06 julho 2008

UM PIO DE TELEFONE COM CARGA DE BATERIA BAIXA É PIOR QUE UMA BOMBA ATÔMICA: PELO MENOS NESTA NÃO SE FICA VIVO.

Se o frio fosse um sentimento, a religião nos salvaria. Mas o frio é uma coisa física tão poderosa que no limite nem mais a partícula elementar da natureza se move. Congela e congelar não é apenas endurecer, é muito mais, é deixar de ter movimento. O frio é, filosoficamente, a antítese do universo, de Deus e tudo o que existe ou deixou de existir.

Isso é o que pensa José Vilmar de Oliveira em seu apartamento de direito descomunal, tantos quartos vazios da prole que teve, menos do que quartos, mas que foi embora. Fora em direção das terras mais tropicais. O apartamento de Vilmar é um verdadeiro zigurate levantado no cimo da serra na cidade de Barra Mansa. Basta a moça do tempo no Jornal Nacional falar que os argentinos despacham uma nova frente fria na direção do sudeste e a cidade vira picolé. Dizem que os cratenses se acostumaram com o frio das madrugadas da chapada, mas aquilo foi apenas uma amostra fugaz do que José Vilmar passa sob a montanha de lençóis, edredons, mantas, cobertores de , cachecóis e etc e etc.

José Vilmar enrodilhando feito caracol sai com as pernas brancas e finas igual um busca-pé em noite de São João na direção da salvação de sua cama de agasalhos. Meias grossas, pijama enfiado nas meias, camisa de mangas compridas passadas na calça do pijama e começa um ritual de dez minutos de duração. Um lençol em tracejado de múmia, um cobertor de por baixo, um edredom por cima, outra camada de cobertor, um cachecol no pescoço, uma boina cobrindo cabeça com orelhas incluídas, um lençol sobre os olhos, relaxa finalmente e pode até pegar no sono.

Pode nada. A modernidade chegou. O telefone sem fio, num móvel próximo da cama mas não o suficiente que o braço alcance, começa a piar dando sinal de bateria fraca. O primeiro pio faz parte do conhecimento, o segundo é um adjetivo, o terceiro quer um desfecho e o quarto o jeito é desfazer o conforto conquistado após trabalhoso dez minutos. Entre a cama e o telefone, no meio um ambiente congelado, pedaços de gelos de palavrões caem nos ouvidos da mulher de Vilmar como pedradas numa Madalena. Com a ira que Deus possui e deu de herança à humanidade, Vilmar acerta a porra do telefone no gancho. Pronto agora este......censurado....vai carregar e parar de piar.

Retorna à mesma penosa tarefa de agasalhar-se. Agora mais eficiente, afinal era a segunda vez da noite e de alguma forma o treino lhe dava velocidade, mas não deixou de refazer todo o rito. O rito finalmente se completa e o homem, novamente conquistador da sua paz, sente-se na ante-sala da noite bem dormida. A mente começa a flutuar como a engatilhar os sonhos daquela noite. E vai escorregando para alguma região onírica, mas a primeira imagem arquetípica é um pio de telefone. Em seguida o pio não era mais sonho e nem sono. Era a realidade queimando a coluna vertebral de tanta insatisfação. Vai não vai. Ir e não ir. Um século de decisão e um rosário de palavras má afamadas de volta ao telefone.

Agora será radical. Aquela imensa câmara fria, denominada quarto de dormir, será o cenário em que Vilmar realizará complicada operação de desconectar o telefone sem fio. Primeiro o fio de alimentação de eletricidade, enrolado no do móvel, uma quina de móvel riscando as costelas, a cabeça testada sua dureza numa cabeçada na tábua da esquina, arrasta móvel, solta o fio, dobra o fio e o frio filosoficamente parando José Vilmar. Após isso vem o fio propriamente do som do telefone. Achar sua caixa, normalmente uma gambiarra feita às pressas para trazer a extensão até o quarto. Após dedos enfiados nas teias de aranha do rodapé, as furadas nalguns pregos remanescentes de antigas fiações, finalmente o buraco e o fio do telefone solto. Arrumar tudo e sair pelo corredor que é mais um tubo de vento da Sibéria em direção à sala. Mas não se deixará vencido por um pio de telefone, sobe as escadas do mezanino e deixa aquele inferno bem longe de sua cama.

