03 janeiro 2008

Jonal Diário do Nordeste: Dia de Reis, Grupos preservam tradições

Foto: Elizângela Santos
Os grupos de Lapinha e reisado da região do Cariri seguem a tradição de louvação ao Dia de Reis.


A região do Cariri faz a louvação de reis no dia 6 de janeiro, mas a programação já se estende com as apresentações dos grupos de lapinhas nos municípios de Juazeiro do Norte e Crato. No município cratense, a tradicional festa do Dia de Reis acontece com um grande cortejo de dezenas de grupos de reisados, a partir das 17 horas do dia 6. A concentração dos grupos começa a partir das 15 horas, na sede do Instituto Cultural do Cariri, onde acontece a apresentação da Lapinha do Menino Jesus, coordenada pela mestra da Cultura, Zulene Galdino. Também será realizada a solenidade de posse de novos acadêmicos do Instituto Cultural do Cariri (ICC), nas cadeiras Dedé de Luna e Zé de Matos.
Os brincantes saem pelas principais ruas da cidade até o Centro Cultural do Araripe (RFFSA). Participam a Lapinha de Mãe Celina do Muriti, com a mestras Penha Luna, Mazé Luna e Espedita Luna, seguida de apresentações folclóricas de louvação com o Reisado Feminino Dedé de Luna do Muriti e Reisado Infantil Dedé de Luna do Muriti, da mestra Mazé Luna; Reisado Flor Noeme, da Vila Lobo, com o Mestre Jefferson Aguiar de Melo, com coordenação de Maria Regilane dos Santos Melo e Maria Rita dos Santos Aguiar; Reisado Infantil do Sítio São Vicente, do mestre Galego, Reisado Feminino do Sítio Coqueiro, com coordenação do mestre Chico Carmo, Reisado do Sítio Cruzeiro, com o mestre Severino Alexandre.
A programação prossegue com a apresentação do Reisado Infantil do Sítio Cruzeiro, com trabalho da mestra Claudiane Alexandre; Reisado do Mestre Aldenir, coordenado pelo mestre da Cultura, Aldenir Aguiar, Reisado da Bela Vista e Serraria, com o mestre Antônio Carreiro, Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, do mestre da Cultura, Raimundo Aniceto, Banda Cabaçal Mirim dos Irmãos Aniceto, com mestre Adriano Aniceto; Banda Cabaçal do Mestre Bidu, mestre Emídio Barbosa, o Bidu. Entram também os grupos de Maneiro Pau da Bela Vista, com mestre Cirilo, Maneiro Pau Infantil da Bela Vista, mestre Beto, Maneiro Pau Feminino da Batateira, com a mestra Raimunda Queiroz.O Coco das Mulheres da Batateira, com coordenação da mestra Edite Dias, Coco Infantil da Batateira, da mestra Raimunda Queiroz, irão fazer parte da festa, além do Coco Misto da Batateira, com a mestra Raimunda Queiroz, Coco Infantil da Bela Vista, com mestra Gorete Araújo, Coco do Sítio Quebra, da mestra Maria da Santa, a tradicional Dança de São Gonçalo da Bela Vista, com mestra Adaugisa e ainda Os Três Reis Magos em Perna de Pau, do Circo-Escola Alegria.
A programação elaborada pelo professor Cacá Araújo, presidente da Fundação Mestre Elói, segue a tradição de anos no município e conta com realização da Secretaria de Cultura da cidade e parcerias. A população do Crato e do Cariri vai às ruas festejar Dia de Reis.
No bairro João Cabral, em Juazeiro do Norte, o cortejo dos brincantes acontece durante o dia com vários grupos no bairro João Cabral, tradicionalmente conhecido na cidade e onde há grande concentração dos grupos de tradição popular. Mas, dentro da programação do “Natal de Amor e Paz”, no município, estão sendo realizadas várias apresentações de grupos reisado e de lapinhas.
Desde o último dia 25, grupos de lapinhas se apresentam em vários locais de Juazeiro, na programação da Secretaria de Cultura. Hoje, se apresentam, às 17 horas, na Praça do Coração de Jesus, nos Salesianos, com destaque para o grupo Santo Expedito. Às 19 horas, apresentação do Reisado São Luis e da Banda Cabaçal Santo Antônio, no Santuário de Nossa Senhora das Dores. Amanhã, a lapinha N. Sra. do Rosário no Memorial Padre Cícero.

