fundamento lógico/político de nossos representantes? Pois bem, com a candidatura de uma figura indicada pelo próprio governo ( apesar desse esta bem contado nas pesquisas de satisfação popular) , restaria fácil combatê-la , pois esse trabalho já vem sendo feito há muito tempo; em contrapartida, uma candidatura de um outro “novo” político (partido), principalmente pmdb – pela sua expressão representativa – significaria um risco às pretensões da oposição.

Dessa forma coloca-se em pratica a seguinte tese: faltando pouco tempo para novos pleitos eleitorais, a melhor saída seria disputar com um adversário que se conhece os pontos fracos, suas feridas, isto é, sabe-se com quem esta jogando; já um novo adversário, principalmente de um partido expressivo, conhecedor das entrelinhas partidárias, pode-se ter surpresas, o que de fato vai acontecer. Certo é que as lições do nosso congresso nacional, passam longe de pedagógicas, talvez, se aplicadas em uma sala repleta de vendedores surtisse mais efeitos, afinal, vale tudo para realizar uma venda.

Resultado da eleição no congresso nacional: a oposição achando que trairia o noivo, foi traída pela noiva, que casou com o seu padrinho, e ainda subtraiu as testemunhas. Difícil não é?É nada...

Por Luiz Cláudio Brito de Lima.

3 comentários:

  1. Dr. Luis Claudio.

    Voce é jovem. Não lembra o Sarney na presidencia da republica e o ministro do Planejamento Anibal teixeira e o Jorge Murad marida da Rosiane, portanto genro do Sarney, se enrrolarem dos pés a cabeça no lamaçal. Uma CPI chegou a ser criada e com liberações de emendas parlamentares e outras benesses o deputados retiração as assinaturas. O escandaloso Sarney vem de muito tempo se mantendo pelo voto popular. Quem tem um pouco mais de idade sabe muito bem que o Sarney abominava o Lula e hoje é o queridinho do Lula porque se agrupou e o governo não sobrevive sem o apoio do seu grupo.

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  2. Amigo Morais, antes de mais nada obrigado pelo jovem, as vezes olho no espelho e vejo vários cabelos brancos, sinto uma sensação imensa que não estou mais com 38, e sim com 54, em seguida falo com a esposa e digo que estou preocupado, ela diz: "não se preocupe, é charme", só que o dela quando eu falo que é charme também, ela acredita tanto, que em seguida vai ao salão e pinta.Retomando o assunto,o senador Sarney é uma figura emblemática, é uma simbiose de Paulo Evaristo Arns e Antonio Carlos Magalhães, e ainda entre Madre Tereza de Calcutá e Adolf hitler, ou seja, passa a imagem, em períodos distintos, de um salvador da pátria e ao mesmo tempo de desleal com ela; em momentos achamos que ele defende literalmente os interesses da nação, em outros, que a venderia.É um político difícil de definição.Abraços.Luiz Cláudio Brito de Lima

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  3. Luiz,

    No tempo do Sarney, o Tasso Jereissati foi um dos que mais batalharam junto à bancada cearense pelos seis anos ao próprio.
    Já no tempo do Collor de Mello, Tasso Jereissati e Ciro Gomes literalmente sentaram no colo do
    "marajá das Alagoas", em troca de alguns cargos federais; o Mário Covas é que botou ordem na casa, impedindo que o partido deles se bandeasse em apoio ao Collor.
    Tasso Jereissati e Ciro Gomes são duas figuras desprezíveis e asquerosas.
    Aqui em Fortaleza, o senhor Tasso Jereissati nunca ganhou eleição nenhuma, para nenhum cargo; os que são indicados por ele, também não. Sempre o derrotamos de forma acachapante; pena que a votação do interiozão brabo cubra a maioria de Fortaleza
    e, só assim ele conseguiu
    eleger-se governador e senador.
    Mas, repetimos, se dependesse de Fortaleza, de há muito ele estaria no ostracismo político.
    O Morais, que tem a idade de nós dois juntos, pode confirmar.

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