02 dezembro 2008

Vigário do Opus Dei vem ao Cariri


O Vigário da Delegação da Prelazia do Opus Dei no Rio de Janeiro, Monsenhor Pedro Barreto Celestino, estará no Cariri neste final de semana. Ele vem participar das comemorações do centenário de nascimento de seu pai, o empresário Antônio Corrêa Celestino. No próximo domingo, dia 7, Monsenhor Pedro celebrará, na Igreja-Matriz de Santo Antônio, em Barbalha, missa gratulatória em sufrágio da alma do seu genitor. À noite, no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, haverá a solenidade de lançamento do livro “Antônio Corrêa Celestino”, coletânea de depoimentos sobre a vida do empresário caririense, organizado pelo escrito Renato Casimiro.
Quem é
Monsenhor Pedro Barreto Celestino – o primeiro brasileiro a ser ordenado padre no Opus Dei – nasceu em Juazeiro do Norte, filho de Antônio Corrêa Celestino e Luscélia Barreto Celestino. É Doutor em Ciências da Educação e em Direito Canônico pela Universidade de Navarra, Espanha. Ordenado em 1971 trabalhou na Pastoral Universitária, em São Paulo, até 1990, quando foi transferido para o Rio de Janeiro.
É autor do livro “Os Anjos”, já em terceira edição, que foca esses seres espirituais, patrimônio teológico-cultural da Igreja Católica.

11 comentários:

  1. Abaixo, texto do livro "Os Anjos" de Monsenhor Pedro Barreto Celestino

    Os degraus da Criação

    Basta um simples olhar sobre o mundo para compreendermos por que é razoável que os anjos existam. Há no universo uma gradação de seres que vai dos elementos mais simples ao mais complexo, que é o próprio homem. Há coisas criadas que se assemelham a Deus unicamente por existirem, como as pedras; outras, por viverem, como as plantas e os animais; outras, enfim, por estarem dotadas de razão, como o homem. Mas depois, até chegar a Deus, não haverá mais nada?
    Quando nos apercebemos da infinita distância que existe entre o homem e Deus, muito maior do que entre uma planta e um animal, ou entre um animal e o homem, perguntamo-nos por que haveria um vazio tão grande entre o homem e Deus. E surge a convicção de que deve haver seres intermédios, que reflitam a perfeição de Deus muito melhor do que nós os homens.
    Basta abandonarmos por um momento o nosso orgulho para admitir que não somos tão perfeitos que seja impensável uma perfeição natural superior à nossa, sobretudo quando nos acordam muito cedo ou apanhamos um mero resfriado... O espírito humano, apesar de sua capacidade de pensar, de escolher, de amar, está incompleto sem o corpo, precisa dele para ter sentimentos, para amar com o coração, para conhecer o mundo, e sem ele não pode alcançar a sua perfeição intelectual e moral. Precisamos ver, apalpar, cheirar as coisas para nos certificarmos da sua existência; aprendemos pouco a pouco, penosamente e à custa de muitos erros, que tal e tal coisa deve ser querida, e tal outra evitada; e pagamos ao nosso corpo o tributo do cansaço e da fome, da doença e da morte. Que diferença abismal com o puro Espírito divino, que goza de uma absoluta perfeição!
    Tudo nos inclina, pois, a crer na existência de espíritos puros, dotados de inteligência e vontade, que reflitam a essência e a atividade de Deus de maneira mais perfeita que o homem. Sem esses espíritos puros, seres criados acima dos homens e abaixo de Deus, a história da Criação dar-nos-ia a impressão de ter sido interrompida a meio de um capítulo.

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  2. “Fanático e doente mental"


    O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a “iluminação divina” durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um “fanático e doente mental”, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria “uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade”, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação.


    Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano 2, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros “perigosos” e proibia sua leitura pelos fiéis. “Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo”, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro Opus Dei: El totalitarismo católico.


    O poder no Vaticano


    Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje –, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.


    O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos.



    Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma “igreja dentro da Igreja”. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo “desejo secreto de dominar o mundo”. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger, ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Beto 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei.


    Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro “O mundo secreto do Opus Dei”, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que “fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra à quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982”.


    O vínculo com os fascistas


    Além do fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.


    Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.


    Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, “ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler”. Um outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita “recrutou adeptos para a organização fascista ‘Jovem Europa’, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol”.


    Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.


    Infiltração na mídia


    Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que “temos de embrulhar o mundo em papel-jornal”. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possui um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição.



    O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por “479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes”.


    Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas “palestras do Morumbi”. Segundo a revista Época, seu “programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país”. O mesmo artigo confirma que “o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do governador Geraldo Alckmin”.


    O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado “Estranha conversão da Folha”, critica seu “visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou”. No mesmo artigo, garante que a seita “já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)”, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a “salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica”.


    A “santa máfia”


    Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários – inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. “O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais”, acusa um documento de católico do Peru.


    A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus.


    Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de “santa máfia”, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, “além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ‘os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei’. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos”.


    O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat.


    “A Internacional Conservadora”


    O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller O Código da Vinci, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chave em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a “Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica”.



    Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões – incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan – e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush.


    Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: “No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem”. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: “Acostuma-se a dizer não”.

    fonte:
    http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=8542

    A morte do papa e o poder da Opus Dei
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    Juan José Tamayo *

    Adital -
    A relação entre Karol Wojtyla e a Opus Dei começou nos anos 60, se consolidou na década seguinte e chegou ao auge nos anos 80-90, com a irresistível ascensão da Obra à cúpula do Vaticano, onde, depois de ocupar os mais influentes cargos de comando, interveio diretamente no traçado, primeiro, e em seguida na implementação do processo de restauração da Igreja Católica sob a direção do papa e a orientação teológica do cardeal alemão Ratzinger.

    Ao longo do último quarto de século, o catolicismo se configurou à imagem e à semelhança da organização de Escrivá de Balaguer.



    A Opus começou a mimar Karol Wojtyla quando ele era arcebispo de Cracóvia. Como?

    Organizando para ele viagens por todo o mundo e convidando-o a participar de congressos da Obra em Roma e a fazer conferências no Centro Romano de Encontros Sacerdotais (Cris).



    Uma destas, dentro da mais pura tendência espiritualista da Opus Dei, tinha como título

    "A evangelização e o Homem Interior" e foi dada em 1974, o mesmo ano em que Paulo 6º publicava a encíclica "Evangelii nuntiandi", que ressaltava a relação entre a evangelização e a promoção humana.



    A sintonia se mostrou fácil desde o início, já que eles compartilhavam a mesma concepção da Igreja e da política: devoção mariana, conservadorismo teológico, confessionalidade das instituições temporais, rigor moral, autoritarismo eclesiástico etc.

    Estratégia para a eleição



    Como demonstraram os "Discípulos da Verdade" em sua documentada obra "A la Sombra del Papa Enfermo", a Opus desenhou com grande precisã o a estratégia para a eleição papal de Wojtyla, com a colaboração decisiva do arcebispo de Munique, Joseph Ratzinger, dos cardeais americanos próximos da Obra J. Joseph Krol e J. Patrick Cody e do arcebispo de Viena, cardeal Franz König, na época entusiasta da Obra.



    O centro de operações foi a Villa Tevere, quartel-general da Opus Dei em Roma, onde Wojtyla rezou diante do túmulo do monsenhor Escrivá de Balaguer antes de entrar no conclave do qual sairia papa.



    Durante seus quase 27 anos de pontificado, o papa pôs em prática a concepção de Igreja própria da Opus Dei, sem desviar-se do roteiro previsto, salvo na questão social:
    desativação da linha renovadora do Concílio Vaticano 2o, no qual ele próprio, como arcebispo de Cracóvia, tinha se alinhado com os setores mais conservadores; cruzada anticomunista lançada no pontificado de Paulo 6º; condenação da modernidade, na linha de Pio 9º e Pio 10º, por considerá-la inimiga do cristianismo; "restauração" da cristandade por meio da "nova evangelização".



    Tratava-se de um programa maximalista que a Obra tinha tentado desenvolver no Vaticano durante os pontificados de João 23 e Paulo 6º, mas sem sucesso, já que não gozava da simpatia de nenhum dos dois.



