02 dezembro 2008

Diálogo Literário – (Duplix)


Foto-montagem (photoshop) : Claude Bloc

O diálogo é sempre o melhor caminho. Só desta forma, as questões vão à mesa, os pensamentos se tocam, os sentimentos são todos aclarados. Este é, então, um convite e um desafio às pessoas que postam seus textos aqui: dialogar com textos. Entremear idéias. O importante é manter o texto-base, respeitando o estilo, o ritmo e o fio do pensamento do autor. Respeitar e adicionar e nunca se sobrepor.

Está lançado o convite!

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Texto literário em que o EU poético se troca pelo TU poético provocando um diálogo entre pensamentos e idéias. O texto-base é de José do Vale Pinheiro Feitosa (na cor preta) e a réplica de Claude Bloc ( em azul).

E eu?
Da fala beiradeira,
tosca na origem,
coruscante expressão.
Mesmo que no filme fosse o artista,que ainda mais falante,
jamais disse: C´est ma vie.

Da janela eu pensava:
C’est ma vie, c’est ta vie
C’est la vie de tout le monde
Como num carrossel que gira
Em torno do pensamento.

Do alto em que o baile ecoava-se,
na acústica do céu estrelado do Crato.
Muito além da França,
sendo franco,
até do horizonte,
lá meu sonho nasce: C´est ma vie.

A serra posta em silêncio
Quedava-se enternecida
Cúmplice, guardava os ecos
Da vida de seus passantes
Esperando o sol nascer
C’est la vie! C’est la vie!
Na varanda da minha casa,
Os sons chegavam na noite
Trazendo acordes da França
E vida ia passando...

Embaixo do telhado,
salão de luzes esmaecidas,
repercussão dos sons universais,
cantante,
sussurrante,
ao teu ouvido dizer,
não sou francês: C´est ma vie.

Pelo salão deslizavam
Pares, ritmos, sintonia
A timidez, o fascínio
Os dias dos sonhos primeiros
Rodopiava a vida
E os suspiros verdadeiros:
C’est bien la vie qui passe!
Moi aussi, c’est ma vie...

O ritmo ligeiro
de cavalaria napoleônica,
os terrenos rodopiando.
Eu cantava,
e na tua pupila brilhava
a dúvida da ousadia farsante: C´est ma vie

A euforia brincava
Com as emoções do momento
A música vibrava intrépida,
E os sonhos rodopiavam
Em surdina pelo espaço
C’est la vie, c’est bien ma vie...
E na janela do tempo
Eu refletia em silêncio:
Toi, si Dieu ne t'avait modelé
Il m'aurait fallu te créer

De morno sopro ao teu ouvido,
meu coração se esfumaçava,
Hugo tocando Adamo.
Luzes pontuais
como pirilampos na noite escura,
acendiam em teu ouvido: C´est ma vie.

Sutilmente deslizavam
Pela face afogueada
Lágrimas límpidas de emoção
E a vontade cristalina:
Vontade de estar ali
Vontade de não fugir
C’est à toi que je dis:
C’est ma vie, c’est ta vie!

Entre outros casais esquecidos,
como numa noite,
as árvores de uma floresta,
caules rodando,
teu perfume bailando
grades de uma prisão
aberta ao infinito: C´est ma vie

A música ressurgia lenta
Lá do mais fundo da noite
E entre suspiros dizias
Num francês terno e suave:
Tu offres à mon cœur chaque jour
Tous les visages de l'amour

Rápido!Qual pensamento ligeiro,
menos que a letra “a”
ou o numeral 1.
De Chanson en Chanson,
estava tua orelha cada vez mais
ao sabor dos meus lábios.
Minhas narinas
lançavam o fogo dos dragões
sobre teu corpo ao meu peito,
cor em brasa,
e para aplacar tamanha ebulição,
suspirava: C´est ma vie. C´est pas l´enfer.

Nas sendas do meu caminho
Perdida em pensamentos
Ecoavam as palavras
Dentro da madrugada
Eu caminhava sem rumo
E teu calor me abordava
Abrasada eu dizia:
Je le sais bien, c’est ma vie !

E girava o mundo
como nós,
ola descomunal
paixões transcontinentais.
Dali jamais sairia,
mas te levaria a uma ilha deserta,
C´est ma vie. C´est pas l ´paradis.
Notre histoire a commencé .

Tua alma se agitava
Teus anseios te assolavam
Falavas como na música
Que o Aznavour entoava:
Moi, je suis le feu qui grandit ou qui meure
Je suis le vent qui rugit ou qui pleure
Je suis la force ou la faiblesse

Lá fora o universo era universal,
a cana, canavial,
o jovem, amoral.
Mas que importa é o visgo
da cintura em meus braços
e eu até dizer: C´est ma vie.

