10 janeiro 2008

DUAS CRÔNICAS DE PEDRO ESMERALDO

Renovação de Valores

No início da década 1970, prevendo a escassez de líderes jovens, fiz uma crônica, lida na Rádio Educadora e publicada no Jornal A Ação. Alertava aos senhores políticos que instruíssem os jovens a ingressarem na política, pois o Crato merecia ter novos líderes com mentalidade progressista. Infelizmente, isso não ocorreu já que os homens políticos da época tinham medo de perder o comando da cidade do Crato.
Possuidor de vasto conhecimento dos problemas do Crato venho falar sobre as verdades dos fatos. A partir disso estabelecer os princípios éticos que devem nortear o seu desenvolvimento equilibrado e firme.
Queria formar forças propulsoras de um movimento de resistência em defesa desta cidade, embora com dificuldade, mas com coragem, lutarei, enaltecendo toda a camada cratense de boa vontade e de espírito jovem e partir para a guerra. Devem reagir com vigor e enfrentar barreiras, expulsando dos quadros políticos essa velharia arcaica e subserviente.
Certo dia conversando com o jornalista Nezim Patrício solicitava para que lutasse pela criação de uma bacia leiteira aqui no Crato, visto que esta cidade foi antigamente grande produtora de cana de açúcar, em tempos próximos passados.
Com os desenvolvimentos cultural e social, não havendo modernização na indústria rapadureira, Crato perdeu o ritmo do desenvolvimento econômico.
Por esta razão, Crato foi privado na economia, caindo, portanto o índice de emprego, não podendo acompanhar o desenrolar de várias atividades econômicas. Sempre com a economia ofuscada vive debatendo com dificuldade, pois não há interesse de qualificar os jovens em suas atividades.
Por isso, quero apelar para os jovens, mesmo a contra gosto, a ingressar na política, agora pra valer, afastando essas pessoas lenientes do quadrilátero político-social.
Creio que com muita luta e esperança, no Ano 2008, essa moldura será revestida e a juventude venha assumir com disposição o comando administrativo do Crato, deixando de lado costumes ultrapassados e obsoletos.

04/01/08

Prata de Casa

Quando o cidadão comum comparece as urnas no dia da eleição, ambiciona que candidatos façam jus aos seus anseios e contribuir com infra-estruturas tecnológicas a fim de melhorar a aparência de sua terra.
Numa cidade que se diz cultural, não se deixa intimidar pela falta de interação desses cidadãos e não tolerar privações de obras dignas que satisfaçam aos desejos do povo.
Não entendemos por que motivos o nosso alcaide, ou seja, o chefe desta cidade paralise as obras, iniciadas há meses. Consequentemente essas obras paradas impedem de seguir o nosso caminho de crescimento do progresso. Por essa razão, o Crato sai perdendo já que não acompanha o desenvolvimento ficando embaraçado, sem prumo, seguindo numa trajetória de desequilíbrio e de desenvolvimento aumentado. Há pressa em lutar, pois temos o desejo de usufruir com muita brevidade.
Desejamos que esses políticos tenham mais amor a terra. O que mais nos contraria é vermos os políticos desinteressados no assunto. Tentamos saber por qual motivo o nosso chefe do Poder Executivo não tolera, por falta de habilidade colocando uma assessoria incapacitada e não valoriza os filhos da terra para auxiliar no seu trabalho. Afirmamos que isto acontece há anos, pois políticos anteriores fizeram a mesma coisa.
Isto trás desavenças entre os filhos da terra, pois se julgam desmerecidos e subestimados. Queremos avisar que esta cidade, com cerca de 130 habitantes terá pessoas capacitadas para exercerem cargos de confiança. Será possível que vai permanecer sempre assim? Deixando desprestigiar os filhos daqui para valorizar pessoas de outras plagas que não sabem a onde fica nem a Ladeira do Tamanqueiro? Infelizmente, esses homens insensíveis, alheios os nossos problemas trazem desencantamento entre os habitantes. Para se ter uma idéia como esses homens são indiferentes ao trabalho sério, há deles que só pensam em fechar escolas em áreas densamente povoadas, ocasionando um atraso constante em pleno Século XXI.
Em decorrência desses fatos deselegantes, lançamos protesto e da mesma maneira fazemos apelos a esses políticos que tenham mais interesse pela nossa terrinha, e venham substituir com pressa esses homens incapacitados e indesejáveis pela população. Haja vista todos pesam em esvaziar Crato, não lutam, não trabalham, têm baixo desempenho acarretam o desequilíbrio moral e social.
É preciso mudar essa idéia torpe de valorizar os filhos de fora. Vamos contribuir com o nosso desenvolvimento dando valor todas as pessoas capacitadas desse Município.

10/01/08

pra quem estiver vindo

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Hoje no DN - Seminário lembra 80 anos de morte de cangaceiros

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Netas e o filho, Antônio Cassiano, de um dos cangaceiros mortos, Manoel Toalha (Foto: Elizângela Santos)

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I grupo de pesquisadores visitou o Sítio Alto do Leitão, onde foram mortos os cangaceiros

O evento ainda debateu a idéia de que o município de Barbalha também está incluindo na história do cangaço

Barbalha. Os 80 anos dos fuzilados no Alto Leitão, neste município, insere o Cariri em mais um episódio marcante na história do cangaço, no sertão brasileiro. O Centro Pró-Memória de Barbalha Josafá Magalhães, com a finalidade não só de lembrar o período do sangrento acontecimento, mas divulgar a inserção do município de Barbalha no contexto do cangaço, está iniciando um trabalho com outras instituições, a exemplo da Universidade Regional do Cariri (Urca), Sebrae, Secretaria de Cultura, Fundação Cabras de Lampião e Museu do Cangaço de Serra Talhada e Sociedade Brasileira para Estudo do Cangaço, em Mossoró, e Instituto José Bernardino (IJB).

