16 fevereiro 2009

Família versus Indivíduo - Por: Haroldo Ribeiro


Para assegurar a sobrevivência e a estabilidade da família, deve haver um chefe, um rei, um governante, como em todas as sociedades. Individualizar a pessoa humana, é nada menos que desorganizar a família ou a sociedade e dissolvê-la. O indivíduo é apenas um elemento dentro dessa célula orgânica da sociedade. Separar os seus elementos, promover o individualismo, é destruir-lhe a vida, é torná-la impotente para preencher seu papel na constituição do ser social, como o faria nos seres vivos, a dissociação dos elementos da célula vegetal ou animal. É função do chefe manter a integridade e coesão da família, para que jamais perca o poder que tem uma corporação que, se preciso fosse, seria capaz de subsistir de forma auto-suficiente. Quando o chefe perde a capacidade de administrar, seja lá por que motivo for, é necessário a colocação de um substituto(a) imediata, sob pena de cada membro correr sérios riscos de ter que enfrentar mares bravios e tiranos e, talvez nem sobreviver, até que encontre nova sociedade (família, seitas, grupos etc.). O incentivo à competição individualista, estimulou a vaidade de uma forma tal, que priva o indivíduo da necessidade de olhar para o futuro e de dar as mãos a fim de suprir o estranho sentimento de desamparo intrínseco da raça humana, e que a torna assim tão paradoxalmente frágil e ameaçada.

Por: Haroldo Ribeiro

4 comentários:

  1. Só uma contribuição. O termo família tem um sentido histórico. Existem diversos tipos de famílias que encontramos nas diferentes formações sociais como por exemplo, a família consanguínea, a família punaluana, a família patriarcal, a família sindiásmica e outras.
    Em todas, apontam formas diferentes de união através do casamento, casamento cum manu, casamento sine manu, avuncular, monogâmico, poligâmico.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. É da própria essência do ser humano: a partir do instante em que duas pessoas (um casal, dois amigos, duas amigas) passam a conviver próximas ou permanentemente juntas, há que existir, de forma tênue ou avassaladora, perceptível ou não, a ascendência de uma sobre a outra, independentemente que sejam as duas medíocres ou superdotadas.
    Quando a “coisa” se espraia para uma convivência grupal ou coletiva, quer seja familiar ou negocial, aí a coisa complica e por uma razão muito simples: há que se delegar poderes, transferir responsabilidades, sentir-se representado; enfim, usar o sagrado direito de escolher, para o bem ou para o mal, “...um chefe, um rei, um governante”.
    Como fazer a escolha certa ou adequada ? Levando em conta a tradição familiar, da passagem de pai para filho (mesmo que este não demostre nenhuma aptidão), como nos tempos medievais ? Ou seria preferível usar-se o jurássico critério da antiguidade, onde aquele de maior idade teria a prevalência sobre toda a tribo (família)? Mas, por que não escolher aquele que se faça ouvir porque fale mais alto, se imponha à base do grito, do temor ? E aquele outro, mais raçudo, que tem mais força física, campeão das competições diversas ? Ou será que não seria recomendável e preferível o pensador, circunspeto, introspectivo ?
    E aí, no nosso entendimento, entre em jogo a complexa questão da “carismaticidade”.
    Que vem a ser a posse, por parte de um determinado indivíduo (não necessariamente possuidor de educação formal, um doutor, poliglota ou cosmopolita), do poder de seduzir seus pares, de ter ascendência sobre eles, de induzi-los a seguí-lo através do seu fascínio irresistível, de ser capaz de, em usando esse dom, direcionar o rebanho calcado na prudência, na sabedoria e no bom senso, à busca do benefício grupal, coletivo, comum.
    Difícil ? Claro.
    Impossível ? Não.
    Existe ? Sim
    (taí o "analfabeto" presidente Lula dando-nos o exemplo, para desespero de determinadas
    "sumidades").
    *********************
    Post Scriptum:
    Prezado Haroldo,
    não, nunca lemos Freud.

    ResponderExcluir
  4. Imagine no casamento avuncular, onde o homem deveria se casar com uma sobrinha por parte materna? E não só com uma, mas várias?
    A escassez de "sobrinhas" levava a conflitos entre aldeias...

    ResponderExcluir

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.