19 maio 2008

Parabéns Dihelson!!!!!


O Pianista e compositor cratense Dihelson Mendonça, um dos mais festejados compositores da música instrumental e respeitado no meio musical em todo o Brasil, obteve classificação no V Festival de inverno da Serra da Meruóca-CE. Dihelson Mendonça, cujo repertório abrange desde a Música Clássica, o Jazz, e a MPB, está também gravando seu primeiro álbum instrumental "A Busca da perfeição", possui na música popular, diversas parcerias com letristas, tais como Haroldo Ribeiro e Sílvia Bezzato. A música classificada chama-se: "Ao velho Tom" , foi composta em parceria com a letrista Sílvia Bezzato, de Fortaleza. A composição "Ao velho Tom" é uma bossanova, bem ao estilo dos grandes clássicos do Tom Jobim, e é dedicada a ele inclusive. Na apresentação do festival, Dihelson Mendonça contará com formação semelhante à usada por Tom Jobim, com as 4 cantoras vocalistas, flauta, violão, contrabaixo, bateria, e a orquestra de cordas. O próprio Dihelson Mendonça será o cantor/intérprete e pianista. O seu CD, a Busca da Perfeição, conforme sempre ressalta o autor, tem o patrocínio do BNB - Banco do Nordeste do Brasil e pede que divulguemos a logomarca do banco dessa matéria.



Eu Quero meu Sertão de Volta ! - Por: Anselmo Alves

EU QUERO O MEU SERTÃO DE VOLTA

Anselmo Alves

Produtor cultural

Nos últimos dez anos tenho viajado freqüentemente pelo sertão e assistido, não sem revolta, a um processo cruel de desconstrução da cultura sertaneja com a conivência da maioria das prefeituras e rádios do interior. Em todos os espaços de convivência, praças, bares, e na quase maioria dos shows, o que se escuta é música de péssima qualidade que, não raro, desqualifica e coisifica a mulher e embrutece o homem. O que adianta as campanhas bem intencionadas do governo federal contra o alcoolismo e a prostituição infantil, quando a população canta 'beber, cair e levantar', ou 'dinheiro na mão e calcinha no chão' ? O que adianta o governo estadual criar novas delegacias da mulher se elas próprias também cantam e rebolam ao som de letras que incitam à violência sexual? O que dizer de homens que se divertem cantando 'vou soltar uma bomba no cabaré e vai ser pedaço de puta pra todo lado' ? Será que são esses trogloditas que chegam em casa, depois de beber, cair e levantar, e surram suas mulheres e abusam de suas filhas e enteadas?

Por onde andam as mulheres que fizeram o movimento feminista, tão atuante nos anos 70 e 80, que não reagem contra essa onda musical grosseira e violenta? Se fazem alguma coisa, tem sido de forma muito discreta, pois leio os três jornais de maior circulação no estado todos os dias, e nada encontro que questione tamanha barbárie. E boa parte dos meios de comunicação são coniventes, pois existe muito dinheiro e interesses envolvidos na disseminação dessas músicas de baixa qualidade. E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos? Quando Luiz Gonzaga e seus grandes parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas criaram o forró, não imaginavam que depois de suas mortes essas bandas que hoje se multiplicam pelo Brasil praticassem um estelionato poético ao usarem o nome forró para a música que fazem. O que esses conjuntos musicais praticam não é forro! O forró é inspirado na matriz poética do sertanejo; eles se inspiram numa matriz sexual chula! O forró é uma dança alegre e sensual; eles exibem uma coreografia explicitamente sexual! O forró é um gênero musical que agrega vários ritmos como o xote, o baião, o xaxado; eles criaram uma única pancada musical que, em absoluto, não corresponde aos ritmos do forró! E se apresentam como bandas de 'forró eletrônico'! Na verdade, Elba Ramalho e o próprio Gonzaga já faziam o verdadeiro forró eletrônico, de qualidade, nos anos 80.

Em contrapartida, o movimento do forró pé-de-serra deixa a desejar na produção de um forró de qualidade. Na maioria das vezes as letras são pouco criativas; tornaram-se reféns de uma mesma temática! Os arranjos executados são parecidos! Pouco se pesquisa no valioso e grande arquivo gonzaguiano. A qualidade técnica e visual da maioria dos cds e dvds também deixa a desejar, e falta uma produção mais cuidadosa para as apresentações em geral. Da dança da garrafa de Carla Perez até os dias de hoje formou-se uma geração que se acostumou com o lixo musical! Não, meus amigos: não é conservadorismo, nem saudosismo! Mas não é possível o novo sem os alicerces do velho! Que o digam Chico Science e o Cordel do Fogo Encantado que, inspirados nas nossas matrizes musicais, criaram um novo som para o mundo! Não é possível qualidade de vida plena com mediocridade cultural, intolerância, incitamento à violência sexual e ao alcoolismo! Escrevendo essas linhas, recordo minha infância em Serra Talhada, ouvindo o maestro Moacir Santos e meu querido tio Edésio em seus encontros musicais, cada um com o seu sax, em verdadeiros diálogos poéticos! Hoje são estrelas no céu do Pajeú das Flores! Eu quero o meu sertão de volta! Ainda bem que podemos contar com Flávio José, apontado por Dominguinhos como seu herdeiro; o patriarca Antônio Barros com suas Cecéu e Maíra; Santanna Cantador, natural de Juazeiro de Padre Cícero e com um timbre muito semelhante ao de Gonzaga; e outros astros do forró de pé de serra, para os quais a vulgaridade do duplo sentido pornográfico das 'bandas' eletrônicas (como a Calcinha Preta) não é somente uma questão de decência, mas de sobrevivência, impedindo que o forró de pé de serra seja sepultado no sertão pelo comercialismo urbano das bandas de Emanoel Gurgel.


