14 outubro 2008

N. Sra. do Rosário - Aberta festa de padroeira


Trazemos hoje essa bela matéria publicada hoje no Diário do Nordeste sobre a festa da padroeira de Milagres, N. Sra. do Rosário, feita pelo jornalista Antonio Vicelmo, que retrata muito bem a história, a devoção e a Fé do nosso povo.

N. Sra. do Rosário

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Banda Cabaçal, ou zabumba, é a principal atração da Festa de Nossa Senhora do Rosário, no município de Milagres. A bandinha passa o dia de prontidão e anima os fiéis até dentro da igreja (Foto: Antônio Vicelmo)

Até o próximo dia 19, os moradores do distrito de Rosário, localizado em Milagres, no Cariri, reverenciam a padroeira

Milagres. Uma festa típica do Interior, com zabumba, procissão, fogos, novenas e um forte conteúdo místico e religioso. É a festa de Nossa Senhora do Rosário, padroeira do Distrito de Rosário, na cidade de Milagres, que foi aberta sexta-feira passada e prossegue até o dia 19. A centenária banda cabaçal, ou zabumba, é a principal atração do evento religioso. A bandinha passa o dia de prontidão. De vez em quando, dá uma volta no vilarejo, avisando que a paróquia está em festas.

A pequena igreja construída pelos escravos, no século XVIII, serviu de cenário para o primeiro filme sobre o Padre Cícero, que teve como diretor o jornalista e diplomata caririense, Helder Martins.

A Igreja do Rosário carrega o mesmo estigma das igrejas consagradas à Nossa Senhora do Rosário. Na época da colonização, quando os negros africanos foram trazidos para o Brasil, a bordo de navios negreiros, além da saudade de seu país, — de onde foram arrancados repentinamente —, trouxe também em seus prantos e lamentações, a fé no culto e ritos religiosos de suas várias regiões. No entanto, como os senhores de escravos não permitiam que eles tivessem sua própria religião, os negros foram obrigados a construírem sua própria igreja.

Capela

A igreja do distrito de Rosário foi uma delas. As paredes do pequeno templo tem mais de um metro de largura. O bancário, Marcos Antônio Ferreira, que dirige o coral de crianças da igreja, diz que passou mais de 15 dias para instalar os quadros da Via-Sacra nas paredes de pedra da capela.

A porta principal, talhada em madeira, é sentada num portal de pedra. Um detalhe que chama a atenção dos historiadores: é a única igreja do Cariri cujos portais de madeira foram substituídos por granito.

Os moradores do pequeno povoado não sabem quando a igreja foi construída. O aposentado Raimundo Alves dos Santos, conhecido por “Wilson Mandu”, lembra que o seu avô era quem zelava a capela.

Os mais velhos contam que, quando os primeiros moradores chegaram à localidade, que fica à margem do Riacho dos Porcos, já encontraram a igreja coberta pelo mato.

Uns dizem que a capela foi construída pelos índios, já outras pessoas garantem que foram os escravos. O vigário, padre Josias Gomes, confirma que foram os escravos.

Rituais

Ainda hoje é possível ver que são mantidos alguns rituais negros na missa de encerramento da festa. É a presença dos reisados, ou congadas, bailado dramático em que os figurantes representam, entre cantos e danças, a coroação de um rei do Congo.

O padre Duza, do município de Abaiara, que foi convidado para fazer a pregação na festa, lembrou que, no tempo da escravatura, os negros se reuniam no mato e ali cantavam, pedindo à Nossa Senhora do Rosário, sua padroeira, para libertá-los da escravidão.

Divulgada no Brasil desde o início do século XVI, Nossa Senhora do Rosário foi a mais popular das invocações de Maria entre os negros da colônia. Foi escolhida como orago de muitas confrarias e irmandades criadas para promover a alforria dos irmãos escravos e garantir sua sepultura em solo sagrado. As festas em sua honra incluíam expressões culturais como o reisado e o congo, além de outras evocações à África. Como padroeira, sua devoção passou a ser associada a de São Benedito, introduzida no Brasil pelos frades franciscanos.

Antônio Vicelmo
Repórter


´COROA DE ROSAS´

Devoção no Brasil começou durante o século XVI

Milagres. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário chegou ao Brasil desde o século XVI. A palavra rosário significa “coroa de rosas”. É uma antiga devoção católica que a Virgem Maria revelou que cada vez que se reza uma Ave Maria lhe é entregue uma rosa e por cada rosário completo lhe é entregue uma coroa de rosas. A rosa é a rainha das flores, sendo assim, o rosário de todas as devoções é, portanto, tido como sendo o mais importante.

No Brasil, ela foi adotada por senhores e escravos sendo que, no caso dos negros, ela tinha o objetivo de aliviar-lhes os sofrimentos infligidos pelos brancos. Os escravos recolhiam as sementes de um capim, cujas contas são grossas, denominadas “lágrimas de Nossa Senhora”, e montavam terços.

No Crato, Nossa Senhora do Rosário tem uma devota que se tornou conhecida pela distribuição de terços. É a aposentada Edístia Abath Pereira. Além de cuidar do altar da santa na Igreja da Sé, ela distribui terços, com o objetivo de divulgar a devoção à Nossa Senhora.

Este ano, ela já cumpriu a promessa que vem do avô, Teopisto Abath, ourives. “A partir daí, a Santa tornou-se protetora da família”, diz Edístia, acrescentando que vai cumprir a promessa até o fim de sua vida. O terço, para ela, “é uma oração fundamentada no Evangelho, que nos transporta para dentro da Bíblia, acompanhando o peregrinar terreno de Jesus desde seu nascimento até sua morte e gloriosa ressurreição e ascensão, abrindo para nós as portas do Céu”.

SAIBA MAIS

Origem do Terço

A origem do terço é muito antiga. Remonta aos povos orientais que usavam pedrinhas para contar suas orações vocais. Em 1328, segundo a lenda, Nossa Senhora apareceu a São Domingos, recomen-dando-lhe a reza do Rosário para a salvação do mundo.

Devoção

Diante disso, nasceu, assim, a devoção do Rosário, que significa coroa de rosas oferecidas a Nossa Senhora. Os promotores e também divulgadores desta devoção foram os Dominicanos, que também criaram as Confrarias do Rosário.

Recomendação

Esta devoção tem o privilégio de ter sido recomendada por Nossa Senhora na cidade de Lourdes, na França, e também em Fátima, Portugal. Este fato depõe em favor de sua validade em todos os tempos.

Mais informações:
Igreja de Nossa Senhora dos Milagres
Secretaria da Paróquia
Rua Santos Dumont, 70
(88) 3553.1379
(88) 9965.4042
Edístia Abath Pereira
(88) 3521.1730

Reportagem: Antonio Vicelmo.
Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

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