27 setembro 2008

Quaje me lasco em banda


Pois é , amigos, casa de cozinheiro, panela de barro. “O automóve na ladeira se quebrou/ o zabumba se furou/ mas o Gonzaga não morreu”. Cá estou eu aqui vivinho da silva e ressuscitei no sétimo dia. Para o gáudio de tantos amigos e familiares e para o torcimento de rabo de uns pouquíssimos desafetos. O susto , ao menos, teve lá suas vantagens, tive que procurar seguir os conselhos que eu mesmo dava aos outros nestes mais de trinta anos de profissão. Falava , falava e nem percebia que nada tinha de imortal, sou feito da mesma substância perecível de todos e ficava por aí todo fiota talvez confiando que panela de barro não cai de girau: cai sim, senhor e é caco para tudo quanto é de lado. Pois bem, juntamos os estilhaços, colamos o que sobrou com goma arábica e aparentemente está tudo bem. Um furo aqui, um marejo ali, mas ainda dá para cozinhar um anguzinho esperto. Sim, tem lá outra vantagem nisso tudo, nunca pensei que fosse tão querido pelo povo da minha terra. O telefone não parou na minha casa e nas do meus amigos e familiares, soube de roda de orações, de promessas com quase toda a corte celestial e um incréu do meu quilate jamais poderia imaginar que toda essa corrente positiva teria tanto efeito terapêutico. E foi justamente a preocupação dos mais simples e humildes que mais me comoveu, estou , hoje, plenamente convencido que após terminar a faculdade e a.residência e voltar para minha terra, estava fazendo o gesto mais importante de toda minha vida. Nenhum acúmulo de bens neste mundo compensa a alegria de me sentir amado, querido e quase que insubstituível por minha gente, aquela a quem dediquei anos a fio de cuidados e preocupação ( e pretendo assim continuar fazendo) com os parcos recursos científicos, técnicos e humanos que a natureza e a vida me proporcionaram. Sempre de pé à beira do leito dos hospitais, de repente me vi deitado e necessitando da ajuda e do desvelo de tantos e tantos colegas de profissão. Via no rosto deles além do empenho técnico , uma preocupação que extrapolava o científico e esbarrava no humano Sinto-me engrandecido por ter tido, pela primeira vez, a visão plena da outra dimensão do sofrimento, da dor, da angústia.
Toca-me, de cátedra, a certeza da imensa fragilidade humana. Meras estrelas cadentes somos no firmamento da existência. Um fúlgido brilho no céu, que encanta poucos olhos atentos e, de repente, o universo volta à imutabilidade de sempre. E os vestígios que podemos deixar sobre a terra são simplesmente um pouco daquele resplendor que riscou a noite, tocando a retina de alguns e que pode apenas ter maior ou menor intensidade. Mas perfeitamente similares na sua fugacidade.
Como sempre, correram notícias as mais dispersas. Um mundo midiático como o nosso se alimenta de manchetes. Nossas vidas comezinhas e tão insignificantes necessitam ao menos do furor de algumas histórias mais sensacionalistas. Pois ainda não foi desta vez. Pretendo ainda fazer raiva a muita gente, escrever um mundão de potocas e continuar servindo àqueles que me procuram. Acredito que valerá a pena ficar por aqui enquanto contar com a amizade e o desvelo de tantos e possa me sentir perfeitamente útil a todos a quem dediquei minha vida pessoal e profissional. Ainda não foi desta vez que precisei voltar definitivamente para Matozinho.

José Flávio Vieira.

20 comentários:

  1. Meu GRANDE AMIGO Zé Flávio,

    Vim saber deste ocorrido ontem, através da secretária de Dr. marcos Cunha. Fiquei estarrecido com a notícia de que você havia ido para Fortaleza em estado grave, problema de angina pectoris. Não sei se vc chegou a fazer o terrível cateterismo, se não foi preciso, ou colocar alguma ponte de safena...

    O certo é que o nosso grande Doutor todo FIOTA e quieto, não poderia morrer antes de MANEL D´JARDIM, o organismo mais resistente que Deus colocou na face da terra, que por sinal está no Crato, lindo leve e solto, saudável demais...

    Pra você vê que aqui nada somos. De um segundo para o outro, um capilarzinho de nada pode ser romper lá na base do cérebro, bem na hipófise, e levar o cidadão pra Matozinho.