    Com João Paulo como papa ele podia ser levado adiante, já que, além da "boa química", havia convergência de objetivos, interesses e estratégias entre eles. A Opus era uma organização católica elitista implantada em todo o mundo, com uma estrutura hierárquica rígida, enorme poder econômico, disciplina férrea acompanhada de terminologia militar (""uma milícia armada da melhor maneira para a batalha espiritual, graças à mais severa disciplina"), forte componente proselitista e tendência ao doutrinamento.



    Por trás de sua aparente imagem laica se escondia, na realidade, uma organização clerical-eclesiástica.


    Em seguida tiveram início as nomeações de eclesiásticos próximos da Opus para postos chaves do Vaticano.



    O espanhol Martínez Somalo, antes núncio na Colômbia, de tendência conservadora e tendo conexões diretas com a Opus, foi nomeado substituto da Secretaria de Estado, uma espécie de ministro da Presidência.



    O cardeal Pietro Palazzini, ligado à Obra, ocupou o cargo de prefeito da Congregação das Causas dos santos, o que acelerou o processo de beatificação de Escrivá, iniciado em maio de 1981, apenas seis anos após sua morte.


    Um salto qualitativo na posição de destaque ocupada pela Opus Dei dentro do Vaticano foi a nomeação para diretor do serviço de imprensa da Santa Sé do médico espanhol Joaquín Navarro-Valls, membro numerário da Obra.



    O controle da Opus Dei sobre o poder mediático da Igreja garantia o sucesso do programa de reformas do papa polonês. Navarro-Valls foi durante quase 20 anos a única e mais autorizada voz do papa e chegou a vetar a participação de jornalistas determinados nas viagens.



    Isso aconteceu com Domenico del Rio, do diário romano "La Repubblica" -acusado pelo diretor de "L`Osservatore Romano" de "anticlericalismo silencioso, sórdido e antiquado"; em janeiro de 1985, ele foi excluído do vôo que levou João Paulo 2º à Venezuela, ao Peru e ao Equador.


    O controle pleno do poder pela Opus se deu em 1990, com a nomeação de Angelo Sodano para secretário de Estado, uma espécie de chefe de governo do Vaticano, depois de ser aceita a renúncia do cardeal Casaroli, que pertencia à tendência "de abertura" dentro da Cúria. Sodano tinha entrado para o serviço diplomático da Santa Sé em 1961, foi núncio no Chile durante a ditadura de Pinochet e amigo pessoal do ditador.


    Preparou cuidadosamente a viagem de João Paulo 2º ao Chile em 1987 -que se converteu num ato de legitimação religiosa do ditador- e intercedeu junto ao governo britânico para que libertasse o general Pinochet, detido em Londres devido ao pedido de extradição formulado pelo juiz espanhol Baltasar Garzón.



    Ainda me lembro da resposta do cardeal no aeroporto de Barajas [Madri], ao ser indagado sobre a secularização do teólogo brasileiro Leonardo Boff: "Não me surpreende. Também entre os 12 apóstolos houve um traidor". O franciscano Boff ser comparado com Judas!


    A influência da Opus Dei se fez sentir de maneira especial na política de nomeações de bispos, arcebispos e cardeais. Os bispos progressistas nomeados por Paulo 6º ou na linha do Concílio Vaticano 2º foram substituídos por hierarcas da "restauração" do pontificado atual, que hoje constituem maioria na Igreja católica e ocupam as sedes episcopais mais importantes da cristandade, no Primeiro e no Terceiro Mundos.


    Mas os dois fatos que melhor expressam a sintonia entre o papa e a Opus Dei foram a elevação deste à categoria de prelatura pessoal, o que o converteu, para todos os efeitos, em uma diocese supraterritorial, não submetida à jurisdição dos bispos locais, e a canonização de Escrivá de Balaguer.



    O primeiro foi um fato sem precedentes em toda a história do cristianismo. A "milícia opusdeísta" e seus dirigentes respondiam por seus atos apenas perante o papa e perante Deus.



    Nenhuma outra autoridade poderia pedir que lhes prestassem contas. A mudança de estatuto jurídico foi largamente contestada dentro da Igreja católica, não apenas entre os setores progressistas, mas também na própria Cúria e entre bispos de todo o mundo, inclusive os espanhóis, que foram os que reagiram mais fortemente.