A serra agora era o mundo
Que cercava tua ousadia
Que ungia tuas vontades
C’est la vie qui nous parle.
E Aznavour continuava:
Moi, je pourrais défier le ciel et l'enfer
Je pourrais dompter la terre et la mer
Et réinventer la jeunesse

Mas como queria ter dito,
mesmo hoje,dizer.
C´est ma vie.

As palavras nas canções
São como nosso discurso
As lindas jóias que ficam
Bem guardadas na memória
Somos hoje, fomos ontem
Mensageiros de emoções
C’est la vie, bem pensamos:
Un mot de toi je suis poussière ou je suis Dieu

Qual Alain Delon,
e Dalida em paroles, paroles:
C'est étrange,je n'sais pás ce qui m'arrive ce soir,
je te regarde comme pour la première fois.
E antes que a orquestra parasse,ainda dizer:

Toi, sois mon espoir, sois mon destin
J'ai si peur de mes lendemains
Montre à mon âme sans secours
Tous les visages de l'amour

Mon Amour

8 comentários:

  1. Claude,

    Tive de fazer umas pequenas modificações nas cores da sua postagem, mas no final não alterou o conteúdo. O fato é que a diagramação causou um erro aqui no Blog que alterou quase todas as outras postagens.

    Eu te aconselho a quando for postar textos, escreva diretamente na janela de postagem, ou escreva no Bloco de Notas do seu computador. Nunca use o WORD para escrever e passar diretamente do Word para cá, pois acontece isso.

    Uma maneira é fazer no Word, e copiar para o Bloco de notas do windows. Depois, DO Bloco de Notas vc traz para o Blog, e só depois pode colorizar já no Blog. na janela do Blog tem ferramentas de colorização.

    A mesma coisa acontece em todos os blogs. Isso é uma coisa geral. No CaririCult também aconteceu, alterou-se a fonte das postagens das pessoas, mas lá, o Carlos Rafael há de dar um jeito...

    Aqui, já está tudo certo.
    Abraços,
    Bom Dia!

    Dihelson Mendonça

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  2. Claude e José do Vale,

    É uma delícia ver esse diálogo Literário...assisto de camarote!

    Abraços,

    Dihelson Mendonça

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  3. Esta simbiose poética de dois seres diatantes, só ocorre em gênios. Parabéns a Claude pela brilhante idéia.

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  4. Ai, Claude... meu "queixo" ficou lá em baixo !
    Meu coração exultou. Sou romântica , sou musical , e ainda dizem que tenho veia poética... Mas com tanta poesia , quem não se arrepia ?

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  5. Dihelson,

    Entendi a sua orientação. O fato é que não conheço ainda as "manhas" dos blogs, mas de agora em diante, tomarei este cuidado para não haver mais transtornos.

    Como diz o ditado: "Vivendo e aprendendo".

    Grata,

    Claude

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  6. Carlos,

    Esse clima de encontro que está sendo promovido aqui nos Blogs de Crato, tem sido para mim um exercício pra lá de prazeroso, pois minha alma está em polvorosa. Isso quer dizer que a inspiração anda jorrando. Gostaria que esta idéia do DIÁLOGO LITERÁRIO vingasse, pois é envolvente e a sensação de harmonia anímica estimula por ser desafiadora. Esteja à vontade para usar algum texto meu e proporcionar este intercâmbio de idéias. Farei o mesmo com algum que sintonizar mais profundamente com minha sensibilidade.

    Abraço,

    Claude

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  7. Claude, depois quero fazer um desses contigo também. Quando minha cabeça voltar a residir em meu corpo novamente ( pleonasmo ). Agora, eu só tenho olhos para o trabalho aqui na Senzala.

    Abraços,

    Um escravo.

    DM

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  8. Claude.
    Um dia a encontrei na Serra.
    Outro, a perdi no Shopping.
    Hoje, a descobri no blog.
    Achei fantástico o contraponto gráfico e poético que você criou com texto de José do Vale.
    Talvez fosse de bom alvitre, para tornar o texto uiversal, em sede de Língua Portuguesa, traduzir o que nele existe de francês.
    Peço-lhe permissão para arriscar uma tradução na sequência dos versos e estrofes : "Eu, eu sou o fogo que cresce ou que morre.
    Eu sou o vento que ruge ou que chora.
    Eu sou a força ou a fraqueza "
    "Esta é a minha vida"
    Eu, eu posso desafiar o céu e o inferno.
    Eu posso dominar a terra e o mar
    E reinventar a juventude."
    "É a vida (bem pensamos): Uma palavra sua eu serei pó ou serie Deus."
    " É estranho, eu não sei se chegou ou se parto,
    eu te olho como se fosse pela primeira vez".
    "Tu és a minha esperança, és o meu destino.
    Eu tenho medo dos meus amanhãs,
    prenunciam a minha alma sem socorro. "
    ÑÃO SEI SE ACERTEI. MAS TENTEI.

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