    Ouvi dizer que você não quer seguir as DIETAS. Mas isso tem que mudar. Vai tratar agora do organismo. Brasileiro só trata da casa quando é assaltada. Eu falo, mas também vou no mesmo caminho. Só tenho medo de fazer exames, porque se eu já tiver aí com algum cãncer vão querer me hospitalizar, e tenho muita coisa pra fazer antes de partir.

    na verdade, eu acho que o ser humano se bem soubesse que estaria condenado, eu faria uma grande festa, viveria os últimos dias em total prazer, com um harém, e quando tivesse bem perto, nos últimos 3 dias, mandaria os médicos me anestesiarem até a passagem para o outro mundo. Que maneira mais doce de nem saber que morreu ? E além do mais, teria que preparar antes as manchetes, deixar o mais lindo funeral tudo pago, com muita música boa e gente tocando. Quem perderia esse velório ?

    Pois é, meu amigo, vamos nos cuidar enquanto é tempo...

    Abraços,
    Seja Bem-vindo
    Que Deus o guarde ainda por muitos e muitos anos aqui conosco. Se é que eu vou estar aqui...

    Dihelson Mendonça

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  2. Jose Flavio.

    Eu acho que o amigo é sabedor que estive junto com os que rezaram por sua recoperação e pela equipe medica que tão bem cuidou de voce. Estive no hospital, não pude lhe ver, não fui ainda em sua casa para não atrapalhar o repouso que lhe é necessario. Saiba que a vontade de lhe dar um abraço é imensa. Olha rapaz, lembra daquele piripaco que sofri e quando voce chegou em minha casa para me atender disse: eita viuvona nova! Cuidado! Agora que passou o perigo vou continuar rezando para voce cuidar tão bem de voce quanto cuida dos outros.

    Um abraço fraterno

    Antonio Alves de Morais.

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  3. Zé Flávio,
    Dizem que não há mal que um bem não traga. O “susto” vai, provavelmente, fazer com que você tenha mais cuidado com a saúde. Para começar: esqueça aquela paradinha no “Velho do Caldo”. Lembre-se do que dizem os médicos: um nível de colesterol no sangue superior a 240 mg/dL eleva os riscos de problemas cardíacos e circulatórios.
    (Não existe maior demancha-prazer do que escutar recomendações médicas...)
    Mas, felizmente, você está de volta. Com suas postagens lúdicas sobre Matozinho e seu entusiasmo juvenil com a república brasileira.
    Fico contente em saber que continuarei a ser contestado nas minhas crenças de que um outro regime de governo é possível...
    Outra coisa: não creio que você tenha desafetos. Uma certeza é que você tem milhares de leitores, centenas de admiradores e dezenas de amigos.
    Não esqueça de que você é parte integrante do cotidiano desta Cidade de Frei Carlos. Afinal, cada ser humano é único e tem um talento essencial para expressá-lo neste mundo.
    Saúde e Paz!

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  4. Obrigado a todos pelas palavras de apoio e conforto, dá até vontade de adoecer de novo vendo tantos amigos se preocupando com a gente. Dihelson, armando, Moraes e um infinidade de amigos alguns mais próximos, outros distantes ( geograficamente). Mas está tudo bem, felizmente foi só um susto e agora não tem jeito tenho que seguir tudo quanto é recomendação que costumava dar a meus pacientes. Obrigado !

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  5. Caro Zé Flávio

    Tomei conhecimento agora do "susto" que você levou. Se é que um leigo metido a "besta" que nem eu pode lhe dar algum conselho, vamos comer capim e toda aquela "gororoba" de mato verde que existe no mercado das frutas e verduras, e que vocês doutores adoram nos recomendar com muita insistência. E o que é pior, com todo gosto, como faço eu, no dizer de Magali. Não estava entendendo por que você havia sumido do blog e das estações de TV e rádio do Matozinho não deram a notícia, por isso somente agora soube. Votos que você se recupere completamente, pois o nosso Crato não pode perder um dos seus mais competentes médico. Um forte abraço do Carlos e Magali, que muito lhe admiram.

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  6. Zé, vamos lançar seu nome para a Casa de Machado de Assis, para que assim você vire um imortal. nem precisa usar o fardão nem tomar o chazinho. basta continuar escrevendo essas crônicas maravilhosas.

    Um abraço

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  7. Caro Zé
    Estava tudo muito triste. De Crto a Matozinho, era só o que se comentava.Mas aí está o amigo: firme e forte para o bem das nossas letras e artes.
    Zé Nilton

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  8. agradeço de coração a todos os amigos que se preocuparam comigo. como disse o Dihelson tenho que lutar para ter ao menos um pouco da saúde do Manel D´Jardim, nossa Fênix. Obrigado ao Zé Newton, Ao Carlos-Magali, ao Armando , ao velho Moraes e ao Rafael. O jeito mesmo é abandonar o Véi do Caldo e trocar o frigorífico pelo Mercado de Frutas e Verduras. Já começo a gastar mais na Farmácia que no Supermercado. O diagnóstico é memo a tal de PVC ( a Porra da Velhice Chegando)

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  9. Pois é, Zé Flávio, os escritores fazem de tudo, até peças... e chegam, inclusive,a pregá-las. Será que você não pregou uma só para testar se era popular e, fato provado, não entraria de última hora no lugar de algum candidato?
    Brincadeira, apenas busquei uma contextualização política para não perder o mote.
    Apesar de não privar de sua amizade, o que lamento, mas o acompanho através dos seus textos "falados" e bem cutucados.
    Um abração, tudo de bom.
    Prof. Augusto.

