16 outubro 2008

Preservação de patrimônio - Ambientalistas temem fim do Sítio Fundão

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Estudantes participam de manifestação em prol da preservação do Sítio Fundão, ameaçado de ser destruído pela degradação (Foto: Antônio Vicelmo)

Crato. Ambientalistas do Crato assinaram um documento que será entregue ao Governo do Estado, advertindo que, se não for montada uma estrutura de fiscalização, o Parque Ecológico do Fundão, recentemente comprado pelo Governo, será destruído. Com a desocupação da única casa construída na área de 100 hectares, o sítio ficou venerável às invasões. O ofício adverte que o escritório local da Superintendência do Meio Ambiente (Semace), não dispõe de infra-estrutura para uma fiscalização eficiente.

O chefe do escritório da Semace no Crato, João Joça Melo, garantiu, no entanto, que a situação está sob controle. Os carros da Semace vão diariamente ao sítio com a finalidade de fiscalizar, mas admite que o problema só deve ser solucionado quando a área for cercada. “Vamos começar do zero. O governo está licitando a cerca do terreno”, disse.

Para o professor de História Eldinho Pereira, “apesar de toda a mobilização sócio-ambiental e popular verificada no transcorrer de 2007, e também, do Decreto Estadual nº 29.179 de 8 de fevereiro deste ano, o Parque Estadual Sítio Fundão continua sob ameaça de devastação”. Ele lembra que, nos últimos oito meses, as atenções voltaram-se para a compra do exuberante Sítio Fundão pelo governo estadual e para a formação de uma equipe gestora que ainda não é conhecida.

Em uma época de incêndios, nem sempre ocasionais, aumentam os riscos de fogo no local. A Semace, segundo Edinho, não dispõe de estrutura suficiente e o Corpo de Bombeiros encontra-se sucateado. “Pelo que ouvimos, o Plano Diretor da cidade não prioriza o sítio e, por último, as pessoas entram na área para retirar madeira de forma ilegal. Se algo não for feito logo, todo o trabalho realizado por estudantes, professores, ambientalistas e lideranças locais irá abaixo”.

O Sítio Fundão será transformado em área de proteção ambiental pela Procuradoria do Patrimônio e do Meio Ambiente do Estado. O Decreto nº 29.179 de 8 de fevereiro deste ano prevê a criação do Parque Estadual do Sítio Fundão, a ser definida como Unidade de Proteção Integral. Publicado no Diário Oficial do Estado, em 11 de fevereiro, o decreto resultou da exposição de motivo da assessoria técnica do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente, que destacou a importância de preservar-se a área a qual apresenta rica biodiversidade e mata nativa, inclusive espécies remanescentes da Mata Atlântica. O Fundão está localizado no sopé da Serra do Araripe, a 3km do Crato, e foi, até este ano, uma propriedade privada. Palco de um inestimável valor cultural, a região preserva o único engenho secular movido à tração animal, resquício da ocupação canavieira, e do sobrado de taipa.

FIQUE POR DENTRO

Degradação ecológica pode ser evitada

A criação do Parque Ecológico do Fundão tem a possibilidade de evitar os problemas constantes de depredação ecológica, resultado da falta de recursos de seus herdeiros para cuidarem sozinhos de uma área de mais de 100 hectares. Agora, sob o domínio público, a situação tende a melhorar consideravelmente, preservando a fauna e a flora, além dos recursos hídricos do lugar. O Sítio Fundão foi preservado graças à consciência ecológica de seu antigo proprietário, Jéferson de Franca Alencar. Enquanto vivo, Jéferson não permitiu, em momento algum, a sua degradação. Hoje, com o crescimento da violência, os herdeiros perderam o controle da reserva, que vem sendo utilizada como ponto de encontro de viciados em drogas. A área já foi atingida por incêndios, que tiveram parte do local comprometido.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter


Mais informações:
Semace - Crato
(88) 3102.1288
APA do Araripe
Praça do Colégio Estadual
(88) 3521.5138

Reportagem:
Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal Diário do Nordeste
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2 comentários:

  1. Nós herdeiros do sitio fundão,nos sentimos entristecidos em ver que após 60 dias da desocupação do patrimônio,o mesmo ainda está sob a mira de pessoas desocupadas.Pedimos que se mantenha o propósito de Jefferson da Franca Alencar em preservar a propiedade. Nesse sentido solicitamos das autoridades compedentes um urgente olhar na solução desse problema.

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  2. Nós herdeiros do sitio fundão,nos sentimos entristecidos em ver que após 60 dias da desocupação do patrimônio,o mesmo ainda está sob a mira de pessoas desocupadas.Pedimos que se mantenha o propósito de Jefferson da Franca Alencar em preservar a propiedade. Nesse sentido solicitamos das autoridades compedentes um urgente olhar na solução desse problema.


    Wallace Jamelli Vidal Alencar

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