18 dezembro 2008

Quando a Velhice Realmente Começa !


Tenho notado que algumas pessoas a partir de certa idade, começam a formar clãs, panelinhas e afins, e qualquer manifestação de entes mais jovens e de outras paragens é tida como intrusa, alienígena, e quando obtém um pálido respeito, é apenas por um "arcabouço de um sorriso", como mencionei no meu poema sobre os poetas diazepínicos. Mas de forma alguma falo por mim. Não!

Dentre todos daqui, por exemplo, sou conhecido há décadas por muitos. Mas volta e meia, em websites na internet, e grupos sociais diversos, percebo cada vez mais esse fenômeno generalizado da exclusão dos novos talentos. Os bem jovens mesmo, de 15 a 25 anos, que conseguem ao meu ver, fazer coisas incríveis, que nem a velharia sonha em traçar um esboço!

Há toda uma geração de escritores e poetas bem mais novos mandando ver, escrevendo muito bem, e alguns não encontram seu próprio habitat. Quando postam em certas plagas, são, embora elogiados com riso de canto de boca, logo esquecidos. Porque a Matriz que comanda tudo, ainda é o PASSADO. Velhos vivem do passado e no Passado, esquecendo-se que o "Novo sempre Vem" ... E como vem !!! Vem, porque precisa vir, para brilhar. Gente é pra brilhar, pra ser feliz, gente quer ser dona do nariz. Força-se a passagem por entre as velharias raquíticas dos borrões mofados que embotam as paredes das instituições literárias e Culturais do Cariri. Gente que está mais para a cova do que para a pena. Que já vem por uma tradição arcaica de seus pais - Oh Palavras chatas, Tradição, Família e Propriedade. Tradição no sentido do atraso, da velhice, da não aceitação do novo. Família, porque trazem os brasões das famílias tradicionais. Se você não for de família A ou B ou C, tá lascado!

Então, eu peço aqui pelos jovens! Peço por aqueles que buscam um lugar ao sol, que possuem talento e desejam externá-lo. Aquele sujeito que falou de BAÚ lá no Blog do Crato, possui uma certa razão, quando entoa seu grito de guerra por entre eternos saudosismos. Clubinhos de velhos amigos... Clubinhos de intelectuais que só valorizam os seus iguais de outrora...por ter estado na praça A ou B, em determinado tempo e espaço...o tempo dos querubins ?

Não é assim! Não é bem assim. Está tudo errado!
É preciso agir para com os desconhecidos talentosos, da mesma forma, receptividade e tratamento que se dá a nossos próprios amigos de longas datas. Não é apartando-se de uma geração mais recente e se confinando em clubinhos que estaremos agindo certo. É preciso sim, alargar o leque da nossa amabilidade, da nossa sincera admiração por aqueles que vem de longe e são bem mais do que nós. Que podem bem mais do que nós. Que são mais jovens do que nós.
Só agindo com essa igualdade e senso de justiça, é que teremos certeza que não estaremos criando panelinhas que só vêm a beneficiar nossos egos pomposos, elogiando-nos mutuamente a cada postagem, e como o homem do mito da caverna, dando as costas ao que não conhece, ao que não é espelho, apenas por achar que velhos costumes e velhas amizades estão acima das novas possibilidades. Pensando daquela forma, estaremos bloqueando as possibilidades ao novo, e como nossos pais, nos tornando velhos sovinas, raquíticos, metidos, que acham que a experiência de uma vida tremendamente infeliz, é capaz de ensinar alguma porcaria para os mais novos. É tudo igual...nada mudou debaixo do sol. É apenas vaidade, arrogância e preconceito.

Que venha a nova geração, e a recebamos de braços abertos!

Dihelson Mendonça
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6 comentários:

  1. Dihelson,


    Xiiii!!! Você pegou pesado. Olha só as palavras: velharia, mofo, cova. Eita!
    Vamos analisar: são os jovens que formam gangues, que se agrupam por modismos, que se olham, que se copiam, como nós querubins o fizemos em outros tempos. Mas isso não está errado: é um aprendizado. É uma escola. É uma escolha.

    O tempo vai modelando, lixando, lapidando as pedras boas. e essas - jovens ou velhas - aparecem, despontam e brilham, independente da idade.

    As pessoas maduras, sofrem processos. Viveram, experimentaram, se exaurirem em vários sentimentos, se apartaram, se uniram... e quando surge a oportunidade de um reeencontro dessas almas que ambulam pelo tempo, eis que ressurgem as alegrias e a urgência, pois o tempo lhes escorre mais rápido.

    O que você cita, nunca vi por aqui: boicote aos jovens. Em conversas com gente que aqui circula, o que se saboreia é a vontade de sentir o novo.