    E não era para menos. A decisão "pessoal" do papa era vista como perigosa para a ordem hierárquica e para a unidade católica, já que trocava a obediência aos bispos pela submissão ao chefe da Obra.



    Temia-se, além disso, que, subtraída a obediência aos bispos locais, a Obra se convertesse em seita. E o temor não demorou a se realizar.



    Desde então, a Opus Dei se tornou e opera como "uma Igreja dentro da Igreja". Mais ainda com Escrivá de Balaguer, o "Pai" e fundador, elevado aos altares e convertido em exemplo a ser imitado!


    A canonização foi levada a cabo apesar da oposição de amplos setores católicos, incluindo cardeais, arcebispos e bispos, e num tempo recorde de 27 anos, enquanto outras personalidades reconhecidas como santas pelo povo cristão, como João 23 e monsenhor Romero, eram relegadas.


    Enquanto o Vaticano enchia a Opus Dei de favores e privilégios, João Paulo 2º levava a cabo ações repressivas contra organizações e tendências renovadoras.



    Duas das mais divulgadas foram o "expurgo da Companhia de Jesus" e a "campanha" contra a teologia da libertação, que Tad Szulc, biógrafo de João Paulo 2º, relaciona estreitamente entre si. A última foi personificada na admoestação pública feita a Ernesto Cardenal, ministro da Cultura do governo sandinista, e nas duas condenações contra o teólogo brasileiro Leonardo Boff.



    O questionamento do papa contra a teologia da libertação começou em 1979, na 2ª Conferência do Episcopado Latino-americano, e foi intensificado pelo monsenhor Alfonso López Trujillo, secretário-geral, primeiro, e depois presidente da dita Conferência e próximo da Opus Dei, com influência crescente na Cúria romana, onde hoje ocupa o cargo de presidente da Congregação para a Família.



    Na campanha antiliberal a Opus Dei desempenhou um papel nada desprezível, por meio de influentes teólogos e bispos latino-americanos simpatizantes ou numerários, que, em suas respectivas dioceses, marginalizaram e até perseguiram leigos, sacerdotes, religiosos , religiosas, comunidades de base, lideranças socialmente comprometidas com a luta contra a injustiça.



    Entre os mais féis ao fundador e mais críticos contra a teologia da libertação é preciso citar o cardeal Cipriani, arcebispo de Lima, e o monsenhor Saénz Lacalle, arcebispo de San Salvador.

    Cerco aos jesuítas



    O expurgo da Companhia de Jesus parece ter um vínculo direto ou indireto com a irresistível ascensão da Opus Dei no Vaticano. Quanto mais degraus este subia na cúpula romana, mas se estreitava o cerco em torno dos jesuítas, que, a partir de sua Congregação Geral 32, deu uma reviravolta copernicana em suas prioridades evangelizadoras: compromisso com a justiça, diálogo com a secularização, evangelização libertadora e aculturação da fé.



    O papa proibiu o padre Arrupe, superior geral da Companhia de Jesus, de convocar a Congregação Geral de 1981, onde ele pensava em apresentar sua renúncia: "Não quero que convoque es ta Congregação e renuncie, pelo bem da Igreja e o bem de sua própria ordem", lhe disse de maneira taxativa.



    Em agosto de 1981 Arrupe sofreu um grave ataque, que João Paulo 2º aproveitou para dar um golpe na direção da Companhia de Jesus. Encarregou a direção desta ao padre Paolo Dezza, jesuíta italiano octogenário, com a ajuda do padre Pittau, provincial da Companhia no Japão, ambos descontentes com a política de abertura de Arrupe.



    As razões da "intervenção"? A confusão que os jesuítas estavam criando no povo de Deus; seu envolvimento desmedido na atividade sócio-política, com a conseguinte perda da dimensão religiosa; sua vinculação com a teologia da libertação, sobretudo na América Central; tendências secularizantes no seio da Companhia, e formação excessivamente liberal dos jesuítas.

    Concordo com Juan Arias, um dos maiores conhecedores do último pontificado, para quem a história dirá se Wojtyla foi o papa da Opus Dei ou se a Opus Dei foi quem preparou os caminhos do arce bispo de Cracóvia.