Enviado por:

José Nilton Mariano Saraiva

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I MOSTRA DE ARTISTAS GLBTT DO CARIRI

I MOSTRA DE ARTISTAS GLBTT DO CARIRI

EDITAL PARA INSCRIÇÃO DE TRABALHOS

A I MOSTRA DE ARTISTAS GLBTT DO CARIRI é uma atividade da Parada do Orgulho GLBTTT do Cariri da Diversidade realizada pelo Grupo de Apoio a Livre Orientação Sexual do Cariri – GALOSC em parceria com outras entidades. Tem como objetivo principal dar visibilidade e criar redes de interação entre artistas gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros da Região do Cariri e de outras localidades.
A referida mostra acontecerá no SESC de Juazeiro do Norte, no período de 26 a 30 de junho de 2008 e poderão ser inscritos trabalhos de diversas modalidades artísticas, tais como, música (composições, números musicais ), poesia e cordel (exposições, performances) , filme, fotografia, teatro, pintura (em tecido, madeira, cerâmica, argila, quadro, painel etc.), dança, artesanato (bordados, crochês, bonecas, bijuterias, roupas, bolsas, etc.), todos realizados por artistas GLBTT ou no caso de trabalhos relacionados a teatro e dança que os grupos possuam membros participantes GLBTT.

As inscrições serão gratuitas e poderão ser realizadas no período de 20 de maio a 14 de junho de 2008 na Secretaria Provisória da Parada do Orgulho GLBTT do Cariri da Diversidade localizada na sede do GALOSC situada na Rua Leão XIII, nº 1016, Apto. 202 – 2º andar, Bairro Salesianos, Juazeiro do Norte-Ce, no horário de 9:00h às 11:00h ou no Sindicato dos Docentes da URCA – SINDURCA localizado na Universidade Regional do Cariri, Rua Cel. Antônio Luiz, 1161, Bairro Pimenta - Crato-CE.

No ato da inscrição o artista deverá preencher ficha de inscrição e apresentar proposta de trabalho artístico por escrito.

Atenciosamente,

GALOSC.

mais informações pelo email: glbttcariri@yahoo.com.br

Blog precisa ser jornalismo?

Uma das grandes discussões recentes na Internet é a suposta falta de confiabilidade dos blogs. Assim, quem quiser passar respeito teria de se apossar dos preceitos do bom jornalismo para garantir qualidade de informação e, dessa forma, se legitimar. Mas será que é uma obrigação? Ou melhor, será que todos os blogs devem agir assim? É preciso lembrar que preocupações com procedência e qualidade devem ser levadas em conta para avaliar qualquer tipo de provedor de conteúdo. Um jornal ou revista estar há anos no mercado é um fator importante, mas não é só por fama que se faz credibilidade. Sabemos de manobras de meios de comunicação para favorecer certos grupos ou pressionar outros. E qualquer um que queira divulgar uma informação, seja onde for, pode escolher mostrá-la da forma como lhe convém. Ou tomemos como exemplo a frase de Assis Chateaubriand a seus empregados: "Quem quer ter opinião, que compre um jornal!". Hoje grandes veículos impressos (New Yorker, Economist etc.) são reconhecidamente de alta qualidade, e podem continuar daqui a 10, 20 anos. Mas não só tendem a migrar para a Internet, como tantos outros devem morrer. E bons jornalistas também devem migrar para a web, que vai revelar outros tantos talentos sem serem chamados de jornalistas (seriam blogueiros?Interneteiros? Ou simplesmente escritores?).