SAIBA MAIS
Origem - As maiores e mais tradicionais festas do catolicismo popular têm suas origens nas festas pagãs da antigüidade. Como exemplo, os festejos do ciclo junino, em homenagem a Santo Antônio (dia 13), São João Batista (dia 24) e São Pedro (dia 29), que se originaram na tradição pagã dos povos da Europa, Ásia e África.

Rituais - Esses povos festejavam as divindades protetoras da fertilidade e da colheita quando se aproximava a chegada do verão no Hemisfério Norte e que foram transferidas para o calendário católico. Os antigos rituais agrários, no Velho Mundo, no solistício de verão, entre 22 e 23 de junho, marcavam o início da colheita.

Reisado - Com relação ao Natal, ocorreu o mesmo fenômeno. Comemora-se o Nascimento de Cristo, mas ninguém sabe ao certo o dia em que Jesus nasceu. Muitos pesquisadores acreditam que Cristo não nasceu no ano zero, e sim entre os anos 4 a 5 a.C. A Tiração de Reis, pelos Reisados, ou a Folia de Reis em diversas outras regiões brasileiras, pelos grupos de foliões, são tradicionalmente realizadas no período de 25 de dezembro a 6 de janeiro e, tem sua origem primária na Festa do Sol Invencível, comemorada pelos romanos e depois adotada pelos egípcios.

Elizângela Santos
Repórter

Mais informações:
Fundação do Folclore Mestre Elói
Rua Mons. Fco. de Assis Feitosa, 504, Centro, Crato (CE)
Tel.: (88) 3523.7430 ou (88) 3523.1333

Previsões ou Cenários: Podemos saber sobre o Futuro ?


É fascinante o esforço humano de querer se antecipar aos fatos e fenômenos que ainda irão ocorrer. Assim, logo no início do novo ano surgem matérias jornalísticas apresentando as previsões e os cenários futuros. E são as mais estranhas possíveis. Os especialistas são de diversas áreas. Um especialista é entrevistado para fazer as previsões que a sociedade gostaria de ouvir onde ele anuncia para todos: a morte de uma personalidade importante; a conquista do campeonato nacional; a estabilidade ou instabilidade econômica; a dança das cadeiras dos cargos políticos do alto escalão; o casamento de uma artista famosa; um terremoto que vai acontecer; um furacão que vai destruir uma cidade inteira etc. Esse tipo de mensagem tem seus consumidores. Vendem-se milhões aos corações ávidos por notícias antecipadas. Assim, temos vários argumentos futurísticos, cada um com sua ciência e técnica: pai-de-santo, economista, analista político, cientista etc. Mas, por que temos a necessidade de nos anteciparmos sobre algo que ainda não está preparado para fazer parte de nosso mundo de experiência? Será por que o mundo presente em que estamos vivendo não nos encanta mais e perdeu seu valor ou importância? Será por que perdemos algo interior que nos permitia ter a segurança de uma vida melhor? Ou será por que a falta de fé nos princípios e fundamentos transcendentais da vida já é algo que não reconhecemos mais como verdade de cada um? O que aconteceu ao homem moderno por se “pré-ocupar” tanto com o futuro? Ou seja, quando nos preocupamos, em verdade nos ocupamos antecipadamente (pré-ocupamos) com algo que não temos a mínima condição de saber se é um problema de fato ou uma mera insegurança.

E na maioria das vezes as nossas preocupações são inseguranças e incertezas criadas pela nossa consciência especulativa. Especulamos mais do que de fato vivenciamos a essência da realidade. O futuro incerto e invisível nos dá medo, porque a nossa insensibilidade cresceu assustadoramente. E cresceu porque valorizamos demais a técnica de racionalização inventada pelos gregos: a lógica. Por isso, vivemos embasados pela lógica segura do raciocínio que calcula tudo. E por isso, não sobra espaço para o desenvolvimento da sensibilidade (p.ex.: a ioga) sutil e intuitiva. A sensibilidade, nesse contexto, é a capacidade de medirmos ou percebermos variações de sinais, freqüências ou sinais que se manifestam em nosso campo de experiência.

A sensibilidade é a base onde se fundamenta a inteligência humana. Essa é a minha tese de mestrado defendida em 1992 na Universidade Federal do Rio de Janeiro/COPPE. Tive a felicidade de vivenciar, em 1988, um estado alterado de sensibilidade em que me permitiu ver a raiz do problema da percepção humana. E confesso que quase fiquei louco e ao mesmo tempo sábio também. A ciência se apóia na sensibilidade humana e na sensibilidade dos instrumentos de diagnósticos. Em outras palavras, a sensibilidade nos permite ver os fenômenos sutis da realidade e assim por um processo sistemático e metodológico cria-se uma inferência sobre os dados observados e coletados. Esses dados coletados nos apontam para uma tendência caso os dados se mantenham regulares. E como conseqüência desse processo de análise e inferência cria-se os cenários possíveis. Isso implica dizer que um cientista não faz previsões mais cria cenários possíveis em função de uma investigação sistemática e metodológica, por exemplo, o fenômeno do AQUECIMENTO GLOBAL.

