30 abril 2008

2ª EDIÇÃO DA MOSTRA CURTAS CARIRI TERÁ INÍCIO NO DIA 01 DE MAIO.

A Mostra Curtas Cariri é um evento pioneiro que, desde sua primeira edição em 2007, traz ao interior do Ceará uma amostra da produção cinematográfica nacional em curta-metragem, com programação totalmente gratuita, valorizando a regionalidade como linguagem e celebrando a diversidade cultural do país.

Neste segundo ano a MCC, evento realizado pelo Coletivo Malungo, Jaraguá Filmes e a AAC-Associação Audiovisual do Cariri, será exibida concomitantemente em três cidades da Região do Cariri. Crato (Auditório da RFFSA), Juazeiro do Norte (CCBNB) e Nova Olinda (Fundação Casa Grande) receberão a programação de filmes, oficinas, debates e shows nos dias 01, 02 e 03 de maio de 2008.

O homenageado do evento será Seu Zé Sozinho, pernambucano radicado em Caririaçu, que bem representa a vocação audiovisual do Cariri, há quase 40 anos, exibindo filmes em praça pública.

A Mostra acontecerá nos dias 01, 02 e 03 de maio de 2008, simultaneamente nas cidades de Crato (Teatro da RFFSA), Juazeiro do Norte (Centro Cultural Banco do Nordeste) e Nova Olinda (Fundação Casa Grande), com uma programação que incluirá além dos filmes selecionados para os 4 programas do evento, mesa-redonda, palestras, oficinas e shows.

Os Programas:

- Mostra de 1 min: Curtas-metragens inquietos, inventivos, criativos e questionadores, que faz um apanhado da recente produção de vídeos experimentais dos novos realizadores do Cariri.

- Mostrinha: Esse programa dedica sua programação às crianças e tem como foco despertar nas crianças o interesse pela sétima arte.

- Mostra Curta Cariri / 100 Canal: Esse programa tem curadoria de Hélio Filho, gerente da TV Casa Grande, que selecionou 12 vídeos com trabalhos em audiovisual desenvolvidos pelos meninos da instituição.

- Mostra Curta Brasil: A Mostra Curta Brasil tem por característica a apresentação de filmes que obtiveram destaque na cena audiovisual brasileira e, com isso, faz um recorte da recente produção em curta-metragem nacional.

Programação:

Dia 01 de maio:
- 16h Abertura do evento.
- Palestra do Zé Sozinho(Homenageado da Mostra)
- 16h Mostra de 1 min.
- 17h Mostrinha.
- 18h Mostra Curta Cariri / 100 Canal.
- 19h Mostra Curta Brasil.

Dia 02 de maio:
- 16h Mostra de 1 min.
- 17h Mostrinha.
- 18h Mostra Curta Cariri / 100 Canal.
- 19h Palestra com os Meninos da TV Casa Grande.
- 19h Mostra Curta Brasil.


Dia 03 de maio:
- 16h Mostra de 1 min.
- 17h Mostrinha.
- 18h Mostra Curta Cariri / 100 Canal.
- 19h Mostra Curta Brasil.
- 20h show de encerramento.


Mais informações:
Jaraguáfilmes
docariri@gmail.com
(88) 9619.1898
(88) 3521.3382

Apoio:
Soma9
Arte Mídia

Por: Dihelson Mendonça
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A tortuosa estrada do sonho...

