23 junho 2008

Reflexão sobre a Natureza Humana. Por Haroldo Ribeiro.


A pessoa jamais deveria fazer reflexão, só serve para torná-la infeliz, sem fazê-la melhorar ou torná-la mais sábia; faz com que lamente os bens passados e a impeça de gozar o presente; Apresenta-lhe o futuro feliz, a fim de, pela imaginação, seduzi-la e atormentá-la pelos desejos, mostrando-lhe também o futuro infeliz a fim de, antecipadamente fazê-la sentir. As pessoas que vivem numa ignorância racional, limitam sua curiosidade à extensão dos ensinamentos que receberam, nunca vão além das limitações adquiridas pelas imposições sociais, que são paradoxalmente tiranas e de falso pudor, nunca buscam inovações ou criatividade. Por exemplo: A sociedade impõe um homem “honesto”, sim e daí? De que serve na sociedade um só honesto mas sem talento? Apenas um fardo inútil, uma carga no mundo, etc... determinado apenas a cumprir o processo de procriação da espécie; por isso, quando refletimos, não nos contentamos com aqueles que têm a sina apenas da manutenção da espécie.

A extrema desigualdade na maneira de viver; O excesso de ociosidade de um; O excesso de trabalho de outra; A facilidade de irritar-se e de satisfazer nossos apetites e nossa sensualidade; Os alimentos muito sofisticados e que determinam tantas indigestões; As tristezas; As situações frustres; O esgotamento mental; São todos indícios de que a maioria dos nossos males são obra nossa, e que teríamos evitado se tivéssemos conservado a maneira simples, e prescrita pela natureza.

O cavalo, o gato, o touro, o próprio asno têm, na maioria, uma constituição mais robusta, mais vigor, força e coragem quando na floresta do que em nossas casas; perdem a metade dessas vantagens tornando-se domésticos e pode-se mesmo dizer, que todos os nossos cuidados para tratar bem e alimentar esses animais, só conseguem enfraquecê-los e torná-les: os menos resistentes. Acontece o mesmo com as pessoas. Tornando-se sociável e escravo dos dogmas moralistas do comportamento, acaba por debilitar ao mesmo tempo a força, e a coragem de enfrentar o novo, e os anseios de um porvir ainda não vivido, e como já dizia o velho Freud, "Em algum lugar na criança, em algum lugar no adulto, há um núcleo duro irredutível, obstinado de razão biológica, que a cultura não pode alcançar e que se reserva o direito, e o exercerá mais cedo ou mais tarde ( gosto dessa parte), de julgar a cultura, de resistir, de revisá-la".

Por: Haroldo Ribeiro - Médico e Músico.

POVO E ARTISTAS DO CARIRI ACORDA TEU CORAÇÃO

Duas coisas que cultura não é: a) a manifestação isolada de artistas e intelectuais e b) os meios que divulgam a cultura. No primeiro caso se trata, no mundo capitalista, de aspectos ligados ao trabalho, ao trabalhador ou seja, a quem vende seu trabalho no mercado. No segundo caso, igualmente no mundo atual, de um produto que se compra e vende no mercado. Ambos existem como categoria histórica e embora não se possa ter cultura sem tais coisas, um tempo houve que não foi assim e um haverá de existir que assim não será. Então se queremos falar de aspectos teleológicos da cultura, em outro pensamento se encontra.

Duas coisas que cultura é: a) a apreensão da realidade pela humanidade e b) a linguagem humana com a qual se manifesta com sua contemporaneidade em relação às suas percepções intergeracionais. Por isso qualquer apreensão, embora uma qualidade de tempo e espaço de cada povo, não se resume ao modo de adjetivá-las, tentar criar selos de qualidade que afinal são o modo "preconceituoso" com o qual um povo classifica o outro. Os europeus viam a cultura africana e ameríndia como algo primitivo, puramente atrasado e sem valor estético. Aí vieram os cubistas com toda modernidade da arte, inclusive Carl Jung com O Homem e seus Símbolos e tudo se pôs no lugar do não colonialismo. O mesmo argumento se aplica à cultura como linguagem humana, sem a universalidade do pensamento, sem a apreensão da complexidade do mundo e da sua cristalina simplicidade (vejam bem intelectualidade nos tempos atuais é um mero padrão de qualidade, um selo de escolaridade) não se pode compreender o outro. E outro é a base da comunicação. Portanto, neste sentido, cultura é ao mesmo tempo estética (relativa a tempo, espaço e povo) e ética (relativa ao outro).

Agora ao que vem isso tudo. No seguinte sentido: não se formam artistas sem povo e não se constrói comunicação deste povo sem a conquista do espaço de comunicação. Ao falar de conquista é claro que falo em luta, mas é preciso entender a luta necessária em cada tempo. E a luta do tempo no MEU CARIRI é a luta pela expressão do imenso patrimônio que existe (não é só dos outros ou do folclore é de cada humano da região inclusive artistas e políticos) e criação de um público que interaja com a elaboração cultural. No meu entender alguns pontos são necessários:

a) os atuais candidatos a Prefeito (especialmente o Samuel que deseja a reeleição) deveriam elaborar um projeto cultural que financie as manifestações artísticas locais (especialmente os artistas) considerando a liberdade de criação e manifestação; a troca com outras culturas (oficinas, amostras, shows etc.) e pricipalmente a formação de público, especialmente nas escolas. No meu entender a prefeitura tem que criar uma grade de eventos regulares de manifestações culturais variadas (fotografia, música, pintura, escultura, poesia, literatura, teatro etc.) que tanto pode ser intinerante nos espaços da própria escola como podem ser eventos que congreguem várias escolas e os seus familiares.

b) os artistas do Crato (Cariri) têm que politizar os espaços de manifestações e expressão cultural. Para isso duas contradições devem ser superadas de cara: a disputa por hegemonia de grupos e a arapuca da "farinha pouca meu pirão primeiro". Em seguida mapear os espaços, as fontes de financiamento, as oportunidades não exploradas e criar um roteiro político de ocupação da cultura local. Volto ao tema da EXPOCRATO: aquele é um patrimônio público e da região e não cabe a um só organizador organizar o que é de todos. Os artistas locais devem ter força, conquistada por eles mesmos, na agenda do referido evento.

c) a cultura cearense não existe sem a cultura caririense. O Ceará não terá a mesma força de expressão de Pernambuco e Bahia se não juntar o litoral com o interior. E quando falo em juntar quero dizer de expressão, não de concessão, mas da verdadeira força da voz do Cariri e ela só aparecerá neste pântano de silêncio com a unidade política entre povo, artista e os políticos regionais.

Foto do Dia: Colegas do Blog do Crato se reúnem na Praça Siqueira Campos

Por uma feliz coincidência, foi registrada essa foto há poucos dias na praça Siqueira Campos; Da esquerda para a direita: Roberto Jamacaru, João Nicodemos, Dihelson Mendonça e Pachelly Jamacaru, que se recupera de umas cirurgias no pé.

Foto: Lania Brito.

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