A recente competitividade e a decadência do mercado da mídia impressa fazem com que redações sejam enxugadas e jornalistas experientes sejam cortados em prol de jovens mais baratos. A necessidade de vender é inversamente proporcional ao condão do conteúdo e, particularmente na cobertura de cultura, as assessorias de artistas é que parecem pautar as redações. Isso não faz com que grandes da imprensa se tornem irrelevantes de um dia para outro. Mas é engraçado que clamem credibilidade quando vemos que a qualidade atual nem sempre acompanha a campanha. Esses fatores não impedem que tais veículos continuem nos trazendo boas análises e matérias de alto gabarito ― escritas tanto por profissionais jovens quanto por experientes. Nem são motivo para já darmos aos blogs a coroa de reis da informação. Afinal, também é possível encontrar uma enormidade de baboseiras e baixo nível na rede ― e em maior quantidade. Muitos blogueiros sentam na cadeira da comodidade antes sequer de serem relevantes. A ignorância pode nascer em qualquer lugar. Mas vale lembrar que nomes de referência no jornalismo sem terem se formado em tal (Daniel Piza, Ruy Castro, Sérgio Augusto, Paulo Francis). Por que algo semelhante não pode acontecer na Internet? De longe, parece que a grande imprensa está tremendo com a possibilidade de que seu status quo, sua imponência, sua relevância, sua postura de quinto poder ― o que leva inclusive à arrogância e a um "não me toques" ― estar tomando um enorme baque, nunca antes sentido.

Blog não é só gerar opinião ou informação, mas também é troca. São criadas interações com o leitor, bem como redes de contato. É uma relação bastante diferente do antigo jornalismo. No primeiro caso, quem lê pode opinar. Se isso por um lado é bom, pois é possível contestar o autor, por outro gera excessos nas atitudes, até irracionalidade e agressividade dos comentaristas, o que leva a um maior controle dos comentários ― um contra senso à idéia de liberdade que a rede dá. Algo nesse sentido saiu em recente pesquisa e já gera incômodo por parte dos promotores de conteúdo. Na geração de comunidades, novo paradoxo: a criação de "amigos", que se visitam, pode gerar apatia, falta de contestação, mas também promove retroalimentação e constante troca de idéias. E não só de blogs se faz Internet, mas também de portais, sites, fóruns e afins. A seu favor está a ampliação do texto: vídeos, fotos, links, áudio e comentários podem complementar e enriquecer o que é exposto. Um grande texto continuará um grande texto, mas se estiver munido de mais atrações, melhor ainda.

Para responder à questão exposta no título e no primeiro parágrafo, creio que blog não precisa, necessariamente, ser jornalismo. É apenas mais uma (democrática) ferramenta de comunicação: por que deve ter apenas uma maneira "correta" de ser usado? Por que não pode ser simplesmente um "diário adolescente"? Ou um local para expor pensamentos? Existem milhares de possibilidades. A aproximação ao que se entende por jornalismo vai depender do que se propõe expor e do preparo do blogueiro. Como leitor, me baseio na própria experiência: acho que para certos assuntos é necessário que haja profunda pesquisa e levantamento de diferentes versões de um fato. Principalmente em assuntos mais "pesados" ou que necessitem de fontes que não estão à disposição na Internet ― e é claro que um jornalista gabaritado ajuda a legitimar. Mas quem não for conhecido ou formado pode, aos poucos, se firmar como referência (lembram-se do "não-jornalistas" há alguns parágrafos?). Em temas de menor relevância, sem que se precise de fontes off-line, não vejo a necessidade desse tipo de atuação. E para assuntos mais específicos, de nicho, um jornalista dificilmente conseguiria cobrir de forma tão eficiente quanto uma pessoa que trabalha com o tema ou que o tenha como um hobby sério.

À medida em que é possível organizar o enorme conteúdo da Internet (via feeds, newletters etc.), podemos ter somente a informação que queremos. Em vez de uma dezena de cadernos com centenas de artigos, selecionaremos qual assunto queremos, que tipo de análise, de quem e com que freqüência. É o fim daquele amontoado de papel inútil; esse formato deverá permanecer por alguns anos, mas é possível que sirva para textos maiores, grandes reportagens e análises ― quem sabe até se aproximando de um formato de revista ― e com pequenas tiragens. A queda nas vendagens e anúncios mostra que o jornal físico como conhecemos está em decadência. Há quem justifique sua existência ainda por uma suposta "praticidade": "é mais fácil de ler", "é bom pra ler no café", "dá pra ler deitado", "levo no banheiro", etc. Bem, não passo a maior parte do tempo nem tomando café, nem deitado, muito menos no banheiro, mas sim na frente de um computador. E prefiro que as informações me cheguem organizadas por categoria ― posso bater o olho nos títulos e saber de antemão o que pode me interessar. A realidade mostra que os argumentos pró papel são cada vez mais fracos.

A Internet parece amedrontar muitos jornalistas: a perspectiva do desconhecido à espreita do conforto. A grande diferença hoje entre blogueiros e jornalistas vem daí: os primeiros nada têm a perder; em geral têm empregos fixos, escrevem por escrever e estão crescendo com a mudança. Já os segundos têm tudo a perder: o formato em papel está acabando, sua relevância já não é mais a mesma, seus empregos estão em risco e muitos enfrentam dificuldade com tecnologia. Talvez haja receio de terem de se tornar empreendedores, procurar novas oportunidades na rede e fora dela em detrimento a posições cômodas nas redações dos grandes jornais. Só não percebem o básico: o bom jornalista tem formação e talento como diferenciais ― só falta descer do salto, usar a criatividade e desbravar novas oportunidades.


Rafael Fernandes - do site http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2511
São Paulo, 9/4/2008