16 fevereiro 2009

Fórum abre exposição dos detentos nesta segunda


Nesta segunda-feira, dia 16, a partir das 08h00 horas, a exposição Ninho já estará aberta para visitação no Fórum Hermes Parayba, na cidade do Crato . A exposição reúne trabalhos dos detentos e detentas das cadeias públicas das cidades do Crato e Várzea Alegre. A exposição teve a curadoria do Coletivo Camaradas e é uma realização da Comissão de Direitos Humanos da OAB, em parceria com a Universidade Regional do Cariri, através da Pró-Reitoria de Extensão e Instituto Ecológico e Cultural Martins Filho – IEC, Projeto Nova Vida, Juiz da Vara de ExecuçõesPenais/ Comarca de Crato, Sesc Crato, Coletivo Camaradas e Cadeias Públicas de Crato e Várzea Alegre. Exposição Ninho - A exposição Ninho é o resultado e crença na viabilidade de conceber o sistema prisional como instrumento de reinserção social. É fruto do trabalho de tomada de posição, que em condições adversas e com recursos escassos, voluntários vestem a camisa da fraternidade e do compromisso com as camadas populares. O que seria um ninho? Pode ser um emaranhado de galhos...como pode ser o afeto. Ninho é um buraco no chão ou não. Lugar aconchegante, local de proteção. Ninho é um local determinado para se deixar filhotes, recém nascidos que precisam de conforto e carinho para sobreviverem, lugar de repouso, de abrigo, habitação. Espaço de convívio, de aprendizagem, de conflito. O que seria uma cadeia então? Uma reclusão? Seria o fim de uma reta? Ausência de vida? Tortura? Prisão? Ambiente fechado? Um grupo de animais? Cárcere? Servidão? Local aonde se coloca os presos? Elementos unidos? Qual a analogia possível entre ninho e cadeia? Qual o papel do sistema prisional? Ser ninho ou ser cadeia? Ou nenhum dos dois?

"Tenho muito para reconquistar quando sair daqui...." "tenho muita esperança que um dia irei reconstruir tudo que perdi na minha vida". "A destruição também mora neste lugar". "O clima é de tensão, maldade e inveja". "É difícil ter mente sã". "Eu quero o bem". "Mudar de vida e sair do crime". Esses são fragmentos recolhidos de vários detentos durante as oficinas realizadas na Cadeia Pública do Crato que demonstram o caráter conflitante dessas pessoas que tem na sua maioria um traço peculiar, uma trajetória de vida marcada pela exclusão social. Um texto construído de fragmentos, assim como são estilhaçadas as biografias dos detentos e detentas. Um texto brechiano* para apropriação de uma dada realidade. O tempo do Ninho é para aprender a voar.

Alexandre Lucas
Pedagogo e Artista Visual
Coletivo Camaradas

Um comentário:

  1. A questão prisional no Brasil e chegando mais próximo de nós, no Ceará, é uma realidade dura e cruel.
    As cadeias na sua maioria se encontram super lotadas, com pessoas se revezando para dormirem a noite - enquanto uns dormem no chão, outros ficam em pé, e assim sucessivamente - a fedentina é de morte, e por isso mesmo, a higiene é precaríssima!
    É um quadro doloroso e feio de se ver.
    Não existe interesse por parte de nenhuma autoriade em se resolver o problema, que fere todos os princípios atinentes aos Direitos Humanos.
    No Brasil, a lei existe no papel, pois na verdade é cada um tentando fazer o que é melhor para sí, e abandonando o senso de coletividade e humanidade.
    Se os 'homens' que trabalham com o Direito (Juízes, Promotores, Advogados, Defensores Públicos, entre outros) realmente colocassem em prática o que manda o art. 1º, inc. III da CF/88, assim como o art. 5º e seus incisos, não existiria no Brasil esse quadro de miséria e abandono da população carcerária.
    Se nossa Lei Maior (Constituição) existisse fora do papel, se ao menos 1/3 dessa Lei fosse posta em prática, nós todos, independentemente da situação social que ocupamos, viveríamos em harmonia e livres do medo em que está envolta toda a nossa sociedade.
    A situação carcerária brasileira é fruto da omissão das autoridades públicas, é fruto do descaso e da preguiça do poder judiciário.
    Nunca ví, nenhum promotor de justiça indo em nenhuma cadeia pública, em nenhum presídio fiscalizar coisa nenhuma.
    Inúmeros são os detentos que já poderiam estar em liberdade, seja provisória, seja em regime semi-aberto, ou noutra das possibilidades oferecidas pela lei. Mas as autoridades preferem que "esses presos", "esse marginais", fiquem longe de suas belas casas, que fiquem bem distantes de seus luxuosos carros...
    Essa exposição é uma brincadeira frente a realidade que massacra e corrompe.
    Em vez de fazer brincadeirinha de exposição, as autoridades deveriam ir nos presídios e se inteirar da situação em que vivem os presos, das torturas a que são submetidos vez por outras, das mazelas vividas, das vendas de drogas que lá rodeiam, da cela escura a que são submetidos os 'presos que dão trabalho', enfim... as autoridades, que recebem seus + ou - 15 a 20.000,00 (quinze a vinte mil)mensais, deveriam lembrar que ainda existe quem sofra nesse mundo!!!!
    Deus abençoe nosso País.
    Salve Maria!

    (C. William Brito - estudante do 10º semestre de Direito - URCA-Iguatu)

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