Os cenários são feitos por aqueles que empregam o método científico. As previsões podem ser feitas por pessoas dotadas de alta sensibilidade humana, os chamados INTUITIVOS ou VIDENTES. Mas, todo cuidado é pouco, porque eles são raríssimos. No meio da confusão propiciada pelas incertezas, inseguranças e medos surgem os charlatões, os falsos videntes, os falsos cientistas e os falsos profetas!

Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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A Responsabilidade dos meios de Comunicação: A Música-Hino do Tráfico

Vivemos um mundo de violência. É triste ver que a humanidade caminha para a barbárie. A mensagem do doce Amor está longe de penetrar nas mentes das crianças, dos jovens e dos adultos. O que penetra é o desejo sexual, a paixão, a carência e todas as fraquezas humanas. Os meios de comunicação, com raras exceções, propagam valores contraditórios. Canta-se o amor, mas na verdade ensina-se o desejo sexual, a paixão e os impulsos instintivos. Canta-se a justiça, mas na verdade atualmente ensina-se a música-hino da lei do tráfico (tá...tá...tá...rá...rá....tá...tá...tá...pá....ti bummm....). Eu sei que na democracia ideal todos são livres para expressarem suas visões e valores. Mas, quem vai estabelecer o que é justo e o que é de direito? Eu sei que todos têm o direito de se manifestarem como podem e devem numa democracia de verdade. Mas, mesmo assim devemos perguntar: é justo que se ensinem as crianças e jovens que pegar em arma de fogo é bonito e legal (sintam o drama lá nos EUA – crianças compram armas legalmente e matam colegas, professores etc)? Algumas rádios do cariri, e creio que em centenas ou milhares no Brasil, estão propagando a música-hino do tráfico. O que esperar de uma sociedade do futuro onde nossas crianças - bastante vulneráveis! - aprendem que matar é bom e justo? E que amar e perdoar o outro é careta e cafona!

Confesso que minha indignação é grande (eu sou carioca e senti na pele - a violência de lá) quando escuto uma rádio de reputação em Juazeiro do Norte-CE quando entra nessa moda (irresponsável!) sem ter o mínimo sentimento de respeito aos ouvidos de seus diletos ouvintes. Eu venho desligando o rádio quando escuto a música-hino do tráfico. É bonito assistir pessoas com o porte do Sr. Hilário falando em paz, amor e justiça. Mas, é triste ver que em seguida a rádio onde propagou temas tão importantes não tenha o mínimo de bom senso para perceber que uma rádio (ou outro meio tecnológico) não é apenas um meio de comunicação e entretenimento, mas além disso é um instrumento de elevação moral e ética da população ouvinte. E além disso, é parte de um sistema pedagógico complexo da sociedade em que se insere. A música não só diverte e embala os corações, mas ensina também a amar e a matar. O que queremos: Liberdade responsável ou libertinagem irresponsável e criminosa? A mente humana é como uma esponja. Ela absorve tudo que entra no canal de percepção. O nosso campo de percepção é vasto e sutil. Podemos deixar entrar coisas sadias ou não. E ai construímos um estado de consciência em função do que absorvemos e filtramos. E como estamos filtrando – se é que estamos? – as impurezas e imperfeições propagadas pelas ondas dos meios de comunicação? Creio, que estamos vivendo uma CAVERNA DE PLATÃO moderna. Estão ensinando a ver a aparência da realidade, um mundo de valores obscuros e falsos - apenas sombra, desamor e morte! E com toda certeza digo: a violência tende a aumentar. Nada acontece por acaso! O que plantamos com persistência– colhemos também. A apatia e a insensibilidade dos que dirigem esses meios de comunicação é um sinal de que esses instrumentos foram dados para mãos erradas.

A música-hino do tráfico foi financiada por quem? Pensem a respeito. E se não mudarmos esse caminho, não poderemos chorar a perda de um filho morto por mãos e mentes vulneráveis e mal formadas que foram educadas a pensar que matar é bom, legal e corajoso. Vocês decidem! Falem e gritem – enquanto há tempo – mas, por favor, não fiquem calados, porque quem cala consente.

Prof. Bernardo Melgaço da Silva
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