De volta à cama, pela terceira vez o ritual de agasalhamento. Se a chateação de refazer a mesma coisa é a tônica, pelo menos está satisfeito. O problema resolveu-se. Não tem mesmo, no mais profundo silêncio da noite, daquele pio, deixado uma porta após a outra e no alto do mezanino aos seus sonhos retornarem. Finalmente como a vida lhe mereceu a paz. A mulher ao seu lado. Sua vida plena, tudo que a sociedade lhe prometera: família, casa e comida. Vilmar naquele contraste, talvez pela primeira vez, se dera conta do quanto era capaz de, pela persistência e pela ação, modificar aquilo que vinha contra si. Na verdade até, para embalar seu sono, pensava num P. Point, com aquelas músicas melosas, que poderia enviar para os amigos dando conta e estimulando-os com a mensagem da persistência. Ele via seu P. Point todo colorido, rosas, imagens de Jesus e finalmente a indefectível mensagem final: E QUE DEUS LHE UMA BOA SEMANA.

PIO.

PUTA QUE PARIU QUE PORRA É ESSA. – Vilmar tão excitado até ficou em na cama.

E a mulher de Vilmar: É O CELULAR NA MESINHA DE CABECEIRA.

Carta do leitor Carlos Pontes - sobre as fotos dos mestres da MPB

Caro Dihelson,
Bela, interessante e charmosa a reportagem visual com nossos virtuosos da música brasileira. E que bom chamá-los de nossos figuras do porte de Jackson do Pandeiro, Noel Rosa, Pixinguinha.
E ainda os contemporâneos Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano, Dominguinhos...
Parabéns Dihelson, essas imagens de fato elas são de encher os olhos. De alegria é claro. Porque afinal, o romantismo (mesmo visual) é um estilo e não um modo babaca de ser (como pensam alguns truculentos e analfas da modernidade).
Abraços
Carlos Pontes
Fortaleza-Ce.


Resposta:

Pois é, amigo Carlos, também vejo dessa maneira. Esses mestres das fotos realmente merecem estar ali, o trabalho deles é grandioso se puder ser observado um a um. Mas não só eles, há muitos outros que ficaram de fora da lista simplesmente por não caber na página. Mas o recado foi compreendido que não devemos abandonar os mestres da MPB ao esquecimento.

Um grande abraço,
Bom Domingo.

Dihelson Mendonça

As Notícias da Semana no Cariri - Coluna Tarso Araújo - Jornal "O Povo"


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Hoje é dia de futebol no Cariri. Crato e Barbalha se enfrentam pela segunda divisão do campeonato cearense de futebol. O Crato está na zona de classificação para a fase final e Barbalha perto da zona de rebaixamento. Jogando em casa, o Azulão do Cariri precisa vencer a Raposa. Será um jogo emocionante.

INSEGURANÇA
Os números da violência são expressivos no Cariri. Na última semana, a Polícia vem trabalhando na desarticulação de quadrilhas que atuam na Região. Em Crato, uma foi desmontada. As quadrilhas que aqui atuam vêm de estados como Pernambuco e Piauí. A polícia do Cariri atua, mas precisa de mais homens, equipamentos e infra-estrutura.

CADÊ O HOSPITAL?
A sociedade até agora está se perguntando quando é que o Governo do Estado vai dar início à construção do Hospital Regional do Cariri. As placas estão lá no lugar, lindas, mostrando a todos que ali será um hospital. Mas as obras nem tiveram início.

