12 janeiro 2008

Exposição no CCBN

A MORTE E O RENASCIMENTO DA ÉTICA - Por: Bernardo Melgaço


"O único tirano que aceito em minha vida é uma voz interior doce e suave" - Gandhi

É muito triste ter que anunciar a morte da Ética. Ela morreu já faz muito tempo. Morreu rejeitada, caluniada, desrespeitada, humilhada e brutalmente perseguida. Ninguém acendeu uma vela para a sua alma esquecida. Ninguém rezou uma missa em sua intenção. Mas, é importante escutarmos a história da vida da Ética. A Ética nasceu da união entre o Rei-Senhor VERDADE e a Rainha-Senhora VIRTUDE numa morada da alma conhecida como ETHOS. Ela nasceu como fruto do AMOR verdadeiro. Ela possuía duas irmãs: Estética e Técnica. No início da vida da Ética as relações entre eles eram as melhores possíveis. Elas eram unidas no propósito e na verdade entre si. A Ética procurava fazer com que a sua irmã Estética fosse a mais bela perfeição da natureza, e em relação à irmã Técnica, a Ética procurava também colaborar no sentido de que a Técnica fosse um instrumento de perfeição da arte, da ciência e da religião em seus processos de criação e evolução.

É bom frisar que nessa relação familiar a Ética era uma nobre princesa. A Estética se esforçava arduamente para expressar os seus dons. Desse esforço nasceram belas pinturas, esculturas, arquiteturas e belos romances. A sensualidade, a sexualidade, a sutileza, as vaidades feminina e masculina foram realçadas e expostas como nunca. A Técnica inventava instrumentos poderosíssimos. E com muita sabedoria criou equações jamais imaginadas. Produziu imensas bibliotecas de conhecimentos racionais (técnicos!).

Eles viveram felizes por muito tempo, até que um dia como em qualquer história, começou o declínio da Ética - no seu momento de auge - pois o ciúme e a inveja ressuscitaram nas duas irmãs (Estética e a Técnica) do fundo da consciência escura e inconsciente de si mesma. Um imenso esforço de propaganda foi feito, no sentido de enaltecer as qualidades estéticas e técnicas e consequentemente diminuir ou reduzir o poder e as qualidades naturais da Ética. Uma vez tendo sido anulado ardilosamente o poder de encanto da Ética, o passo seguinte foi proliferar a verdade do poder técnico-estético. Nesse sentido, novos limites morais foram definidos filosoficamente na ausência da Ética, ou seja, os valores da Ética não foram mais observados. E assim tudo que não era permitido ou praticado pela Ética, tornou-se aceitável, inclusive, os valores mais mesquinhos (e podres) da natureza humana como a retórica, a obsessão pelo poder ideológico e a ganância acumulada que ganhou um novo nome e outra face "siliconizada": "direito à riqueza e à propriedade exploradora do outro e da natureza".

A Rainha-Senhora Virtude e o Rei-Senhor Verdade foram expulsos do castelo da Fraternidade. Tanto o castelo quanto a cidade receberam novos nomes: PROGRESSO e "ENFIM-CIÊNCIA" ou "EFI-CIÊNCIA". As ideologias da Técnica e da Estética atualmente predominam no reino humano acelerado, consumista, doente e infeliz (porque sem a Ética tudo é triste, cruel, retórico, sem amor e, portanto, insensível e desumano (um retorno ao "estado de natureza instintiva") e sem limites naturais. A Vida sem a presença da Ética se transformou num grande espaço diabólico "demo-crático socialistaxliberal" dominado pelas duas irmãs ambiciosas (Estética e a Técnica). E nesse espaço o homem “ideo-ego-lógico” vem construindo um mundo de crises e sofrimentos sem limites. Nada é verdadeiro em essência - apenas ilusão, divisão, conflito e sombra cavernosa! Pobres homens que lutam pelo poder mesquinho das ideologias sem ética – conquistam uma cadeira política importante mas perdem a alma e a conexão com tudo que é sagrado! Esses indivíduos fragmentados dentro de si acabarão destruindo a humanidade que existe na ética humana (espelho da ética verdadeira). Mas, num dia transcendente a ética (verdadeira) voltará a ser unida com a estética e a técnica nos homens e mulheres de bem. E nesse dia a divindade voltará a habitar entre os homens e mulheres da Terra. E aqui termina essa triste história da MORTE DA ÉTICA. Mas, existe uma esperança: a Ética ressuscitar nos corações amorosos. Então...QUE VIVA A ÉTICA! ÉTICA É VIDA-VOZ INTERIOR! E sem Ela tudo morre e nada floresce com amor e verdade interior.