Ali estava bem na sua frente e era um deslumbramento. Parara ofegante e atônito, como um menino que balbucia as primeiras palavras de amor para a namorada. Saíra com a inglória missão de comprar um presente para o aniversário do filho, esta difícil e impalpável arte de calçar a matéria no sonho alheio. De repente, diante dos seus olhos, como se pronunciasse o abracadabra ou o abre-te-sésamo aparece o objeto de todos os desejos da sua já distante infância.
Fôra pirralho pobre e desde cedo precisara aprender a inventar os seus próprios brinquedos. A duras penas , aprendera a fazer o pião com um tronco de goiabeira e um prego; o “triângulo”, mais simples , o precedera, quando entortou a extremidade de um arame e afiou a outra ponta numa pedra de amolar facas. Depois viera o caminhão, doce enlevo da sua meninice, que fabricara desfazendo uma velha caixa de madeira e dela construiria todos os módulos: a boléia, a carroceria, as rodas ( a mais difícil tarefa) e até os amortecedores -- feitos das aspas metálicas que recobriam a caixa e que davam ao carrinho um discreto molejo, tão importante para as manobras mais radicais. As bolas de gude ( de aço ,as preferidas) eram conseguidas dos mecânicos da redondeza, que as tiravam de rolamentos “gripados”. Depois vieram os carrinhos de rolimã , os patinetes construídos com tábuas e rolamentos, que eram o terror do sono de todos os vizinhos Fez-se clone de Ícaro ,também , montando “pipas” com papel celofane, pedaços de madeira e “grude de goma”. Os “papagaios”, ao serem empinados, como que alçavam aos céus o dourado enleio da sua infância ( enleio que um dia se perdeu no espaço, ao ser cortado pelo brusco cerol da adolescência). .
Uma vez , pisando na sombra do pai, tinha tido um encantamento igual ao de hoje : diante de si um ônibus feito artesanalmente, de quase meio metro, com inúmeras cadeiras no seu interior , as laterais fabricadas de lata e pintadas, onde se lia, em letras transversais: “Viação Cometa”. Lembra, como se fora ontem, atanazara tanto o pai para comprar aquela maravilha, que terminou por ganhar o mais comum presente do seu tempo: uma surra monumental.
Hoje, no entanto, se sentia o mais feliz homem do mundo: podia dar ao filho o mais almejado presente da sua vida de guri. Comprou-o, trêmulo, como se tivesse voltado trinta anos . Cerrou os olhos um pouco, enquanto o vendedor lhe trazia o troco, e se viu apenas de calção listrado, com barbante na mão, à guisa de volante, e dirigindo cuidadosamente aquele ônibus que por tantos e tantos anos foi o cometa de todos os seus desejos. O tilintar do troco no balcão o fez viajar , num átimo, três décadas de volta. Tomou do embrulho valioso e partiu célere para casa, na expectativa de ver ,nos olhos do filho, a felicidade que poderia ter brilhado nas suas próprias retinas tantos anos atrás...
Mal abre a porta, berra, ofegante :
---Filho, olha o presente de aniversário que eu trouxe prá você!
O menino corre e rasga o invólucro, vorazmente, sem nenhum critério artístico. De repente emerge do papel picotado , o ônibus reluzente. O filho , porém, não reluz como o ônibus, o olha sem entusiasmo e pergunta, sem graça:
---- Pai, o que é que ele faz, hein? Tem controle remoto, anda sozinho?
O pai, triste,surpreso, ainda pensou em explicar que aquele carrinho fazia tudo: andava sozinho, corria, subia ladeiras e rampas, até voava e tinha controle remoto sim: A imaginação. Mas já não adiantava, o guri, hipnotizado, agora fixava seu pensamento apenas no video-game e o sonho de infância do pai estava ali jogado no chão em total desamparo --- um ônibus que capotara , perdera em algum lugar a sua força lúdica, e era agora um veículo enferrujado, obsoleto , sem rumo claro e sem destino previsível...

J. Flávio Vieira

Um trem chamado Cariri



Texto: Carlos Rafael (especial para o Blog do Crato)
Foto: Antonio Vicelmo, para o Diário do Nordeste



Nesta matéria, o termo Trem do Cariri tem significado mais amplo, pois alcança a dimensão simbólica, presente no inconsciente coletivo local: o imenso desejo (ou um bonde chamado desejo) de ver o Cariri cada vez mais cosmopolitano.
Para tanto, muitos desafios e mitificações simplórias terão que ser superados.
Primeiro, capengam os que acham que o Cariri vem perdendo o trem da história. Para isso, apresentam cifras, percentuais e números comparativos entre o Cariri político e econômico de hoje e de cem anos atrás. Isso é ver o futuro com as lentes do passado. Esquecem o Cariri pujante, de hoje, pulsante, de sempre, alijando sua dimensão extemporânea, presente no cotidiano de um povo caririzeiro que tem expressão própria.
Segundo, nossa identidade é caririense, unindo diversas outras referências, como a pequizeira do Crato, a romeira do Juazeiro, a rapadureira de Barbalha e tantas outras que têm também suas especificidades. Não há mais espaços para bairrismo tolo. O Cariri é um todo e só assim ele se manterá nos trilhos da história.

Este é um novo tempo para o Cariri. É preciso, pois, ficarmos atentos, sob pena de perdemos o bonde da história.

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Foto: Dihelson Mendonça
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Teste

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