APOIO AO PT
Na última sexta-feira, o prefeito de Juazeiro Raimundo Macedo concedeu entrevista coletiva para falar de seu destino político e anunciar novas obras. Sobre a política vai anunciar apoio à candidatura de Manoel Santana (PT) para a prefeitura da cidade. Macedo vai se desfiliar do PSDB, mesmo com o pedido do senador Tasso Jereissati para que ele ficasse. O prefeito de Juazeiro deve ir para um partido da base aliada do governador Cid Gomes (PSB). Esta é uma grande baixa dos tucanos.

FORÇA EM SANTANA
Dos candidatos ligados a base aliada do governo Cid Gomes, José Maia (PSB) de Santana do Cariri é o que mais teve força no período pré-eleitoral. Conseguiu unir em seu palanque os partidos de oposição ao prefeito Pedro Linard, e contra a candidatura de Jesus Werton Garcia (PSDB). Em Santana, José Maia terá força para se opor à Garcia. Será uma briga difícil, com final imprevisível.

GEOPARK
A maior feira de calçados da América Latina, a Francal, conta este ano com um stand do Geopark Araripe, uma parceria do projeto, por meio da Universidade Regional do Cariri (Urca), com a indústria de calçados Góoc. A feira foi aberta no último dia 1º, com a participação também de indústrias de calçados do Cariri, que estiveram visitando o espaço dedicado ao Geopark Araripe, propondo futuras parcerias com o projeto. Segundo o gerente do Geopark, Idalécio Freitas, a recepção do público tem sido muito importante para a divulgação do projeto, além da imprensa de todo o País. Empresas como a Petrobras, Banco Real, Avon, dentre outras estiveram junto ao stand conhecendo um pouco de projeto e de antemão propondo parcerias futuras.

ALIMENTOS
Esta semana, o Restaurante Popular de Juazeiro do Norte recebeu 15 adolescentes do programa Juventude Cidadã. Além de noções de cidadania, eles ajudam no funcionamento do restaurante que oferece mil refeições diárias ao preço de R$ 3,00 sendo 70% subsidiado pelo município e o usuário pagando apenas R$ 1,00 por cada refeição. O equipamento integra a cadeia de reforço alimentar, que incluiu o programa Compra Direta no Banco de Alimentos. No período de maio a junho, o Compra Direta já adquiriu uma tonelada de alimentos distribuída junto a 19 entidades. Com o Banco de Alimentos não é diferente atendendo 17 entidades que receberam 15 toneladas de alimentos em pouco tempo de funcionamento.

ARQUEOLOGIA
Na terra dos dinossauros, dos homens pré-históricos, e de tantos outros personagens históricos, a Fundação Casa Grande - http://www.fundacaocasagrande.org.br - , sediada em Nova Olinda, Região do Cariri realizou na última sexta-feira, dia 4 de julho, o I Seminário de Arqueologia e Educação Patrimonial do Cariri. O evento marcou a assinatura do protocolo de intenções entre a Universidade de Coimbra e a Fundação Casa Grande, e tem apoio institucional da Universidade Regional do Cariri (Urca) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entre os convidados confirmados está a Profa. Dra. Maria da Conceição Lopes, coordenadora do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto (CEAUCP), em Portugal.

CINEMA
O filme O Grão de Petrus Cariry ganhou o prêmio de Melhor Filme no II Festival de Cine de Los Pueblos del Sur, que aconteceu na Venezuela. O filme "Vida Maria" de Márcio Ramos ganhou o prêmio de "melhor animação" e recebeu o também prêmio Unicef, no mesmo festival. O Grão já tem quatro prêmios internacionais, sendo dois prêmios de melhor filme. O Grão já tem distribuição garantida nos cinemas da Venezuela e em DVD na França.

TURISMO
Na última quinta-feira, 3, aconteceu reunião do Fórum de Turismo, Cultura e Esporte do Cariri, na cidade de Mauriti. A diretoria do fórum debateu assuntos como apresentação de propostas de parceria para fortalecimento do Geopark Araripe; agenda para realização do Inventário Turístico do Cariri, pela metodologia do Ministério do Turismo (Invitur); e esclarecimentos sobre o edital do Ministério do Turismo para projetos de turismo comunitário.

