28 dezembro 2008

Caldo de Cana e Casamento - Por: João Mendes Filho


Na década de 70, sempre ocorriam casamentos na igreja São Vicente por volta das 15:00 horas, habitualmente, os noivos se deslocavam para a lanchonete da esquina para tomar um caldo de cano, não sei se pelo calor da responsabilidade a assumir, pela temperatura ambiental ou pelo sangue em fervura pelo pós núpcias ou pelas propriedades salutares deste lanche de manter o sertanejo infalível na hora da prova. O fato é que ajudando no comércio do meu pai, sempre atendia estes fregueses e por ainda ser adolescente e sem censura, falava o que pensava, pois bem, em um destes dias, recebo cliente, que no intervalo antes da chegada da noiva se desloca com amigos para tomar um caldo de cana com gelo e sou indagado pelo mesmo:
- Garoto, tem caldo de cana?
- Sim.
- Quero 3 copos grandes com gelo.
Tendo quebrar a barra de gelo, porém a mesma insiste em permanecer inteira. O noivo tentando ser simpático frente aos amigos, cita:
- Que gelo duro garoto.
- Pois não é senhor, este é duro que só chifre.
Todos os amigos do noivo olham imediatamente para o mesmo, como a elegê-lo como vítima, ao que este prontamente reclama.
- Como é cabra, vou falar com seu pai, tenha mais respeito com os mais velhos.
Percebam que maldades tinham os amigos do noivo, pois enquanto na minha ingenuidade estava a falar do artefato proeminente de alguns animais irracionais que pode ser serrado ou quebrado, aqueles estavam a pensar noutro que é invisível, são outros que põem na cabeça do titular, não quebram e uma vez obtido, jamais o perderão.

João MENDES Filho

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Visite a página oficial do Blog do Crato - www.blogdocrato.com - Há 10 Anos, o Crato na Internet.