    O que acredito é que ambos contribuíram para esvaziar as esperanças de reforma da Igreja depositadas no Concílio Vaticano 2º por cristãos e não cristãos. Com o concílio, a Igreja católica iniciava um novo caminho na história e em tom de libertação. A Opus Dei e João Paulo 2º, entretanto, mudaram o sentido dessa marcha.



    *Este artigo foi publicado originalmente no "El País"
    Tradução de Clara Allain
    http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=16081

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  3. “Fanático e doente mental" é o título original do artigo escrito por Altamiro Borges e nao é uma referência ao propagador da Opus Dei na região.

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  4. Alexandre, que história incrível. Vou pesquisar mais sobre os 2 lados da moeda.

    De antemão adianto que possuo grande fascínio por documentários sobre Sociedades Secretas, e disponho aqui de vários documentários estarrecedores inclusive sobre as ligações dos Presidentes Americanos com os Illuminati, um excelene documentário do History Channel, mostrando que os Americanos sabiam do ataque a Pearl Harbour e nada fizeram, e de que foram os próprios Americanos que jogaram os aviões nas torres gêmeas para a indústria da guerra...

    Procure trabalhos de Alex Jones na Internet.

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  5. Parabens Armando e Alexandre.

    No antagonismo que encontramos em Francisco de Assis e Mussuline podemos ver que a humildade triunfa e o orgulho não leva a nada. O Puro amor de São Francisco faz com quer seu nome seja lembrado 850 anos depois de sua morte. O orgulho do Mussuline o levou a morte sendo pendurado num poste e queimado e até hoje ser odiado por que ao povo fez mais mal do que o bem.

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  6. Ah! O velho ódio cumulativo e irracional. Ele volta sempre. A uma simples notícia ressurge como fogo em monturo. Essa gente semeia ódio, alimenta o fundamentalismo ideológico laico igualmente irracional e antidemocrático. Justo os que tanta falam (da boca prá fora) em democracia...
    Agora chegou a vez de caluniar o Opus Dei...

    Mas o que dizem os fatos? E por que esse empenho tão feroz e sistemático em buscar desmoralizar tudo que se refere à crença religiosa das pessoas?

    Aos fatos:

    1 – O QUE É O OPUS DEI?
    Trata-se de uma instituição universalmente conhecida, estimada por milhares de pessoas das mais diversas procedências e condições sociais. O Opus Dei é uma organização católica internacional de leigos, a que também pertencem sacerdotes seculares (uma exígua minoria em comparação com o total de sócios). O Opus Dei publica um boletim oficial, mantém um site na internet (www.opusdei.org.br )e um Escritório de Informação. Seus diretores são pessoas conhecidas, e seus nomes constam no boletim oficial da Prelazia. Trabalha em 62 países, tem 3.800 sacerdotes e 85.000 leigos. A finalidade do Opus Dei é contribuir para a missão evangelizadora da Igreja, promovendo, entre fiéis cristãos de todas as condições, uma vida plenamente coerente com a fé nas circunstâncias correntes da existência humana, e especialmente por meio da santificação do trabalho. Seus sócios são pessoas que vivem no mundo e nele exercem a sua profissão ou ofício. Não mudam de estado — continuam a ser solteiros, casados, viúvos ou sacerdotes —, mas procuram servir a Deus e aos outros homens dentro do seu próprio estado. O Opus Dei não está interessado em votos ou promessas; o que pede aos seus sócios é que, no meio das deficiências e erros próprios de toda a vida humana, se esforcem por praticar as virtudes humanas e cristãs, sabendo-se filhos de Deus.
    Ou seja, o Opus Dei tem por fim promover entre pessoas de todas as classes da sociedade o desejo da plenitude da vida cristã no meio do mundo. Quer dizer, o Opus Dei pretende ajudar as pessoas que vivem no mundo — o homem vulgar, o homem da rua — a levar uma vida plenamente cristã, sem modificar seu modo normal de vida, nem seu trabalho ordinário, nem suas aspirações e anseios.

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  7. 2 - MENTI, MENTI QUE ALGUMA COISA HÁ DE FICAR...

