02 dezembro 2008

Academia lança novos cordéis no Cariri


Cultura Popular

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Solenidade de lançamento dos novos cordéis foi realizada sob o clarão da Lua, em um ambiente propício para um recital de poesias (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Pela primeira vez, foi lido um cordel em forma de entrevista. Entidade chega a quase 600 títulos publicados

Crato. A Academia dos Cordelistas do Crato lançou mais nove cordéis, perfazendo um total de quase 600 títulos e um milhão de folhetos nos seus 19 anos de existência. A solenidade foi realizada ao ar livre, no pátio da Academia, sob a claridade da lua. “Um ambiente próprio para um recital de poesias”, disse o presidente da instituição, Luciano Carneiro, acrescentando que o principal objetivo é manter uma das mais ricas tradições da cultura popular. A literatura de cordel, segundo Luciano, atravessa os séculos sem ser destruída pela avalanche de modernidade que tende a invadir o sertão.

O primeiro cordel lançado teve como mote “A Nossa Mãe Dona Evinha é Luz no Nosso Viver”, de autoria de Wiliana Brito. No mesmo estilo, foi lido o cordel “Antônio Higino é Amigo dos Cordelistas do Crato”, também da mesma autora. Pela primeira vez, foi lido um cordel em forma de entrevista. A poetisa Francisca Cardoso de Oliveira, conhecida como “Mana”, entrevistou o jornalista, radialista e correspondente do Diário do Nordeste na Região do Cariri, Antônio Vicelmo, que respondeu às perguntas por meio de versos.

Os outros cordéis seguiram a linha tradicional. Edésio Batista fez um relato do tempo em que a missa era celebrada em latim. Josenir Lacerda falou sobre o “pulo do santo, uma história, bem humorada, sobre São Longuinho”. O professor Eugênio Dantas descreveu as histórias engraçadas de Edésio da Gentil, enquanto Aldemá de Morais falou sobre o projeto “Nova Vida”. No fim do encontro, a poetisa Mana leu um cordel sobre as riquezas da Serra do Araripe, um dos principais acidentes geográficos da região do Cariri.

Produção à antiga
O cordel é feito em antigas máquinas impressoras. A chapa para impressão do cordel é feita à mão, letra por letra, um trabalho artesanal que dura cerca de uma hora para confecção de uma página. Em seguida, a chapa é levada para a impressora, também manual, para imprimir. A manutenção desse sistema antigo faz parte da filosofia do trabalho, diz o agrônomo Wiliam Brito, integrante da Academia e autor de cordéis voltados para a defesa do meio ambiente que tiveram repercussão em todo o Brasil. A outra etapa é a confecção da xilogravura para a capa do cordel.

Em crônica lida na Rádio Educadora do Cariri, o médico e historiador Napoleão Tavares Neves lembrou que o cordel veio da Europa. No século XVIII, já era comum entre os portugueses a expressão “literatura de cego”, por causa da lei promulgada por Dom João V, no ano de 1789, permitindo à Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa negociar com esse tipo de publicação. O denominação cordel vem do hábito de expor os folhetos em cordões para a venda.

Centro irradiador
Napoleão destaca que o cordel nordestino gritou independência assumindo características próprias. O Cariri tornou-se o centro irradiador dessa cultura, através da Lira Nordestina e da Academia dos Cordelistas do Crato.

O poeta popular, segundo Napoleão, é o representante do povo, o repórter dos acontecimentos da vida no Nordeste do Brasil. Não há limite na escolha dos temas para a criação de um folheto. Pode narrar desde os feitos de Lampião até as “presepadas” de heróis como João Grilo ou Cancão de Fogo, uma história de amor ou acontecimentos importantes de interesse público. “O Pavão Misterioso” e “Chegada de Lampião no Inferno” são os cordéis mais vendidos entre os produzidos na região.

Centro irradiador
Segundo Ariano Suassuna, um estudioso do assunto, a literatura popular em versos do Nordeste brasileiro pode ser classificada nos seguintes ciclos: o heróico, o maravilhoso, o religioso ou moral, o satírico e o histórico. Atualmente, a literatura de cordel enfrenta dificuldades e não tem um bom mercado no Brasil, como acontecia na década de 1950, quando foram impressos e vendidos dois milhões de folhetos sobre a morte de Getúlio Vargas, num total de 60 títulos.

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Segundo Luís da Câmara Cascudo, no livro ´Vaqueiros e Cantadores´, os folhetos foram introduzidos no Brasil pelo cantador Silvino Pirauá de Lima e depois pela dupla Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista. No início da publicação da literatura de cordel no País, muitos autores de folhetos eram também cantadores que improvisavam versos, viajando pelas fazendas, vilarejos e cidades pequenas do sertão. Os cordelistas foram os precursores do rádio e do jornal. Com a criação de imprensas particulares em casas e barracas de poetas, mudou o sistema de divulgação do material popular. O autor do folheto podia ficar num mesmo lugar a maior parte do tempo, porque suas obras eram vendidas por folheteiros ou revendedores empregados por ele.

Mais informações:
Academia dos Cordelistas do Crato
Praça Filemon Teles, em frente ao Parque de Exposições
(88) 3523.3947 / 3523.4442

Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste

2 comentários:

  1. Gostaria de parabenizar a todos os cordeistas que mantém viva essa tradição tão eriquecedora.Afinal:

    O homem que por amigos
    tem a caneta e o papel
    que derrama os seus versos
    da maneira mais fiel
    constrói fina poesia
    com traços de harmonia
    nas folhas de um cordel.

    Um abraço a todos
    Denísia de Oliveira

    fiel.

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  2. Gostaria de parabenizar a todos os cordelistas que mantém viva essa tradição tão enriquecedora.Afinal:

    O homem que por amigos
    tem a caneta e o papel
    que derrama os seus versos
    da maneira mais fiel
    constrói fina poesia
    com traços de harmonia
    nas folhas de um cordel.

    Um abraço
    Denisia de Oliveira

    Dhielson, por favor troque o outro comentário por este.Os erros precisam ser reparardos.Obrigada

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