Por: Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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Casar-se de novo - Por Arnaldo Jabor

Meus Amigos separados não cansam de perguntar como consegui ficar casado 30 anos com a mesma mulher. As mulheres sempre mais maldosas que os homens, não perguntam a minha esposa como ela consegue ficar casada com o mesmo homem, mas como ela consegue ficar casada comigo. Os jovens é que fazem as perguntas certas, ou seja, querem conhecer o segredo para manter um casamento por tanto tempo. Ninguém ensina isso nas escolas, pelo contrário. Não sou um especialista do ramo, como todos sabem, mas dito isso, minha resposta é mais ou menos a que segue:

Hoje em dia o divórcio é inevitável, não dá para escapar. Ninguém agüenta conviver com a mesma pessoa por uma eternidade. Eu, na realidade já estou em meu terceiro casamento – a única diferença é que casei três vezes com a mesma mulher. Minha esposa, se não me engano está em seu quinto, porque ela pensou em pegar as malas mais vezes que eu. O segredo do casamento não é a harmonia eterna. Depois dos inevitáveis arranca-rabos, a solução é ponderar, se acalmar e partir de novo com a mesma mulher.

O segredo no fundo é renovar o casamento e não procurar um casamento novo. Isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. De tempos em tempos, é preciso renovar a relação. De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, seduzir e ser seduzido. Há quanto tempo vocês não saem para dançar? Há quanto tempo você não tenta conquistá-la ou conquistá-lo como se seu par fosse um pretendente em potencial? Há quanto tempo não fazem uma lua-de-mel, sem os filhos eternamente brigando para ter a sua irrestrita atenção? Sem falar dos inúmeros quilos que se acrescentaram a você depois do casamento. Mulher e marido que se separam perdem 10 kg em um único mês, por que vocês não podem conseguir o mesmo?

Faça de conta que você está de caso novo. Se fosse um casamento novo, você certamente passaria a freqüentar lugares novos e desconhecidos, mudaria de casa ou apartamento, trocaria seu guarda-roupa, os discos, o corte de cabelo, a maquiagem. Mas tudo isso pode ser feito sem que você se separe de seu cônjuge.

Vamos ser honestos: ninguém agüenta a mesma mulher ou o mesmo marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Muitas vezes não é a sua esposa que está ficando chata e mofada, é você, são seus próprios móveis com a mesma desbotada decoração. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. Quem se separa se encanta com a nova vida, a nova casa, um novo bairro, um novo circuito de amigos. Não é preciso um divórcio litigioso para ter tudo isso. Basta mudar de lugares e interesses e não se deixar acomodar. Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento.

Mas se você se separar sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior. Não existe essa tal 'estabilidade do casamento' nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também, seu marido, sua esposa, seu bairro e seus amigos. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma 'relação estável', mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir estudar, aprimorar-se, interessasse por coisas que jamais teria pensado em fazer no inicio do casamento. Você faz isso constantemente no trabalho, porque não fazer na própria família?

È o que seus filhos fazem desde que vieram ao mundo.

Portanto descubra a nova mulher ou o novo homem que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo interessante par. Tenho certeza que seus filhos os respeitarão pela decisão de se manterem juntos e aprenderão a importante lição de como crescer e evoluir unidos apesar das desavenças. Brigas e arranca-rabos sempre ocorrerão: por isso de vez em quando é necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par.

Texto de Arnaldo Jabor
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