20 outubro 2008

CARIRI - Pássaros são devolvidos ao IBAMA

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Pássaros devolvidos voluntariamente por criador estão no viveiro do Ibama, onde passarão por adaptação até serem encaminhados para criatórios autorizados (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

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Crime ambiental destruiu vegetação nativa na Área de Proteção Ambiental (APA) do Araripe (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Criador foi tentar regularizar a manutenção de pássaros mas decidiu devolver as aves ao Ibama, sob lágrimas

Crato. O homem simples do sertão que bota fogo no mato para renovação da pastagem é o mesmo que, espontaneamente, devolve à natureza os seus pássaros de estimação. Os dois acontecimentos contraditórios foram registrados, no fim de semana, na região do Cariri.

Num exemplo de amor à natureza e consciência ambiental, o motorista Robério Galdino da Silva, conhecido por “Foguinho”, surpreendeu os funcionários do Ibama do Crato e do Instituto Chico Mendes com uma atitude ecologicamente correta. Ele entregou aos funcionários dos dois órgãos ligados ao meio ambiente 13 pássaros que eram criados em gaiolas e viveiro em sua casa, na comunidade de Novo Lameiro, zona rural do Crato.

Quando soube que a criação de aves em cativeiro era proibida, Foguinho procurou o Ibama para tentar regularizar o criatório de seus pássaros de estimação: um Sabiá, dois Sofreus, dois Curiós, um Azulão, uma Viana, um Cancão, um Abre-e-Fecha, uma Graúna e três Campinas. Ao tomar conhecimento das regras para manter as aves em casa desistiu e, mesmo chorando, entregou os 13 pássaros aos órgãos ambientais que vão repassá-los para as reservas naturais autorizadas.

Foguinho ainda tentou ficar com o Cancão que, quando foi levado pela Polícia Florestal, ficou agitado. No entanto, se rendeu à argumentação do chefe da Unidade de Preservação da APA-Araripe, Jackson Antero, de que era melhor se desfazer das aves do que mantê-las aprisionadas.

“Estes pássaros eram a vida de Foguinho”, diz a mãe dele, Lúcia Frazão, acrescentando que o filho amanhecia o dia, antes de ir para o trabalho, cuidando das aves. O viveiro e as gaiolas vazias criaram um drama de “cortar coração” entre os familiares de Foguinho, principalmente entre as crianças, segundo afirma dona Lúcia, lembrando que, apesar da tristeza, foi melhor assim. “Meu filho é uma pessoa honesta que não gosta de nada ilegal”, diz, resignada, a mãe.

Crime ambiental

Manter aves da fauna brasileira em cativeiro sem a autorização do órgão ambiental é considerado crime punível conforme a Lei de Crimes Ambientais. Em hipótese nenhuma os pássaros poderão ser soltos na natureza sem que o Ibama seja informado. A soltura de animais silvestres em locais inadequados também é considerada uma infração.

De acordo com a lei, as aves têm que ser cadastradas. Cada criador terá ainda que atualizar a relação de aves de que dispõe, bem como se adequar às novas regras definidas em Instrução Normativa já publicada no Diário Oficial da União. Entre as regras estão a identificação de cada espécie de pássaro canoro com uma anilha metálica específica, fechada e com diâmetros definidos na nova regulamentação ambiental.

Incêndio na APA

A poucos metros da casa de Foguinho, um crime ecológico mobilizou o Corpo de Bombeiros que teve de apagar um incêndio na Área de Proteção Ambiental do Araripe. No mesmo horário, outro fogo foi registrado na margem da estrada do Granjeiro. Uma área de dois hectares foi queimada para o plantio.

Nesta época do ano, são freqüentes as queimadas com o objetivo de preparar o solo para a agricultura. O agricultor usa o fogo para esperar a chuva. Trata-se de uma alternativa geralmente eficiente, rápida e de custo relativamente baixo quando comparada a outras técnicas que podem ser utilizadas para o mesmo fim.

As queimadas são autorizadas pelo Ibama sob critérios técnicos, como os aceiros, por exemplo, que impedem a propagação do fogo além dos limites estabelecidos. Ao receber a autorização para a queimada, o proprietário da área é instruído sobre a melhor maneira de executar o trabalho.

O Ibama também distribui material educativo sobre as queimadas em regiões onde essa prática é usual.

No momento , estão sendo realizadas palestras orientando os agricultores sobre as queimadas controladas. Em situações especiais, o Ibama pode proibir as queimadas, o que não impede que elas ocorram de forma ilegal, provocando incêndios florestais.

ANTÔNIO VICELMO
Repórter


Mais informações:
Instituto Chico Mendes
Praça Joaquim Fernandes Teles
Bairro Pimenta
Crato (CE)
(88) 3521.5138

Reportagem: Antonio Vicelmo
Fonte: Jornal: Diário do Nordeste

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