    Nunca vi por aqui, alguma palavra áspera, alguma objeção, alguma repulsa por qualquer novidade. Presenças jovens são necessárias, porque sabe-se por experiência, que nunca se sabe o bastante, que nunca se chega ao final da palavra. Todo dia ela se renova!


    Abraço,

    (e uma palmada)

    Claude

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  2. Dihelson.

    Outro dia houve uma grande polemica com relação ao isolamento dos atuais membros do Instituto Cultural do Cariri. Os mais antigos se acham mais preparados, mais Cultos, porem quem conhece sabe que nenhum deles escreve como Jose Flavio, e Jose Flavio é Jovem. O que tem qualidade vai prevalecer seja de jovem ou velho. Não há bloqueio. Voce lembra de um texto que escrevi no qual dizia que não tenho medo da velhice, tinha medo sim da solidão? Nós queremos forçar os jovens a gostar das mesmas coisas que gostamos. Eles vivem outro tempo. Tem musica mais bonita do que Atire a primeira Pedra do Mario Lago e Ataulfo? Quando coloco no toca-disco os meninos se dispersam, um vai por quarto, outro sai e aquele mais carinhoso diz como é que gosta de uma coisa cafona dessa? Eu já estou com 55 amigo mas a alma ainda anda com 15 pelo campinho do Esporte jogando minha bolinha. Voce sabe que o Jose Flavio era um otimo Goleiro? O amigo podia ter encontrado um velhinho mesnos careta para ilustrar seu comentario.

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  3. Amigos,

    Este tópico foi mais um alerta do que uma reclamação. Para que a partir dessa data, fiquemos de sobreaviso, que devemos receber os jovens que virão, os forasteiros que virão de outras plagas, os "alienígenas" do nosso espaço que virão, e que lhes demos as boas vindas.

    Há algumas reclamações pelas costas de que os Blogs do Cariri, especialmente o CaririCult é um clube de intelectuais velhos, e acho que é preciso desmistificar essa coisa antes que pareçamos com aquilo que desejamos combater, que passamos a vida lutando contra.

    Como já disse em outra postagem, agora confirmada pelo Morais, Zé Flávio e outros, escrevem tão melhor do que a maioria da geração que os precedeu, mas estes outros nao querem soltar o OSSO.

    Algum jovem só vem a brilhar por aqui se for um verdadeiro Leonardo Da Vinci, e mesmo assim, por breve momento. Eles logo retornam aos seus antigos cultos à seus brasões Cratenses familiares...

    A cultura no Cariri anda meio emperrada por causa dessas cabeças, que ao invés de olhar para as novas gerações e o produto delas, dão as costas, e se fecham numa sala concedendo diplomas aos antigos, como uma espécie de coisa para privá-los da morte natural próxima.

    Sejamos sensatos, e não deixemos que nossa geração aja daquela forma. Sejamos abertos às idéias, aos novos talentos.

    Como falei no início, esse é mais um conselho, uma medida preventiva do que uma reclamação. Mas pelo andar da carruagem, é que antevejo isso lá na frente. Procuremos desviar dessa pedra, ou seremos engolidos por ela.

    Que venha o novo. Não temamos!
    Abraços,
    Bom Dia!

    Dihelson Mendonça

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  4. Creio que a gente tem que curtir o que é bom. Suas palavras tão "só o mii"
    Tá massa, cara!

    (rindo pela (minha)defasagem na linguagem). Pra você ver como as coisas mudam rápido, tá ligado?
    Ae ó bró,abração. Vé se desenrola aí o negócio que me enrolei toda!

    Tá meirmão.
    Vô nessa!

    Claude

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  5. Dihelson.

    Hoje, me encontrei com o Prof. Miguel Costa Barros, ele se orgulha de ter sido seu professor e vai procurar o Blog.

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  6. Morais,

    É um grande prazer saber que o Professor Miguel Costa Barros está conosco, eu até postei uma foto dele recentemente aqui.

    Prof. Miguel, meu amigo, perdoe-me pelos terríveis erros de português que eu cometo aqui todos os dias. Não faço jus aos seus maravilhosos ensinamentos. Como aluno relapso que sempre fui, eis aqui o eterno aprendiz. Não foi culpa sua, que sempre procurou nos ensinar os caminhos mais verdadeiros no Colégio Diocesano do Crato nos idos da década de 80. Quero lhe parabenizar, e convidá-lo a fazer parte dessa imensa família que aqui se reúne e trata de temas gerais da vida e do nosso tempo, pois sempre és Jovem, Bom e Humilde o bastante para saber valorizar o trabalho de tantos outros que assim se empenham.

    Um grande e fraternal abraço,

    Seu humilde aluno e servo, que gosta de escrever letras maiúsculas em meio às minúsculas.

    Dihelson Mendonça

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