28 novembro 2008

EXERCITANDO A MENTE.

POR A. MORAIS.
Meia noite o pinto pinica o galo
O galo pinica o pinto
E o pinto quiriquiqui.
Meia noite é o berrado do bode
É o roncado do porco
Que ninguém pode dormir.
Estes versos são parte de uma composição de muito sucesso gravada por Luis Gonzaga cuja letra e musica são da autoria do cratense Audizio Brizeno.
Em sociedade com Mário Oliveira o Audizio foi fundador do Posto Regente, rebatizado posteriormente, nas décadas de 60 e 70, por Posto Crato instalado a Praça Siqueira Campos cuja prestação de serviço era o atendimento ao transporte de pessoas por meio do táxi de aluguel.
A vida social da cidade era intensamente vivida. O Crato era feliz na sua ingenuidade. O coração dos jovens abrigava ternas paixões e sonhos doirados. Dois conjuntos musicais se revezavam nos clubes sociais. O de Hildegardo e o do Irineu. Em cada mesa via-se uma família. Ordem completa. Não se ouvia quebrar um copo. Quando o Orlando, de saudosa memória, ensaiava os acordes de sua musica predileta: AQUARIUS, já se via a Meirinha Brito e o Vicente Ludgero desfilando no salão mostrando a fina arte de dançar.
Entre uma bebida e outra, servida por Fuim e Cabeleira, garçons da maior categoria, o velho Paulo Frota administrava os serviços do restaurante. Diferentemente da era Lula, em que todos possuem seu próprio carro para fazer os seus deslocamentos, naquela época se utilizava muito o serviço de táxi de aluguel.
O Audizio tinha um timbre de voz assemelhado à voz feminina e se danava com muitos desocupados que faziam trotes e que o imitavam. Numa noite de plantão movimentado, lá pras três da manhã, uma senhora liga para o posto e o Audizio se prepara para revidar o trote. Atende: alô! A senhora pergunta educadamente: quem está falando? Portanto, uma voz feminina semelhante a do Audizio: E Ele respondeu irado: porque você não vai imitar a puta que pariu? Bateu o telefone e a senhora caiu no pranto sem entender a razão de tanta agressividade.
Terminada a festa o ponto de encontro era no Pau do Guarda onde era servido um pirão de galinha caipira com farinha de mandioca preparado por dona Raimunda para recuperar as energias.
A barra já estava quebrando e se ouvia ainda, numa mesa ao lado, o violão do Audizio Gomes, o bandolim do Vicente Padeiro acompanhando o Geraldo Maia cantar Marina para os aplausos de uma seleta platéia formada por Jose Landim, Jackson Duarte, Siebra Jr, Elieser Pinheiro, Valdenir Silva, Heleno e Dona Ruth.
Esse era o Crato inocente, Crato livre, livre da maldição das drogas, da frieza dos assaltantes e da traição do colesterol.

8 comentários:

  1. Esse Morais...é muito bom vc abrir seu PC e ver essa sua postagem. Realmente numa sexta feira é ideal vc refrescar sua mente e ao mesmo tempo exercitar; o velho Audizio Gomes com seu palito na boca, tive o prazer de conhece-lo e ainda ser amigo do seu filho Audisio, hoje residindo em SP.
    Valeu Morais..

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  2. Caro Morais,
    Estamos vivenciando uma temporada de resgate do Crato de outrora. A respeito da sua crônica gostaria de dizer que ainda conheci o Audisio Brizeno. A ele devemos duas iniciativas com ressonância até hoje. A primeira é o munumento existente no jardim da Catedral de Crato, alusivo à passagem da imagem peregrina de N.Sra.de Fátima que veio a esta cidade em 1953. O monumento foi bancado pelos motoristas cratenses, liderados por Audísio.
    Também iniciativa dele foi a construção de um pequeno oratório a São Cristovão(Padroeiro dos Motoristas)que existiu até por tempo na parte externa da igreja de São Vicente Ferrer em Crato.Tudo bancado pelos motoristas. Deste último resta apenas a imagem de São Cristovão, esculpída em cimento, hoje colocada num altar, na parte interna da mesma igreja....

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  3. Luiz Wellington,
    Creio que o amigo confundiu Audísio Gomes (ex-comerciante, que gostava do palito na boca) com Audisio Brizeno, motorista profissional, que residia na Rua José Carvalho...

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  4. Luiz Wellington.
    Bom dia.

    Voce está certo. Eu falo dos dois Audizios, o Brizeno e o Gomes, O do Palito tocava um fino violando e acompanhava o Geraldo Maia em sua canção, citada no final do texto. Obrigado pelo seu comentario.

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  5. Amigo Armando.

    Fui amigo dos dois Audizios. O Brizeno e o Gomes, o texto fala nos dois. Não tinha conhecimento das informações passadas com relação a fé religiosa do Brizeno. Se já era grande no meu conceito, pode ter ceteza, cresceu a admiração.
    Abraços.

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  6. Puxa, Morais, você me fez retornar aos 16 anos. Audísio Brizeno conheci bastante. Mas o motorista da nossa família era o Pedro Maia. Quando este se aposentou foi substituido pelo Antônio Cajazeiras, um gordo bonachão que ensinou ao meu pai a dirigir e que havia sido motorista da ambulância da Maternidae. Audísio Gomes ficou sendo meu amigo a partir das férias de fim de ano de 1969. eu havia comprado um violão lá na Bahia, onde todo baiano toca e bem. Quando cheguei em de férias, fiquei surpreso, pois Magali, á época minha namorada, estava tocando mais do que eu. Então, ela me levou ao seu Audísio que foi meu professor. Com ele aprendemos a tocar carinhoso. Eu nunca consegui aprender a tocar violão. Decorava as sifras, mais nunca soube ouvir uma música e reproduzí-la. Tive vários professores a seguir, entre ele o hoje famoso Cleivan Paiva, na opinião do Dihelson, que eu respeito, é o maior violonista do Brasil. Há dez anos desisti de vez. Grato pelas lembraças que você despertou em todos nós.

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  7. Carlos esmeraldo.

    Na postagem inicial falamos em mais de 35 personalidades do Crato. Umas já são ausentes outras ainda temos em nosso meio. No seu comentario voce completa a lista com Pedro Maia, Antonio Cajazeira, o Cleivan Paiva. É isso amigo, exercitando a mente, agente vai lembrando e vai matando a saudade.
    O seu comentario complementa a postagem inicial.
    Obrigado.

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  8. O Audizio Brizeno que vcs se referen, seria por acaso o falecido Audizio, residia na rua Jose Carvalho, pai do Anizio Brizeno e de Adalva Brizeno... Esposo da falecida Ana Tavares Brizeno, mas conhecida como dona Nananzinha, é esse? Nossa, se for tenho orgulho de dizer que são meus primos em terceiro grau, mas são.

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