    O Catecismo da Igreja Católica, ao falar das "ofensas à verdade", menciona, entre outras, as seguintes:
    - A mentira: é o pecado que "consiste em dizer o que é falso com a intenção de enganar" (n. 2482);
    - A calúnia, é o pecado cometido por "aquele que, por palavras contrárias à verdade, prejudica a reputação dos outros e dá ocasião a falsos juízos a respeito deles" (n. 2477).
    A calúnia, portanto, é uma mentira proferida com a finalidade de prejudicar a reputação alheia. Mas é importante ter em conta que se pode caluniar, mentindo de duas maneiras:
    - primeira, dizendo falsidades
    - segunda, pode-se caluniar dizendo verdades; sim, dizendo verdades, mas verdades deturpadas, mal interpretadas, desfiguradas..., até transformá-las em mentiras. É já proverbial a frase que diz: "A pior mentira é a verdade mal contada".
    Quem quiser fique com o simulacro desse livro com Orwell. Eu prefiro ficar com os Papas: com Pio XII que aprovou definitivamente o Opus Dei, a sua espiritualidade e as suas práticas ascéticas; com João XXIII, que doou ao Opus Dei uma chácara pontifícia em Castelgandolfo, para ali fazer uma casa de encontros e cursos de espiritualidade, e lhe confiou uma obra social no bairro romano do Tiburtino; com Paulo VI, que, em carta manuscrita, qualificou o Opus Dei de "manifestação da perene juventude da Igreja"; com João Paulo I que, antes de ser eleito, acabava de publicar um artigo belíssimo sobre a santidade do Fundador do Opus Dei; com João Paulo II, que abençoou o Opus Dei tantas vezes, canonizou o seu Fundador e o erigiu em Prelazia pessoal da Igreja; com Bento XVI, que acaba de abençoar a estátua monumental de são Josemaria Escrivá, recém colocada nos muros da basílica de São Pedro, em Roma. Maior chancela de "autêntica catolicidade" que essa... é difícil.

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  8. Aviso aos navegantes:
    Não pertenço nem faço parte do Opus Dei. Mas dói-me a mentira. Repugna-me a injustiça. Como diz o poeta Rocaro Santos

    A dor da injustiça, da covardia,
    Lateja a dor da incompreensão,
    da ignorância que devasta a emoção.
    Apunhalando-me bem no fundo do peito...

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  9. Os dados foram alguns colhidos de grupo ligado a ala progressista da Igreja Católica como é o caso da respeitada Agência de Notícias - Adital que aglutina colaboradores de diversos paises e muitos são defensores da Teologia da Libertação , corrente teológica perseguida pela Opus Dei e por dieversas correntes do pensamento reacionário e conservador do Vaticano.
    ...
    Uma forte ligação deve ter os monaquistas, a Opus Dei e a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade - FTP...que apoiaram as ditaduras, a perseguição da forças progressistas e a liberdade de culto religioso.
    A história dos governos militares no Brasil contou com o apoio decissivo destas ogganizações...as passeatas da extrema direita "em nome da família e da propriedade " era o apoio da ala conservadora da Igreja ao Golpe dos Militares. ....

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  10. Caro Alexandre,
    Não desejo alimentar polêmica.
    Vossos caminhos não são os nossos. Vossos princípios não são os nossos.
    Mas, quem disse essa "Agência de Notícias - Adital que aglutina colaboradores de diversos paises e muitos são defensores da Teologia da Libertação", é respeitada???
    Prá mim não passa de um magote da extrema esquerda travestidos de católicos para enganar os incautos.

    Outra coisa: segundo consta, a TFP tem mais de 10 anos que não existe mais.

    Também fica na sua cota de responsabilidade a vaga acusação de que "essas organizações" (quais? é bom mencionar) "apoiaram as ditaduras, a perseguição da forças progressistas e a liberdade de culto religioso"(sic).

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  11. Concordo cara Armando....
    mas só algumas observações a FTB continua com site, a inquisição foi ou nao foi perseguição e intolerância religiosa? as manchas da familia no tempo da didatura teve ou nao teve o apoio da ala conservadora da Igreja? a didatura da Itália - os facista contaram ou nao com o apoio da Opus Dei? O senhor acha que os teóricos da Teologia da Libertação são "um magote da extrema esquerda travestidos de católicos para enganar os incautos."????

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