14 setembro 2008

Produção de sacrários é destaque no Cariri

ARTESANATO CATÓLICO

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Artesão Ligeirinho fabrica sacrários que são vendidos, principalmente, para o Estado de Sergipe. Peça integra seu acervo de obras de arte espalhadas pelo Cariri (Foto: Antônio Vicelmo)

Peças produzidas por ´Ligeirinho´ fazem sucesso em Sergipe. Encomendas de novos sacrários aumentam

Crato. Os sacrários, ou tabernáculos, pequenas urnas onde é colocado o cálice com a hóstia consagrada, são fabricados no Crato e vendidos para Sergipe. A peça sacra, considerada como uma das mais importantes dos templos católicos, porque é a casa do Santíssimo Sacramento, é produzida na oficina de Francisco Fábio Amorim, conhecido por “Ligeirinho”, artesão que vem se especializando em objetos sacros.

Da oficina de Ligeirinho, localizada na Rua Ratisbona, em frente ao Restaurante Popular, já saíram altares, cadeiras, candelabros e confessionários que ornamentam as igrejas da região do Cariri. A idéia de fabricar sacrários é da freira cratense, Maria Célia Pinheiro, missionária de Jesus Crucificado, que reside em Sergipe.

Impressionada com a qualidade de um sacrário, em madeira, da capela da Casa de Caridade do Crato, a irmã Maria Célia pediu informações sobre o fabricante. Ficou mais surpresa ainda quando soube que aquela obra de arte é produzida no Crato. O resultado foi a encomenda do primeiro sacrário, doado ao bispo de Estância (SE), dom Marco Eugênio Galrão Leite de Almeida. Quando os padres da Diocese de Estância tomaram conhecimento do sacrário, começaram a solicitar mais peças. Já foram enviados sete. Esta semana, serão remetidos mais sete sacrários para o mesmo Estado.

Modelo

Os sacrários são feitos de cedro, em forma de oratório, com uma cruz na parte de cima. A porta é decorada com cachos de uvas, e ramos de trigo, um cálice e uma hóstia esculpidos na madeira. A parte interna é revestida de fórmica branca. Católico praticante, Amorim não encontrou dificuldades em fabricar os sacrários. O avô e o pai dele, Genésio Amorim e Epifânio Amorim, respectivamente, foram exímios artesãos. São de autoria deles os quadros de formatura dos colégios Santa Teresa e Diocesano. De acordo com orientação da Igreja, o sacrário deve ser inamovível, isto é, fixado num local de destaque da igreja. A maioria é feita com metal. A recomendação é de que o sacrário seja fabricado com matéria sólida e não transparente, levando-se em consideração a máxima segurança para evitar o perigo de possíveis roubos e profanações.

Os sacrários, segundo o artesão, fazem parte do seu acervo de obras de arte espalhadas pela região do Cariri. O artesão tem consciência da importância da peça para os católicos. Ele diz que o sacrário é o morador daquele que deu e continua dando o seu sangue por nós. Na verdade, o sacrário é um divã, onde Cristo, o maior psicanalista de todos os tempos, recebe diariamente dezenas de pessoas para ouvir um grito silencioso: “estou aqui! Venham todos que estão cansados, abatidos, desanimados, que eu os aliviarei”. É assim que a Igreja define a presença de Jesus no sacrário.

Diante do sacrário, as pessoas desabafam em silêncio. Falam de suas angústias, problemas e procuram uma solução. “Ali está o Senhor Nosso”, diz o padre Rocildo Lima, acrescentando que o principal sinal da presença do Santíssimo é o véu que cobre o sacrário. Este véu se chama “conopeu” e costuma ter a cor dos paramentos do dia. Além do conopeu, deve sempre haver uma lâmpada acesa localizada perto do sacrário.

Regulamentação

A norma eclesiástica pede que haja um só sacrário em cada igreja para exprimir a unidade significada na Eucaristia. Torna-se inconcebível que, numa mesma igreja, se guarde a Eucaristia em dois ou mais sacrários. Recomenda-se, igualmente, que a peça esteja na capela chamada do Santíssimo, separada da nave central do ambiente da igreja.

Esta capela deve ser um lugar apropriado para o silêncio e o recolhimento, para a oração e adoração, devidamente adornada e decorada. Desta forma, todas as igrejas deveriam ter a capela do Santíssimo, sobretudo as paroquiais.

O Ritual da Dedicação das Igrejas dá importância a esta capela quando prevê o rito de inauguração. Se não for possível realizar o que se disse, o sacrário será colocado segundo a estrutura de cada igreja e os legítimos costumes de cada lugar, num altar, ou fora dele, procurando que seja a parte mais nobre da igreja, bem ornamentada e visível.

Mais informações:
Marcenaria Montes Claros
Rua Ratisbona, 298
Em frente ao Restaurante Popular do Crato
(88) 8817.9568

ANTÔNIO VICELMO
Repórter


Fonte: Jornal Diário do Nordeste.

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