RETORNO
Depois de passar um ano na Alemanha (sua terá natal), a Irmã Ideltraut Lerch (ex-diretora do Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha) retornou semana passada à região do Cariri, onde tem uma larga folha de serviços prestados, sendo recebida no aeroporto regional em Juazeiro, com grande manifestação de carinho, por parte de centenas de pessoas de diferentes camadas sociais, que foram recepcioná-la.

Fonte: Jornal O POVO
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Invenção de Cearense esperando patente - Hoje no DN

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Nos moldes das antigas charretes, o triciclo é autorizado a conduzir até dois passageiros (Foto: Natércia Rocha)

Sobral. “Ele está sentado sobre uma mina de ouro e não sabe”, diz um cliente do mercadinho da família de Ricardo Araújo Gomes, 32 anos, que, literalmente, transformou a própria vida e a dos pais, em busca do sonho de ver sua criação, um triciclo adaptado para entrega de mercadorias e transporte de passageiros, circulando a todo vapor pelas cidades do Ceará. O invento está em processo de patente.

O estudante de Biologia morava com pai e mãe no município de Bela Cruz, vendendo móveis em consignação com a fábrica e se virando para realizar as entregas. Até que um dia, cansado de sofrer, adaptou um reboque nos moldes das já conhecidas estruturas para motos, em forma de triciclo tracionado, mas que possuem sistema de freio em apenas uma roda, e não oferecem nenhum domínio para o condutor.

Com tantos problemas, a primeira experiência não durou muito tempo. “Daquele jeito era inseguro, puxava para o lado, era desconfortável, apresentava dificuldades na frenagem, principalmente nas curvas. Eu sabia que podia ser melhor”, diz Ricardo.

Foi então que, adaptando daqui, ajustando dali, chegou ao produto final desenvolvendo uma “disposição construtiva”, aplicada na suspensão traseira da moto, com estrutura tipo triciclo, com diferencial nos eixos traseiros. As mudanças trouxeram, de imediato, melhoras nas condições de segurança, estabilidade e conforto do motorista. “Quando fiz a adaptação, comecei a ter prejuízo nas vendas, porque os comerciantes queriam comprar o triciclo ao invés dos produtos”, relembra o inventor.

Com processo de patente em andamento, Ricardo Araújo garante que o prático “carrinho” com sistema de freios nas três rodas, além de eficaz em pequenas entregas, tem baixíssimo custo de manutenção e ainda roda de 28 a 30 quilômetros com um litro de gasolina.

“Quando chegou ao conhecimento do Centec, recebi proposta para vir morar em Sobral encubando a empresa. Vendemos a casa da família no interior e viemos para Sobral acreditando nesse projeto. Eles me ajudaram na situação de emplacar, há um galpão onde instalei as máquinas, mas o projeto ainda não foi para frente por falta de investimento para vender o produto financiado”, lamenta, por enquanto, Ricardo. “Está demorando pra vingar. Agora, o que eu mais quero, é ter lucro para devolver a casa deles”, diz.

Hoje, comerciantes, empresas ou fábricas que dispuserem de uma moto CG, e pouco mais de R$ 6 mil, podem ter acesso a uma das soluções mais simples e eficazes para transportar o que a imaginação ou a necessidade sugerirem.

Nos moldes das antigas charretes, o triciclo ainda sem nome, e que não passa despercebido por ninguém, também tem autorização para conduzir até dois passageiros, desde que usem capacetes.

Perseverança

“Hoje moramos de aluguel em outra cidade e continuo na batalha vendendo objetos de porta em porta, fazendo fretes ou entregando panfletos. Estou com dois anos trabalhando com esse triciclo e, até hoje, graças a Deus, nunca deu problema. Pena que o mercado ainda desconhece toda capacidade dessa moto”, ressalta, perseverante, o criador.

Mais informações:
Ricardo Araújo (88) 9902.8532

Natércia Rocha
Repórter