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  10. Matozinho que espere. Se depender dos seus amigos, a força daqui de baixo vai ser grande.
    Nós queremos você por aqui, de farda, fardinha, fardão, e até de fralda.
    Te cuida menino rebelde.

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  11. Prezado Zé Flávio,

    Quase não acreditei quando soube do ocorrido. Depois me alegrei ao saber que fora apenas um susto e um aviso para a tomada dos cuidados que você tão bem orientou e orienta a tantos outros mortais. Pois é, camarada, ainda hoje estou no tal DIOVAN e a pressão vai se agüentando...
    Desejo-lhe saúde. Uma das maiores reservas intelectuais do nosso tempo não pode ir-se embora assim tão de repente e tendo ainda tanta letra e luz ofertar à humanidade.
    Um forte abraço.
    Cacá Araújo

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  12. Falta de reza é que não foi!
    Graças a Deus o senhor esta bem!
    abraços!

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  13. Falta de reza é que não foi!
    Graças a Deus o senhor esta bem!
    abraços!

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  14. Agradeço ao Cacá, Ao Elmano, ao Prof Augusto a à nossa Colcha de Retalhos todos amigos diletos, pois o que nos une , na realidade é a história e não a geografia. Obrigado pelas rezas e pelos fluidos positivos de todos, terminou por dar certo. Fico sensibilizado com tanto carinho.

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  15. Prezado Zé Flávio, um dia desses eu presenciei a sua posse como "imortal" do ICC e agora você vem com essa história de passar pro outro lado, rapaz! Deixe disso! O susto não foi só seu, o nosso foi maior ainda. Lembre-se: você é IMORTAL, embora feito do mesmo barro. Queremos e necessitamos de você aqui conosco por muitos anos, e bote Pe. Teodósio nisso. Já pensou se você resolve atender ao chamado da madame "foice", pra quem a gente contaria nossas confidências já que Dr. Brito quase não escuta mais?! Quem seria a pessoa que ficaria no seu lugar pra gente contar nossos segredos e ter a certeza de que ninguém ficaria sabendo? Como ficariam o bloco cirúrgico, o hospital, o Crato, o Ceará, o Nordeste, o Brasil e mundo sem você?! Deixe disso, "ome". Um túmulo não pode absorver outro, isso é canibalismo. Um abraço do colegar e admirador, Valdetário.

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  16. Prezado doutor José Flávio,

    Quero me solidarizar contigo em relação à seu recente problema e te desejar muita saúde, paz e felicidade. Você é um ser humano maravilhoso para toda a comunidade cratense, pobres e ricos, e pensando no todo é que te devemos muito. As populações carentes dessa cidade muito devem à sua sempre presente solidariedade e gentileza. Continue sempre assim alegre, firme nos seus ideais e que Deus nos dê sempre a graça de tê-lo no nosso convívio, pois além do extraordinário médico, és pessoa que enobrece e dignifica a cultura desta cidade. Que Deus esteja contigo.

    Mônica Araripe

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  17. Agradeço de coração ao Valdetário e à Mônica pela força. Está tudo bem, parece que foi só um susto e agora vou ter que ir pisando no freio tb e não só no acelerador.Quanto à imortalidade alegada pelo Valdetário fiquei um pouco deconfiado porque o ICC fica ali pertinho do Cemitério ou seja a mortalidade e a imortalidade tão pertinho, dá lá para ficar com a pulga detrás da orelha.

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  18. "Será feliz quem achar que tudo tem um sentido" Parceiro, com estas suas palavras expresso a minha felicidade de tê-lo sempre em nosso convívio. Vida loooooooooooooonga amigo!
    Grande abraço
    Pachelly J.

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  19. Hei Velho! Agora que voce está bonsinho, o risco já passou, saude em dia, com uma sobra rasoavel de reza, trate de dizer para Flora que fim voce deu na vaca dela. Eu não quero perder o cartaz com ela nem vou ficar por mentiroso.

    Abraço.

    Antonio Alves de Morais.

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  20. Caro A. Morais, a vaca pode até ter ido pro brejo, o importante é que o Zé ficou com a gente. Antes ela. Um abraço. Valdetário.

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