29 fevereiro 2008

Crato nasceu do ideal franciscano - por Armando Rafael

A Mãe do Belo Amor, primeira imagem da Virgem Maria venerada na capelinha construída por Frei Carlos Maria de Ferrara, na Missão do Miranda (origem da atual cidade de Crato). Esta imagem ainda existe, em perfeitas condições, na Catedral de Nossa Senhora da Penha. (foto de Jackson Bantim).

Os historiadores são unânimes em reconhecer que, antes de 1740, já possuía o Vale do Cariri certa densidade demográfica, embora não existisse ainda nenhum aldeamento ou povoado considerável. Por volta de 1741, surgem os primeiros registros de um aldeamento dos índios Cariús, pertencentes ao grupo silvícola Cariri. Era a Missão do Miranda, fundada por Frei Carlos Maria de Ferrara, religioso franciscano, nascido na Itália. Este frade ergueu, no centro da Missão, uma humilde capelinha de taipa (paredes feitas de barro) coberta com folhas de palmeiras, árvores abundantes na região. O santuário foi dedicado, de maneira especial, a Nossa Senhora da Penha, a São Fidelis de Sigmaringa e à Santíssima Trindade.
Em volta da capelinha, ficavam as palhoças dos índios. Estes, além de cuidarem das plantações rudimentares, recebiam os incipientes ensinamentos da fé católica, ministrados por Frei Carlos. Aos poucos, nas imediações da Missão, elementos brancos foram construindo suas casas. Era o início da atual cidade do Crato.
Quanto à duração da presença dos capuchinhos no Vale do Cariri transcrevemos abaixo trecho de um artigo escrito pelo historiador J.de Figueiredo Filho:

“Não era só jesuíta que tinha o sangue de evangelizador das selvas. Os frades barbadinhos de São Francisco tiveram na colonização, grande papel e foram suas missões que civilizaram “o mais brasileiro dos rios”. Vejamos o que diz o historiador cratense, Padre Antônio Gomes de Araújo no trabalho publicado na revista “A Província” sob o título: “A Cidade de Frei Carlos” (nº. 2, 1954): “A missão, sob administração temporal dos Capuchinhos, durou (no Cariri) apenas 17 anos, se nos ativermos ao critério dos documentos, um dos quais, aponta uma das datas extremas, 1741 – segundo ficou escrito linhas atrás, (começo de seu artigo na revista “A Província”) – 1758, a outra data extrema, pois naquele ano, o governo português retirou às ordens religiosas no Brasil, a todas sem exceção, e ao clero secular, autorização para administrarem aldeias de índios sob regime civil, criando para dirigi-las, o Diretório dos Índios, governo civil em que aos sacerdotes foi reservada a única função de párocos ou curas.

Os capuchinhos continuaram à frente da Missão do Miranda, agora como cura de almas, apenas até a primeira quinzena do mês de janeiro de 1763, tendo Frei Carlos Maria de Ferrara funcionado até 1749, e deste ano a 1760, Frei Gil Francisco de Palermo, que foi sucedido por Frei Joaquim de Veneza, cuja administração alcançou a primeira quinzena de janeiro de 1763, data da última cerimônia religiosa por ele celebrada na igreja de Nossa Senhora da Penha da Missão do Miranda”. (
J.de Figueiredo Filho em artigo publicado, em 1956, na revista “A Voz de S.Francisco”).

A Câmara dos Deputados mantém disponível o sistema FISCALIZE, tendo por fonte dados do SIAFI, que possibilita consultas relativa às TRANSFERÊNCIAS DA UNIÃO para Unidades da Federação e Municípios, é apresentada consulta detalhada (ex.: FPM/FPE, merenda escolar, saúde, transferências voluntárias, etc.), para cada Município ou Estado/DF favorecido, contendo a relação das transferências da União, com dados mensais e acumulados. Para quem desejar saber a posição posição do Município do Crato no mês de janeiro/08 segundo o portal da câmara dos deputados é só acessar o página:
http://www2.camara.gov.br/orcamentobrasil/fiscalize/transferenciauniao/municipios/executa.pdf?anomes=01%2F2008&uf=CE&municipio=1385



Declaração de Amor ao Crato - Por Luiz Claudio Brito de Lima

Caro Dihelson Mendonça e conterrâneos,

Pode, em primeiro momento parecer estranho, deixar essa singela mensagem à respeito de minha terra natal, sou filho desse lindo Estado, em particular dessa maravilhosa cidade, que a cada dia que passa aprendo a admirar, respeitar e dizer aos quatro cantos: SOU CRATENSE ATÉ A ALMA. Sai muito cedo da minha terra, por volta de 1986, à época com quase 17 anos, como não poderia deixar de ser, migrei como vários conterrâneos para a região sudeste do Pais ( alguns insistem em chama-la de sul) São Paulo, aqui chegando, diferentemente de muitos irmãos, fui muito bem recebido e acolhido. Terminei os estudos secundarios, iniciei curso de historia e psicologia, entretanto, apesar de não identificar-me com tais áreas, comecei outro, dessa feita direito, conclui e logo após a conclusão fui aprovado no exame de ordem, hoje advogado, minha segunda paixão, a primeira mencionada acima, minha cidade natal, logicamente sem esquecer que concomitantemente com a primeira paixão esta a minha bela esposa, também cratense. E com relação a esse assunto, após 20 (vinte) anos residindo em outro Estado, a mulher da minha vida estava no meu local de nascimento, retornei para leva-la comigo.