Estudiosos do assunto realizaram, no último dia 5, um seminário no intuito de debater o assunto e relembrar o episódio — durante o I Seminário sobre o tema, tendo à frente o Centro Pró-Memória — em que foram mortos os cangaceiros Miguel e Pedro Miranda, João Marcelino e Manoel Toalha, além do mais famoso deles, Lua Branca. Ainda hoje existem remanescentes dos mortos, a exemplo de Antônio Belo da Silva, seu Antônio Cassiano, que aos seis meses de idade perdeu o seu pai, Manoel Toalha. Seis meses depois sua mãe. Com mais de 80 anos, seu Antônio, acompanhado por suas netas e bisnetas, representam a memória viva de um momento que pode ser inserido no calendário turístico da região do Cariri.

Segundo o articulador do Sebrae no Cariri, Édio Callou, é de grande importância se trabalhar a vertente do cangaço nesse contexto, por haver um interesse nacional a respeito do assunto. “Os turistas que chegam na região perguntam se há algo no Cariri sobre o tema. Isso desperta uma atenção das pessoas”, diz. Ele ressalta a necessidade de formação de operadores de turismo também no resgate da história da presença indígena no Cariri, além de serem criados equipamentos voltados para esses momentos da história regional.

Uma visita foi realizada no último sábado, como parte da programação do seminário, no local onde morreram os cangaceiros. O sítio Alto do Leitão fica localizado há cerca de três quilômetros de Barbalha. Cerca de 20 pessoas estiveram no local da emboscada.

Os homens foram enganados. Segundo relata o médico e escritor barbalhense, Napoleão Tavares Neves, presidente de honra do Pró-Memória, o fato se passou na fria madrugada do dia 5 de janeiro de 1928.

Napoleão conta que Lua Branca, acompanhado de mais quatro companheiros foram retirados da Cadeia Pública de Barbalha, sem ordem judicial, a pretexto de serem levados para Fortaleza. “Foram sumariamente fuzilados pelo pelotão policial no Sítio Alto do Leitão, à margem da chamada ‘estrada de feira’, do Crato-Barbalha”, após cada um ser obrigado a cavar sua própria sepultura”, comenta o escrito.

Tavares ressalta as características reunidas de “queima de arquivo”, envolvendo um mesmo “caldo de coronelismo, política e cangaceiros”. Essa página da história coloca o município de Barbalha na saga do cangaço, conforme relata o médico, e transforma a cidade em um referencial. Os integrantes do grupo dos “Marcelinos”, como ficaram conhecidos, tinham um reconhecimento de Lampião. “Trata-se da primeira experiência de extermínio patrocinado pelo Estado aos movimentos de resistência à estrutura de poder coronelística e que se antecipa ao massacre do Caldeirão, no município de Crato, e do assassinato de Lampião em Angicos, no Estado de Sergipe”, explica.

Um dos aspectos ressaltados durante o debate pelos pesquisadores é que a intenção de resgatar a história desse momento sangrento não é fazer apologias à violência praticada e muito menos cultuar o cangaceirismo, mas dar ênfase ao contexto histórico e sociológico do Cariri. A intenção, com o avanço dos estudos sobre o assunto, é promover o tombamento do local onde se deu o fuzilamento, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como um dos lugares representativos da história do cangaço no Cariri.

O médico Magérbio Lucena, autor do livro “Lampião Estado Maior do Cangaço” e os escritos de Napoleão Tavares contam, em minúcias, durante o debate, situações relacionadas ao acontecimento, a exemplo da morte de dois soldados antes do episódio. Na verdade, o que acabou causando a fúria das milícias para o fim trágico do grupo dos Marcelinos, além da relação de Lua Branca com Virgulino Lampião.

Outro momento que marca a passagem de Lampião pelo Cariri foi no fim da década de 20, em que recebe a patente de capitão do Padre Cícero. A finalidade era o combate da Coluna Prestes. Segundo Magérbio Lucena, na verdade era uma patente temporária. O cordelista e integrante do Centro Pró-Memória, Francisco Sousa, lançou, no seminário, cordel sobre os 80 anos do fuzilamento.

ENQUETE

A importância do cangaço

Francisco de Assis Sousa
Cordelista
"O evento é importante para que o tema saia do entendimento popular e passe a fazer parte da visão acadêmica."

Maria de Lourdes Belo da Silva
Neta de Manoel Toalha
"Foi um episódio cruel. Meu pai tinha seis meses. Foi criado pelos tios, porque a minha avó morreu seis meses depois."

Karl Max Santos Sousa
Fundação Cabras de Lampião
"É importante resgatar a história do cangaço, presente na cultura do povo sertanejo, na culinária, artesanato, dança."

Elizângela Santos
Repórter

Matéria do Jornal Diário do Nordeste - www.diariodonordeste.com.br
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