29 novembro 2008

Lutheria Brasil registra participação reduzida


Cariri

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Mestre Chico da Banda Cabaçal Santo Antônio, de Juazeiro do Norte, participa da Lutheria Brasil mostrando a fabricação de zabumba (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

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Hary Schweizer integrante da Orquestra Sinfônica de Brasília, mostrou como acontece a construção do fagote, instrumento utilizado na música erudita

Mesmo com proposta inovadora de reunir luthiers de todo o Brasil no Cariri, evento quase não se realizou

Juazeiro do Norte. Termina amanhã, nesse município a Lutheria Brasil, evento de âmbito nacional voltado para a promoção, visibilidade, oferta de produtos, serviços especializados e fomento de negócios na lutheria artesanal brasileira (fabricação de instrumentos). O encontro, aberto na última quarta-feira, reúne os melhores luthiers do País, numa troca de experiências, com exposições, oficinas, shows de música popular brasileira e concertos eruditos. A falta de verbas prejudicou a programação. O encontro esteve na iminência de não ser realizado.

Na Feira de Construtores Artesanais de Instrumentos Musicais, um contraste entre o popular e o clássico. De um lado, uma exposição de instrumentos da banda cabaçal e instrumentos de cordas feitos de cabaça. Do outro, os instrumentos eruditos: fagote, violino e também violoncelo.

Entre os famosos construtores de instrumentos como violino, viola e violão, chamou a atenção um fabricante de banda cabaçal: José Antônio da Silva, conhecido por “Mestre Chico”, que levou a sua oficina para o Ginásio Poliesportivo, onde foi instalada a Feira de Construtores Artesanais de Instrumentos Musicais.

Proprietário da Banda Cabaçal Santo Antônio, de Juazeiro do Norte, Mestre Chico mostrou como se faz um zabumba, uma caixa e os pífanos. Há 50 anos, quando ele começou a fabricar as primeiras bandas cabaçais, consumia mais de 15 dias de trabalho. Hoje, o conjunto é feito em três dias.

Mestre Chico explica que, no passado, o zabumba era feito de tronco de timbaúba, Hoje é feito de folha de compensado, muito mais prático e mais barato. Porém reconhece que o som não é o mesmo. Ele levou um zabumba de timbaúba, fabricado em 1934, no ano em que o Padre Cícero morreu, para mostrar a qualidade de som do instrumento.

Do outro lado, o construtor de fagote Hary Schweizer, integrante da Orquestra Sinfônica de Brasília. Apesar do nome alemão, Hary é brasileiro da gema. Foi na qualidade de professor de seu instrumento que mais sentiu a carência de fagotes no Brasil, ora por seus elevados custos, ora pelas dificuldades de importação, pois o fagote era, até então, um instrumento não fabricado no País. O preço do instrumento o torna mais seleto ainda. Um importado custa em torno de 20 euros, quase R$ 60 mil. O construído por Hary é vendido por menor preço, mas chega a R$ 12 mil.

Daí nasceu à idéia de um fagote brasileiro que, depois de muitos percalços, buscas, custos e até improvisações, foi inaugurado com sucesso em 1991. Usando madeiras brasileiras e uma autonomia quase total em termos de ferramentas, materiais e tecnologia, Hary Schweizer tornou-se o único construtor de fagotes na América Latina, o que já mereceu na imprensa especializada dos Estados Unidos, Argentina e Alemanha, terra do fagote moderno, artigos em várias revistas sobre o músico.

Insatisfação
É neste confronto de culturas que está sendo realizada a Lutheria Brasil. Os organizadores dizem que o projeto foi prejudicado porque a Petrobras, principal patrocinador, não cumpriu o prazo para liberação da verba no valor de R$ 100 mil. “O dinheiro só foi confirmado na quinta-feira, depois da abertura do encontro”, revelou a assessora de Imprensa Márcia Vaisman, acrescentando que, por conta da indefinição, alguns luthiers não vieram.

A situação gerou um clima de insatisfação entre os artistas. Alguns não quiseram dar entrevistas. Um dos poucos que falou foi o cearense de Sobral, residente no Estado do Espírito Santo, Paulo Mouta, construtor de violinos. Mouta lamentou a desorganização do evento, afirmando que faltou divulgação. Ele disse que não tinha condições de fazer uma avaliação do encontro. Destacou, entretanto, o intercâmbio entre a cultura popular e a erudita.

Estava prevista para o primeiro dia uma oficina de lutheria de violão, rabeca, violino, flauta, caixa de ruflo, zabumba, regulagem de instrumentos de corda, marchetaria, processamento e beneficiamento de madeira para produção de instrumentos, fundamentos de acústica musical, técnicas de conservação, manutenção e reparo de instrumentos. Porém, as oficinas não foram realizadas porque faltou público.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter

Mais informações:
Lutheria Brasil, encontro nacional que acontece até amanhã no Ginásio Poliesportivo de Juazeiro do Norte, Av. Padre Cícero, ao lado do Triângulo Crajubar

Reportagem:
Antonio Vicelmo.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste
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