Quando saimos da nosso terra, do aconchego da familia, da proximidade de nossa cultura, acabamos deixando de lado, mesmo que provisoriamente, a importância de nossos laços culturais , haja vista o contato com outra totalmente diferente. Entretanto, quando ingressamos nessa nova etapa da vida ao lado de pessoas da mesma feição cultural, fica mais dificl esquecer a origem. Porém, quando esse contato dar-se em um ambiente totalmente alheio, é como aquele adágio popular: “ não sabe falar o dialeto atual, e esqueceu-se o de origem”, é uma situação complicada, para não dizer deprimente. Confeso que percori todo esse caminho, em um momento esqueci, mesmo não querendo, em outra busquei, muitas vezes não achando, hoje, não creio que guarde relação com a idade ( estou com 37) procuro falar, divulgar, elogiar e dizer o quanto sou feliz por ter nascido na cidade do CRATO, é verdade que com um sotaque um pouco diferente, porém, com o coração cheio de alegria e orgulho em poder verificar que a cada ano que passa, periodo em que constumo visita-la, demonstra uma capacidade impressionante em todos os seguimentos, quer seja cultural, tecnológico, politico, enfim uma sociedade engajada pleiteando melhores condições de vida.

Logicamente que como qualquer cidade brasileira, os problemas são visiveis, todavia também percebemos o empenho de muitas pessoas em tentar reverter o quadro, não só os politicos, porém, o cidadão comum que sabe que essa terra é valiosa, é especial e acima de tudo é nossa casa, e sempre nos receberá de braços abertos. Citando a nossa inspiradora Cecilia Meireles, a arte de ser feliz:


“ Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crinças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refelectidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Por fim conterrâneos, que a nossa cidade continue a representar para todos nos o começo de tudo, alegria da vida e a paz em nossos corações.

Por: Luiz Claudio Brito de Lima
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Hoje no DN - Reflorestamento é incentivado na região do Cariri

Distribuição de mudas


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O Pau D'Arco entre as espécies da flora que têm mudas no calendário de distribuição que antecipa a Semana da Árvore na região caririense (Foto: Antônio Vicelmo)

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O pequizeiro é considerado a “Árvore Símbolo” da região do Cariri, sendo fonte de trabalho e renda na região

Para sensibilizar a população sobre a importância do plantio de árvores, mudas são distribuídas no Cariri

Crato. As atividades de planejamento para ações na Semana da Árvore têm continuidade hoje, a partir das 9 horas, no Centro Vocacional Tecnológico (CVT), neste município. O evento acontecerá no período de 25 a 28 de março. A Secretaria de Meio Ambiente do Município do Crato está fazendo a distribuição de 50 mil mudas de cajueiro anão precoce e pau d’arco em parceria com órgãos ambientais do município.

Mais de 1.500 dessas mudas foram encaminhadas para o município de Salitre. O principal objetivo do trabalho da Secretaria do Meio Ambiente do Crato, segundo Nivaldo Soares, é criar uma cultura de produtividade do cajueiro, já que é uma árvore de bom aproveitamento do fruto por inteiro. Já o pau d’arco, além de ser uma planta com diversos usos medicinais, enfeita a paisagem cinzenta da seca nos meses de setembro e outubro, contrastando o cenário semi-árido.

Nivaldo justifica que a finalidade da antecipação da Semana da Árvore “é sensibilizar a comunidade em relação à importância de preservação do meio ambiente”. A iniciativa tem a coordenação da Secretaria de Meio Ambiente, por meio do Núcleo de Educação Ambiental, em parceria com a Secretaria de Educação do Crato e instituições locais de defesa dos recursos naturais.

Ele lembra que, no Sul do País, a Semana da Árvore é comemorada no mês de setembro. No entanto, no Norte e Nordeste a comemoração é feita na última semana de março, período muito oportuno porque coincide com a estação chuvosa da região e vem logo em seguida ao Dia Mundial das Florestas (21 de março) e Dia Mundial da Água (22 de março). “E florestas e água são tão próximas quanto essenciais à vida no planeta Terra”, afirma o secretário municipal.

Árvore símbolo

No Cariri, a árvore símbolo da região é pequizeiro, uma planta nativa da Serra do Araripe, cujo fruto é muito rico em óleo e proteína, e bastante apreciado pelos caririenses como tempero. Por isso é que quando o pequi começa a soltar os frutos, os campos se povoam de mulheres, homens e crianças. O convite se espalha. Os moradores próximos do pequizeiro levantam cedo — três, quatro horas da madrugada. Os frutos sazonados caem durante a noite. Um pequizeiro pode produzir até seis mil frutos, que vão amadurecendo paulatinamente e caindo. Quem chega primeiro pega maior número.

Nos Estados Unidos, o Dia da Árvore é 22 de abril, data que coincide com o aniversário de J. Morton, um morador de Nebrasca que incentivou a plantação de diversas espécies da flora naquele Estado.

O Brasil foi um dos poucos países que não seguiu o exemplo dos EUA e escolheu o dia 21 de setembro para celebrar a árvore. Existe uma explicação para essa definição de data, tomada há 30 anos: os povos indígenas brasileiros sempre cultuaram as árvores à época das chuvas ou quando se preparava a terra para semear. Então adotou-se a data que marca a entrada da primavera.

No entanto, por razões climáticas, as regiões Norte e Nordeste do Brasil cultuam a árvore na última semana de março, no período referente ao início das chuvas nessas áreas do País, e não como acontece no restante brasileiro, como forma de adaptar o calendário.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter