15 novembro 2008

Sou do Crato - Claude Bloc





Sou de Crato____________________________

Já pensei muitas vezes em escrever sobre o Crato, e, maiormente, sobre esse (in)explicável sentimento que todos os cratenses têm pela sua terra. Esse sentimento exacerbado e efervescente que jamais vi em outra, das tantas cidades que conheci... Não sei bem como explicar, mas creio ser um sentir (in)exato, de tão forte, de tão absoluto que se manifesta. Na minha vida errante pelo sul, pelas tórridas ruas de Sobral, pelas ensolaradas praias de Fortaleza, por todos os mais diversos (re)cantos, insalubres ou não, por onde andei, nunca, jamais, encontrei no olhar de toda essa gente que povoou, de alguma forma, meus momentos, o calor intrínseco e “ruidoso” que alimenta a alma de um cratense. ... E fala-se da terrinha com orgulho, com um garbo majestoso de quem renasce a cada sorriso, diante da lembrança contundente dessa terra querida, desse quinhão afetivamente incrustado na alma. Somos, então, todos cúmplices nessa história que escrevo emocionada. E hoje, olho para mim, imersa nessa amálgama, comunicando-me com o universo com um sotaque específico e claro: “sou de Crato e estou morrendo de saudade”... Como todos os que amam minha cidade, orgulho-me de ter crescido por entre essas pessoas todas que hoje ilustram minha memória em tantas linhas da minha prosa. O Crato para mim não é um lugar remoto. Nunca deixei de visitá-lo mesmo em minhas incursões por outras terras. Nunca me senti estrangeira olhando de longe essa saudade inesgotável. As ruas, as pessoas, a vida do/no Crato passeiam em minhas veias a cada alvor do dia, porque nunca deixei de amar a terra, a serra e essa linguagem própria e estranhamente inusitada. Por todos os meus poros vou além deste amor intransitivo, num reconhecimento mútuo que (de)codifico em meus refúgios mentais. O Crato é meu espelho e meu norte. É lá onde me posto neste sutil encantamento em que as melodias do meu estro se deixam quedar absolutamente (in)confessáveis. Sou de Crato... e me utilizo dessa luz insuspeita que me acalenta, para adormecer as coisas, para registrar o abandono a que me impus em outras terras. Perco-me de mim, mas (re)visito-me no Crato. Sufoco-me na emoção de um novo encontro... Viceja em mim a sinfonia única e transparente do passado e os acordes mais dolentes que solfejo em carne viva... Renasço a cada gesto lasso e impaciente De volta, transcendo num limbo florescente e belo: meu Crato!


10 comentários:

  1. Claude amiga, chorei de emoção...Teu texto arrepia o coração de qualquer cratense !


    Beijo , conterrânea !

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  2. O texto de minha querida amiga Claude é uma das coisas mais lindas e verdadeiras que já li. Comungo de cada palavra com que ela se expressa. Não há mais o que dizer, depois de tão bela síntese. Apenas sentir, por meio de suas palavras, esse sentimento indecifrável, que não é puro saudosismo, senão a confirmação do pedaço grande do nosso coraçao que ficou em nossa terra. Revelo profunda alegria de saber de Claude, de quem há muito tempo eu não tinha notícia. José Hamilton de Lima Barros

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  3. Que bela declaração de amor. Bem vinda da Claude poetisa que eu conheço.

    Um abraço

    Dedê

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  4. Claude, como sempre você tem a palavra certa para cada assunto e para cada ocasião... Você descreveu com exatidão, este amor que os cratenses têm pelo Crato...É um apego que atravessa gerações...

    Um abraço

    Tereza maria

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  5. Claude, como sempre você tem a palavra certa para cada assunto e para cada ocasião... Você descreveu com exatidão, este amor que os cratenses têm pelo Crato...É um apego que atravessa gerações...

    Um abraço

    Tereza maria

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  6. Claude, como sempre você tem a palavra certa para cada assunto e para cada ocasião... Você descreveu com exatidão, este amor que os cratenses têm pelo Crato...É um apego que atravessa gerações...

    Um abraço

    Tereza maria

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  7. Lembro a Claude com os olhos da minha adolescência. Linda ! Filha de um professor meu de francês (Monsieu Hubert e D. Janinne) e irmã da Dominique. O texto é uma declaração de amor ao Crato e ficamos todos igualmente apaixonados.
    A Bientôt Claude !

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  8. Vixe!!!! Estou em êxtase !!! Pelo Crato,pelas coisas boas que estão acontecendo advindas do Crato, pelo reencontro com as pessoas que fizeram parte de minha história e das quais não sabia há séculos. Sempre mantive lembranças doces guardadas bem profundamente na memória... E ei-las que retornam vivas depois de tanto tempo. Naquele texto meu estão todas essas coisinhas especiais embutidas nas entrelinhas...
    Abraços... espero re-estreitar esses laços

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  9. Vixe!!!! Estou em êxtase !!! Pelo Crato,pelas coisas boas que estão acontecendo advindas do Crato, e pelo reencontro com as pessoas que fizeram parte de minha história e das quais não sabia há séculos. Sempre mantive lembranças doces guardadas bem profundamente na memória... E ei-los !!!

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  10. Estou em êxtase! O Crato e os amigos de longa data me aparecem de novo, trazidos de volta à minha memória. Precisou haver o milagre! Um texto meu remexendo as emoções dos passantes, e a ajuda de Socorro tornando isso possível. As lembranças adormecem, o tempo passa, mas os sentimentos, estes ficam ! Agradeço pelas palavras e pelo carinho. Espero reencontrá-los todos em breve. Só a Tereza Duarte eu vejo sempre. Mas a reencontrei também a pouco tempo... Abraço a todos. Saudades muitas.

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